Partidos saem à rua para sardinhadas e feiras. Quanto gastam em campanha?

No ano passado, o PSD, o Bloco e o PS foram os partidos que mais gastaram em meios e ações para propaganda política. Os congressos nacionais são os eventos mais dispendiosos.

As eleições europeias, na Madeira e legislativas foram agendadas para 2019, mas os partidos apostam sempre em ações de campanha. Entre sardinhadas e congressos, bem como cartazes e panfletos, PSD e Bloco foram os partidos que mais gastaram em ações e meios de propaganda ou campanha, no ano passado, tendo ultrapassado a fasquia do milhão de euros. Segue-se o PS, cujas despesas neste campo rondaram os 840 mil euros. No fim da lista surgem os comunistas e o CDS.

De acordo com as contas apresentadas à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP), que ainda têm de ser avaliadas e aprovadas, o PSD gastou 6.146.072,82 euros com ações e meios de propaganda política (ou campanha eleitoral) em 2018.

É de ressalvar que a contabilização dos partidos nestas listas é feita de forma diferente. O PSD e o Bloco incluem as quotas nestas listas, por exemplo, enquanto os restantes não fazem referência a esse elemento nesta contabilização. No geral, os congressos nacionais são os eventos onde os partidos gastam mais dinheiro.

Para o PSD pesaram também nas contas as viagens no âmbito das funções desempenhadas nas instituições europeias, como por exemplo para o congresso do PPE, em Helsínquia. Já quando saíram à rua para ações em Portugal, um dos destinos foi Loulé, para a Festa do Pontal, onde gastaram cerca de dez mil euros. Só as t-shirts, um dos poucos elementos discriminados, foram quase 400 euros.

Já as despesas do BE ficaram aproximadamente nos 2,4 milhões de euros, tendo em conta que o partido incluiu despesas gerais nestas contas. Para o Bloco, as despesas com o Esquerda.net, um site de informação detido pelo partido, destacam-se na lista das ações e meios. Em 2018, os gastos com este portal, onde se inclui as remunerações do pessoal, totalizaram cerca de 140 mil euros.

Os bloquistas apresentam nestas contas as receitas obtidas com as angariações de fundos, subvenções e contribuições dos filiados e eleitos, o que equilibra o resultado. Mesmo assim, são poucos os eventos que provam ser lucrativos para o Bloco. Segundo o documento entregue à ECFP, a participação numa “festa dos coletes” acabou com um saldo positivo, depois de uma angariação de fundos no valor de 1.364,90 euros. Já a sardinhada em Torres Novas foi outro dos eventos que gerou um balanço positivo, mas só de 18 euros.

Para o PS, os gastos com ações em 2018 cifraram-se nos 841.341,23 euros. Na lista apresentada contam-se inúmeros congressos, que pesaram nas despesas, e também candidaturas de membros como António Costa, Elza Pais e Daniel Adrião, que avançaram no congresso nacional, na Batalha.

Um dos principais eventos do partido “na rua” foi a festa de verão do PS, no Parque 25 de Abril, em Caminha. Nesta celebração o partido gastou mais de 40 mil euros, sendo que quase metade do orçamento foi gasto em decoração de salas e montagem de estruturas.

No caso dos comunistas, as ações de propaganda política custaram cerca de 270 mil euros. Nas despesas gerais, o aluguer e colagem dos outdoors apresenta-se como um dos elementos mais dispendioso. Os comunistas desenvolveram no ano passado várias ações para promover posições em diversos assuntos, como campanhas de propaganda em defesa dos CTT (custou cerca de 3.500 euros) ou pelo direito a habitação (rondou os 4.700 euros).

O CDS acaba por ficar no fim da lista das despesas com propaganda, apesar de não apresentar valores para todas as ações listadas. Os gastos totalizam aproximadamente os 120 mil euros. A iniciativa do partido “Ouvir Portugal”, que se desenvolveu por todo o país, foi um dos principais elementos da campanha dos democratas-cristãos.

Contam-se ações de rua em Évora, onde os democratas-cristãos visitaram a Embraer e o centro histórico, em Montalegre, na Feira do Fumeiro, no Baixo Alentejo, onde visitaram locais como a Herdade Monte das Mouras, em Castro Verde, e fizeram um almoço no Clube Bejense. As despesas de cada ação rondam os 200 euros.

PCP é o único com saldo negativo

O PSD foi o que gastou mais com propaganda, mas também foi o que acabou melhor o exercício do ano, com 770 mil euros positivos. O PS segue-se com 264 mil euros, e o pódio fica fechado com o Bloco, que terminou o ano com um saldo positivo de 130 mil euros. Em terreno verde ficou também o CDS, com um resultado de 18 mil euros, e ainda o PAN, que teve um saldo positivo de 12 mil euros.

Sobra assim, entre os maiores partidos, o PCP, que fechou o ano passado com um balanço negativo de mais de 800 mil euros. O partido viu o valor dos donativos cair 66,32% de 6.680 euros em 2017 para 2.250 euros em 2018. Ainda assim, regista o valor mais alto de contribuições dos eleitos e militantes, bem como de depósitos bancários.

O PCP era também, historicamente, o partido mais rico em imóveis, mas foi ultrapassado pelo PSD em 2018. O património imobiliário dos sociais-democratas aumentou mais de quatro vezes em apenas um ano, na sequência de uma reavaliação pedida ao Fisco. Os ativos fixos tangíveis do PSD atingiram assim os 26,3 milhões em 2018.

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