Rafael Mora renuncia na Pharol… e segue-se a Oi

Decisão de renúncia na Pharol já foi comunicada à CMVM. Mora está na Oi em nome da Pharol, por isso é provável que saia também da operadora brasileira.

Rafael Mora renunciou aos cargos de membro do Conselho de Administração e da Comissão Executiva da Pharol. O anúncio foi feito esta terça-feira, numa nota enviada à CMVM que não acrescentava qualquer explicação oficial. A esta demissão, tudo indica, deverá seguir-se a demissão da administração da brasileira Oi.

“A Pharol anuncia que Rafael Luís Mora Funes renunciou, a 7 de março de 2017, aos respetivos cargos”, pode ler-se no comunicado enviado pela empresa que é o principal acionista da Oi à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Neste comunicado não há referência ao porquê da renúncia, nem se o cargo que deixa vago será preenchido.

Ainda assim, de acordo com fontes contactadas pelo ECO, a decisão do gestor resulta das mudanças acionistas que ocorreram na Oi e, mais recentemente, na própria Pharol, antiga PT SGPS, a empresa portuguesa que controla 27% do capital da operadora brasileira. O empresário Nelson Tanure assumiu uma posição acionista de relevo na companhia brasileira, tem como grande objetivo mandar na Oi e, cedo, deixou claro que queria o afastamento dos administradores portugueses e, particularmente, o seu mais visível rosto, Rafael Mora.

Nas últimas semanas, a pressão de Tanure aumentou, incluindo a marcação de uma assembleia geral para a mudança de administradores. Mas, entretanto, o brasileiro entrou também no capital da própria Pharol, e detém já cerca de 10% das ações. Aliás, segundo uma notícia do Expresso de há duas semanas, Tanure terá pedido o apoio do Novo Banco e do BCP – maiores acionistas da Pharol – a apoiá-lo no afastamento de Rafael Mora.

Neste quadro, Rafael Mora confidenciou aos mais próximos que não estava disponível para manter uma guerra com um acionista que tem outros planos e, por isso apresentou a renúncia aos cargos na Pharol, em Lisboa, e tudo indica, na própria Oi, no Rio de Janeiro. Sobretudo porque, segundo Mora, a Oi está num momento crítico do processo de recuperação judicial e uma guerra entre um gestor e um acionista seria um fator de desestabilização da empresa. Esta informação, de qualquer forma, não está ainda confirmada por qualquer nota enviada à Comissão de Valores Mobiliários, a polícia da bolsa no Brasil.

O anúncio da renúncia de Mora surge no mesmo dia em que a Pharol, principal acionista da Oi, viu a Justiça portuguesa reconhecer oficialmente o processo de recuperação judicial da maior operadora brasileira. Esta manhã, a CMVM foi informada de que o Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa deu luz verde ao pedido formulado no Brasil e deferido em junho do ano passado por um tribunal carioca.

O facto de Lisboa reconhecer o processo que decore no Brasil levará a que a Oi fique protegida de eventuais ações judiciais ou processos desencadeados por credores em Portugal, enquanto o processo estiver a decorrer na Justiça brasileira.

Isso poderá abranger obrigacionistas da antiga holding da PT que, mais tarde, foi convertida na Pharol PHR 0,00% . Estes créditos ficam agora ao abrigo da recuperação judicial da Oi, o que significa que só poderão ser reconhecidos e, consecutivamente, reembolsados aos credores no âmbito do processo em curso no Brasil.

(Notícia atualizada com mais informação)

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