Marcelo e Costa “combinam harmoniosamente”, diz Santos Silva

  • Lusa
  • 21 Maio 2020

Na Autoeuropa, António Costa limitou-se a fazer "uma constatação muito simples e óbvia", defende o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

O ministro e dirigente do PS Augusto Santos Silva considera que as personalidades do Presidente da República e do primeiro-ministro se “combinam harmoniosamente” e que o país ganharia se essa articulação continuasse “nos próximos tempos”.

“As personalidades do atual Presidente da República e do atual primeiro-ministro combinam-se harmoniosamente e a coordenação e respeito institucional correu otimamente bem. E acho que o país ganhou com isso e nos próximos tempos precisa que essa articulação harmoniosa entre a Presidência da República, o Parlamento e o Governo continue”, defendeu Santos Silva numa entrevista ao podcast do PS “Política com Palavra”.

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros comentava as declarações proferidas pelo líder do executivo numa visita à fábrica da Volkswagen-Autoeuropa, quando antecipou a recandidatura presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa e respetiva vitória, com o chefe de Estado a poucos metros de distância.

Para o chefe da diplomacia portuguesa, na Autoeuropa, António Costa limitou-se a fazer “uma constatação muito simples e óbvia”.

"As personalidades do atual Presidente da República e do atual primeiro-ministro combinam-se harmoniosamente e a coordenação e respeito institucional correu otimamente bem. E acho que o país ganhou com isso e nos próximos tempos precisa que essa articulação harmoniosa entre a Presidência da República, o Parlamento e o Governo continue.”

Santos Silva

Ministro dos Negócios Estrangeiros

Augusto Santos Silva aproveitou para refutar as críticas de dirigentes socialistas como Ana Gomes, Francisco Assis ou Manuel Alegre ao apoio de Costa à recandidatura de Marcelo sem discussão no congresso socialista, que deveria ocorrer este mês de maio, mas foi adiado sem data devido à pandemia de Covid-19.

“Têm tanto direito a falar aqueles que apoiam uma eventual recandidatura do professor Marcelo Rebelo de Sousa como aqueles que a contestam e apoiam outras. Todos têm o direito a falar”, acentuou, voltando à carga logo a seguir: “Não pode ser quando uns falam contra um eventual apoio estão a ser democratas e a defender o PS, e quando falam os outros que dizem que o PS deve apoiar a recandidatura ou não apoiar ninguém alternativo, facilitando essa recandidatura, já estão a impedir o PS de debater.”

“O PS, a seu tempo, apoiará um candidato ou decidirá não apoiar um candidato – já fez as duas coisas -, mas, fiel à tradição do PS, fá-lo-á depois de ser claro quais são as candidaturas”, rematou o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Depois de lembrar que “as candidaturas a Presidente da República são cívicas e não partidárias”, Augusto Santos Silva apontou “três critérios essenciais” que deverão ser observados antes de o PS decidir sobre o próximo “inquilino” do Palácio de Belém.

Em primeiro lugar, “fazer uma avaliação do que aconteceu até agora”, medir os prós e contras do mandato de Marcelo.

Em segundo, “como os segundos mandatos têm sempre uma dinâmica muito diferente do que o primeiro”, tentar antecipar qual será a ação do atual Presidente nos próximos cinco anos, ou seja, “qual a leitura que fazem do segundo mandato”.

O PS precisa assim de avaliar se há “expectativas sólidas” de que “articulação harmoniosa” que se verificou no primeiro mandato se pode prolongar no segundo, “com todo o respeito pela autonomia e responsabilidades de cada um”.

Em terceiro e último lugar, como vai haver vários candidatos à esquerda e à direita do espetro político, é necessário avaliar se a candidatura a apoiar pelos socialistas é “suficientemente forte e abrangente” para “travar as dinâmicas populistas que também vão acontecer” nas próximas presidenciais.

Na entrevista, afastou a possibilidade de políticas de austeridade para fazer face à crise gerada com a pandemia da covid-19 e criticou algumas das posições dos sociais-democratas, chegando a afirmar: “O que o Centeno do PSD (Joaquim Sarmento) diz e o que o dr. Rio diz são coisas diferentes.”

“É evidente que vivemos uma crise. Mas austeridade é uma coisa diferente. Austeridade é aquela célebre teoria da desvalorização interna”, disse ainda o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

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