Facebook sabe sempre a localização dos utilizadores, mesmo sem GPS

Mesmo quando o GPS do telemóvel está desligado, o Facebook é capaz de deduzir a localização de um utilizador com base noutros dados pessoais, admitiu a empresa numa carta enviada ao Senado dos EUA.

O Facebook admitiu que é capaz de localizar sempre os seus utilizadores, mesmo nos casos em que os serviços de localização do telemóvel estejam desligados. A informação está a alimentar os receios em torno da privacidade na maior rede social do mundo.

Já era do conhecimento geral que, quando a localização do smartphone está ligada, aplicações como o Facebook são capazes de pedir as coordenadas do GPS do telemóvel. Este tipo de dado permite à empresa saber o sítio exato em que um determinado utilizador se encontra, com uma margem de erro de poucos metros.

Porém, numa carta enviada a dois senadores norte-americanos, a rede social reconhece que também é capaz de saber a localização de um utilizador nos casos em que este instrumento esteja desligado, de acordo com a CNBC.

Nestes casos, apesar de não poder saber a localização exata do utilizador, os algoritmos da plataforma são capazes de deduzir a posição em que este se encontra, recorrendo a outros dados pessoais partilhados com a empresa, de forma consciente ou não. Por exemplo, através do número de identificação da ligação do utilizador (IP) ou da localização associada a uma foto que seja carregada pelo próprio para a rede social, uma prática conhecida por geotagging (identificação geográfica).

Na carta enviada a dois membros da câmara alta do Congresso dos EUA, o Facebook tentou justificar a necessidade de saber sempre a localização dos utilizadores. Desde logo, a empresa pode bloquear uma tentativa de acesso numa conta a partir de um país que seja diferente do país em que a plataforma acredite que esse utilizador esteja, exemplificou o Facebook.

Outra razão é a segmentação de anúncios: “Por necessidade, todos os anúncios no Facebook são segmentados com base na localização, embora, mais comummente, os anúncios são exibidos a pessoas numa cidade em particular ou numa região maior. De outra forma, pessoas em Washington iriam ver anúncios de serviços e eventos em Londres, e vice-versa”, explicou o Facebook.

Apesar das explicações do Facebook, os argumentos não estão a convencer os senadores. De acordo com o mesmo canal de informação financeira, alguns membros do Senado norte-americano já expressaram “preocupação” pela privacidade dos utilizadores da plataforma.

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