Exclusivo Victor Ribeiro demite-se de presidente executivo da Global Media

O CEO do grupo Global Media apresentou a demissão no meio do processo de reestruturação do grupo de comunicação que tem o JN, DN, TSF e O Jogo.

Victor Ribeiro, presidente executivo da Global Media, pediu a demissão e vai sair já no final do mês, apurou o ECO junto de fonte do grupo. Esta informação foi, depois, confirmada diretamente junto de Daniel Proença de Carvalho, presidente do Conselho de Administração do grupo de comunicação social que controla o JN, DN, TSF e O Jogo, exatamente às 15h24 desta terça-feira. Já depois deste contacto telefónico, os trabalhadores da Global Media receberam um comunicado a anunciar oficialmente a informação, às 19h35.

A saída de Victor Ribeiro ocorre precisamente no meio de um processo de reestruturação em curso – em breve deverá ser anunciado mais um plano de rescisões amigáveis, que já terá o apoio da banca. “O Conselho de Administração e os acionistas têm em curso a restruturação financeira do Grupo, que vai fortalecer a sua estratégia e, nesse âmbito, muito em breve se procederá à recomposição do Conselho de Administração e da Comissão Executiva da Global Media Group”, refere o comunicado enviado aos trabalhadores.

O gestor entrou na Global Media em 2014, na sequência da entrada de novos acionistas. Logo aí, o grupo fez um processo de reestruturação que se revelou, mais tarde, insuficiente para dar a volta ao negócio operacional. Mais recentemente, com a entrada de um novo acionista, o empresário macaense Kevin Ho, com 30% do capital, foram criadas as condições para um novo investimento. Apesar disso, os resultados foram negativos e terão sido superiores a oito milhões de euros.

Há cinco anos, o grupo combinou rescisões amigáveis com um despedimento coletivo para cortar 150 empregos, procedendo dois anos depois a uma reorganização acionista que conduziu à entrada do empresário macaense Kevin Ho (30%). Apesar da injeção de capital, que terá sido da ordem dos 15 milhões de euros, os resultados operacionais em 2018 foram novamente negativos, e pioraram em relação ao ano anterior.

Neste momento, como admite o próprio comunicado enviado por Daniel Proença de Carvalho, a Global Media está a negociar uma nova reestruturação com os bancos credores/acionistas, o BCP e o Novo Banco, para avançar com rescisões e um novo plano de investimento.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Victor Ribeiro demite-se de presidente executivo da Global Media

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião