Procura por dívida da Caixa foi sete vezes superior à oferta. Paga taxa de 1,25%

Foi a primeira emissão deste tipo de dívida de um banco português, com a CGD a estabelecer a referência para operações que outros grandes bancos nacionais também terão de fazer.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) pagou uma taxa de juro de 1,25% para emitir 500 milhões de euros em títulos de dívida sénior não preferencial a cinco anos. A operação atraiu forte interesse do mercado, o que ajudou a baixar o custo da emissão, com a procura ascender a 3.500 milhões de euros, representando sete vezes o montante da oferta.

A operação marcou o início de uma série de emissões de dívida subordinada que a CGD terá de realizar até ao final de 2022 no âmbito do chamado requisito de MREL (requisito mínimo de fundos próprios e créditos elegíveis), que obriga os bancos europeus com importância sistémica a constituir uma almofada financeira adicional para fazer face a eventuais dificuldades. O objetivo é fazer com que os bancos tenham capacidade de absorver perdas e evitar a ajuda dos contribuintes.

Esta foi mesmo a primeira emissão deste tipo de dívida de um banco português, com a CGD a estabelecer o benchmark para operações que outros grandes bancos nacionais também terão de fazer.

Segundo a CGD, foram dadas 220 ordens de compra, superando os 3.500 milhões de euros. Mas o banco só pretendia colocar 500 milhões, pelo que a procura situou-se sete vezes acima do montante emitido, ajudando a baixar a taxa de juro de 1,5% para 1,25%.

“A receção e interesse manifestados por parte dos investidores refletem a evolução positiva registada pela CGD na implementação do Plano, nomeadamente pela melhoria de rentabilidade, solvabilidade e qualidade dos ativos, traduzindo-se numa significativa diminuição do custo de financiamento da CGD”, destaca o banco em comunicado enviado às redações.

Na distribuição geográfica da colocação junto dos investidores destacaram-se o Reino Unido (28%), França (16%), Portugal (16%), Holanda (8%), Espanha (8%), e Itália (7%). Mais de 70% da emissão foi tomada por gestora de ativos.

Para esta emissão, o banco público conta com a ajuda do CaixaBI, HSBC, Morgan Stanley, NatWest Markets e Société Générale. Isto depois de um roadshow que teve lugar na semana passada em Londres e Paris. Segundo adiantou a Bloomberg, os títulos de dívida receberão uma notação financeira de Ba2 da Moody’s, BB+ da Fitch e BBB Baixo da DBRS.

Em julho, o administrador financeiro da CGD, José de Brito, referiu que o banco “facilmente” cumprirá este requisito regulatório, mas sublinhou que “será um peso adicional para a margem financeira”. “Na prática é uma operação que não precisamos”, disse o CFO do banco do Estado em julho, tendo frisado que a situação de solidez da instituição é forte.

A CGD atingiu um lucro de 640 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano. Vai distribuir um dividendo de cerca de 300 milhões ao Estado.

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