Procura por obrigações de retalho ultrapassa 1.700 milhões. Estado só vendeu mil milhões

Investidores queriam 1.700 milhões de euros em OTRV, mas só ficaram com 1.000 milhões em dívida pública. Elevada procura renova popularidade deste produto do Estado junto do retalho português.

Portugal conseguiu financiar-se em mil milhões de euros através de nova emissão de obrigações dirigidas para o mercado de retalho. Como nas anteriores seis operações do género, a procura por estas Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV) voltou a superar confortavelmente a oferta, comprovando a popularidade deste produto do Estado junto dos aforradores e investidores nacionais.

No total, foram validadas ordens de compra no valor de 1.753 milhões de euros, o que situou a procura 1,75 vezes acima do que pretendia o IGCP, de acordo com os dados apurados pela Euronext e divulgados esta quarta-feira. Um nível de interesse bem acima do que se verificou na anterior operação.

Logo no primeiro dia de subscrição destas OTRV, o IGCP registava já uma procura de 956 milhões de euros, quase dobro do montante que estava inicialmente em cima da mesa, 500 milhões de euros. Face ao elevado interesse dos investidores, a agência liderada por Cristina Casalinho acabou por aumentar a oferta poucos dias depois para os 1.000 milhões de euros

Ainda de acordo com as informações da gestora da bolsa de Lisboa, mais de 62 mil investidores participaram nesta que foi a sétima emissão de OTRV.

Esta operação trouxe duas novidades: títulos colocados apresentam uma maturidade de investimento de sete anos (e não cinco anos, como vinha sendo habitual) e oferecem uma remuneração de apenas 1% (a mais baixa de sempre).

Com esta emissão, o Estado aumenta para 8.000 milhões de euros o montante total levantado só com OTRV, um produto que começou a ser comercializado em 2016. Este valor compara com os 11.878 milhões de euros que as famílias portuguesas têm aplicados em certificados de Aforro e com os 15.655 milhões de euros aplicados em Certificados do Tesouro.

(Notícia atualizada às 17h26)

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