Cada vez mais isolada, Huawei cria laços em Portugal. Ambiente é “propício a negócios”, diz CEO ao ECO

Vários países afastaram-se da Huawei, alegando estreitas ligações ao Governo chinês. Mas Portugal é um aliado cada vez mais forte. Ao ECO, o líder da empresa em Portugal reconhece o "bom ambiente".

A chinesa Huawei até pode estar debaixo de fogo em países como EUA, Canadá, Reino Unido e Japão, enfrentando acusações de espionagem a favor do Governo de Xi Jinping, ou de violação de sanções. Mas, em Portugal, o clima é diferente. Não só a empresa se posiciona como aliada tecnológica do país como tem fechado parcerias com empresas como a Altice Portugal. Para Tony Li, presidente executivo da Huawei Portugal, a relação entre a empresa e o país resume-se a uma expressão: “confiança mútua”.

Tony Li, presidente executivo da Huawei PortugalD.R.

“Em Portugal temos um bom ambiente de trabalho que advém de vários aspetos: o entendimento certeiro e a avaliação da segurança em Portugal pelo Governo e as agências regulatórias; o operador português e a Huawei têm cooperado de forma bem-sucedida durante muitos anos e a Huawei estabeleceu um elevado nível de confiança mútua; a imprensa portuguesa e os jornalistas na sua generalidade não têm nada contra a Huawei; os portugueses apreciam a alta tecnologia e as novidades associadas”, resume Tony Li ao ECO, por e-mail.

"Portugal tem um bom ambiente de trabalho e propício a negócios. Qualquer empresa deve considerar aumentar o seu investimento no país.”

Tony Li

Presidente executivo da Huawei Portugal

No início de dezembro, no mesmo dia em que lançou a gama de computadores portáteis em Portugal, numa loja renovada que tem no centro comercial Colombo (Lisboa), a marca via a administradora financeira e herdeira da empresa, Meng Wanzhou, ser detida no Canadá. Era acusada de ter participado num esquema que violava as sanções impostas pelos norte-americanos ao Irão. Já em janeiro, o líder da Huawei na Polónia, Wang Weijing, foi detido sob acusação de ser um espião ao serviço da China. Pouco depois, a marca despediu-o, garantindo que a atitude do gestor “não teve nada a ver com a companhia”.

Os casos sucedem-se e chegam a Portugal sob a forma de notícias. Mas só isso. As operadoras de telecomunicações nacionais vendem equipamentos da Huawei e a marca está, inclusive, entre as principais fornecedoras de tecnologia no caminho que está a ser feito em direção ao 5G. É por isso que a posição da Huawei em Portugal contrasta tanto com o que acontece noutros países. Quando o Presidente da China visitou Portugal no final do ano passado, foi recebido com honras de Estado. E, numa cerimónia de assinatura de protocolos de cooperação, lá estava a Huawei, a fechar com a Altice, dona da Meo, mais um protocolo de cooperação na área da tecnologia.

Claro que a Huawei sempre negou as acusações de que fornece dados ao Governo chinês — e tem-se posicionado como uma empresa independente, bem ao nível das concorrentes Apple e Samsung. E é por isso que, em Portugal, a marca parece querer retribuir: “Portugal tem um bom ambiente de trabalho e propício a negócios. Qualquer empresa deve considerar aumentar o seu investimento no país. Aliás, o investimento da Huawei em Portugal tem aumentado consideravelmente, tal como o número de colaboradores. Mais do que o dobro comparativamente a anos recentes”, explica Tony Li. Mas questionado sobre quantas pessoas trabalham ao serviço da marca em Portugal, o gestor recusa responder.

Alguns mercados 5G sem a participação da Huawei, tal como um jogo de futebol sem o Cristiano Ronaldo, não conseguem superar este nível superior.

Tony Li

Presidente executivo da Huawei Portugal

Huawei compara-se a Ronaldo

A Huawei não faz por menos. Sobre se os temas geopolíticos poderão atrasar o percurso feito em direção ao 5G, a marca compara-se com o craque português do futebol: “Alguns mercados 5G sem a participação da Huawei, tal como um jogo de futebol sem o Cristiano Ronaldo, não conseguem superar este nível superior”, escreve o líder da Huawei Portugal, nas respostas enviadas ao ECO. Por isso, deixa o alerta de que “a geopolítica afetará o desenvolvimento e a popularização da tecnologia”, o que fará com que “algumas pessoas, em determinadas regiões”, não possam desfrutar do “melhor da tecnologia”.

Dito isto, prefere apontar para a parte técnica do desafio, nomeadamente no que toca à segurança, questão que deve ser encarada pelo setor como um todo, defende Tony Li: “A segurança é, antes de mais, um tema técnico. É um problema que a indústria deve encarar em conjunto e que será um desafio para todos durante muito tempo. Como tal, acreditamos que só resolveremos este problema através de uma comunicação e colaboração completas”, afirma. Promete, em simultâneo, que a Huawei “continuará a participar ativamente neste processo”.

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