Economia portuguesa resiste apesar de nuvens sombrias na Alemanha e França

Indicadores publicados esta sexta-feira pelo Banco de Portugal indicam que a economia portuguesa terá avançado em fevereiro.

A economia portuguesa exibe sinais de poder estar a resistir ao abrandamento que chegam das maiores economias da Zona Euro. O indicador coincidente para a atividade económica referente a fevereiro subiu pelo terceiro mês seguido, revelou esta sexta-feira o Banco de Portugal. Esta tendência acontece ao mesmo tempo que na Zona Euro se agravam os avisos sobre o desempenho das principais economias.

“Em fevereiro, o indicador coincidente mensal para a atividade económica aumentou pelo terceiro mês consecutivo, interrompendo a tendência descendente anterior”, diz o banco central. No mês em análise, este indicador, que é uma medida aproximada da tendência da atividade económica, avançou para uma taxa de variação homóloga de 2,1% face à taxa de 1,9% registada no mês anterior. Isto apesar da desaceleração do indicador do consumo privado.

Esta informação junta-se à que foi publicada esta semana pelo Instituto Nacional de Estatística, que dava conta de que a economia portuguesa tinha arrancado o ano de 2019 com boas perspetivas, com o indicador de atividade económica a melhorar.

Estes são dois indicadores a que o ministro das Finanças, Mário Centeno, estará a prestar atenção especial, numa altura em que refaz contas às previsões de crescimento para este ano. O abrandamento da economia mundial, em particular da Zona Euro, terá consequências no cenário macroeconómico que o Governo vai incluir no Programa de Estabilidade que enviará em abril para Bruxelas. Centeno já admitiu que o corte da previsão pode chegar a duas décimas, o que coloca a projeção de crescimento do PIB em 2%.

No bloco do euro, o cenário de abrandamento surge mais vincado. O Banco Central Europeu (BCE) reviu em baixa a previsão de crescimento de 1,7% para 1,1% e esta sexta-feira surgiram mais indicadores que reforçam os receios de as maiores economias estarem perante uma perda de vitalidade.

O setor industrial na Alemanha contraiu pelo terceiro mês consecutivo e atingiu mínimos de junho de 2013, revelou o índice PMI que mede a atividade económica na indústria. Estes dados levaram os investidores a reforçar a procura por dívida alemã, admitindo já não ter qualquer retorno. Também os dados sobre a economia francesa para o PMI apontam no mesmo sentido, com uma queda do indicador para um patamar abaixo do esperado.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Economia portuguesa resiste apesar de nuvens sombrias na Alemanha e França

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião