Corte nos dividendos da Nos “não define uma nova política” de remuneração acionista

A administração da Nos vai propor um corte de 20% nos dividendos da empresa, mas garante que a redução não significa uma mudança na política remuneratória.

O corte nos dividendos da Nos NOS 0,62% não significa uma “nova política” de remuneração acionista, garantiu o administrador financeiro da operadora, numa conferência telefónica com analistas. A empresa anunciou esta sexta-feira uma redução nos dividendos a distribuir aos investidores, na ordem dos 20%, para 27,8 cêntimos por ação.

Nos últimos anos, a operadora portuguesa tem distribuído sempre dividendos acima dos lucros obtidos no exercício. Mas isso vai mudar este ano, com a administração da Nos a propor pagar não mais do que 100% do resultado líquido obtido em 2019. Contudo, não significa que assim permaneça, revela agora a empresa.

Questionado sobre se o payout de 100% — ao invés dos 120% no ano anterior — representa uma nova estratégia da administração num contexto de novos investimentos que terão de ser feitos no 5G, José Pedro Pereira da Costa negou. Segundo o gestor, o corte “não define uma nova política de dividendos para o futuro”. “É só a proposta de dividendos a pagar em 2020”, frisou.

Apesar da redução, a administração da Nos acredita que o dividendo, ainda assim, “continua atrativo” e representa um “bom nível de retorno” para os investidores. “A decisão foi tomada assumindo o contexto atual de que existem várias incertezas materiais” do ponto de vista regulatório, nomeadamente no processo do leilão de frequências para o 5G, disse o administrador financeiro da operadora.

E apesar de reconhecer que os dividendos têm sido “um componente chave” da estrutura acionista da Nos, José Pedro Pereira da Costa explicou que o contexto é incerto e que existem “questões chave que precisam de clarificação” no processo do leilão de frequências para o 5G, que está previsto arrancar em abril deste ano.

A Nos anunciou esta sexta-feira os resultados do ano de 2019, nomeadamente um acréscimo de 4,2% nos lucros, para 143,5 milhões de euros. Este é também o valor que a Nos propõe distribuir aos acionistas em dividendos, num contexto em que espera ter de realizar investimentos extraordinários na aquisição de frequências para o 5G.

A notícia, porém, fez precipitar as ações da operadora na bolsa de Lisboa, que chegaram a derrapar 8%. Os títulos estão agora a cotar em 4,2 euros, uma queda de 5,75% face à sessão anterior.

(Notícia atualizada pela última vez às 12h24)

Evolução do preço das ações da Nos na bolsa de Lisboa:

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