Ex-CEO da Uber desinveste na empresa e encaixa mais de 500 milhões de dólares

Travis Kalanick, afastado da liderança da Uber em 2017, voltou a desinvestir na empresa. Desta vez, alienou ações no valor de cerca de 540 milhões de dólares.

O ex-presidente executivo da Uber UBER 3,55% vendeu ações da empresa num valor superior a 500 milhões de dólares, pouco depois de ter expirado a restrição à venda de títulos por parte dos primeiros acionistas da empresa, que estava prevista no IPO (oferta pública inicial). A notícia foi avançada pelo Financial Times (acesso pago), que cita um documento enviado à homóloga norte-americana da CMVM.

Travis Kalanick, afastado da liderança da Uber em 2017 depois de uma sucessão de escândalos, aproveitou o fim do travão à venda de ações da Uber para encaixar uma mais-valia milionária, de perto de 540 milhões de dólares. Este mecanismo, que expirou a 4 de novembro, servia para prevenir que os investidores mais antigos da empresa vendessem as suas ações nos seis meses seguintes à entrada da Uber na bolsa de Nova Iorque, como forma de prevenir transações com base em informação privilegiada.

O desinvestimento deste que foi um dos fundadores da gigante norte-americana acontece depois de o empreendedor ter encaixado 1,4 mil milhões de dólares com a venda de ações ao SoftBank, que comprou uma parte significativa da Uber no ano passado. Além disso, vendeu outra parte menor das ações no IPO, de acordo com o mesmo jornal.

Cotação das ações da Uber em Nova Iorque

A Uber tem estado sob forte pressão em Wall Street, que se acentuou no início deste mês, após o fim do referido travão. Desde que entrou na bolsa a 10 de maio, os títulos da tecnológica já desvalorizaram mais de um terço e estão, desde agosto, a negociar abaixo do preço do IPO. Uma ação da Uber está a valer 26,93 dólares.

Importa recordar que Travis Kalanick regressou às notícias na semana passada, depois de se saber que o fundo soberano da Arábia Saudita investiu 400 milhões de dólares na nova startup que está a ser lançada pelo gestor — a CloudKitchens. Os sauditas foram também dos principais investidores no fundo tecnológico liderado pelo SoftBank, através do qual têm feito fortes investimentos em empresas de tecnologia ocidentais nos últimos anos.

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