Profissionais menos qualificados serão os mais procurados até 2022

As empresas querem recrutar mais de 345 mil pessoas até 2022. As qualificações de ensino profissional continuam a ser as mais procuradas e algumas profissões podem mesmo desaparecer, revela INE.

345.584 pessoas. Este é o número de trabalhadores que as empresas portuguesas pretendem recrutar até 2022. Destes, quase metade serão profissionais com qualificação de ensino profissional, contra pouco mais de 30% a ter intenções de contratar profissionais com ensino superior.

No caso de profissionais sem curso superior, as intenções de contratação são maiores para empregados e técnicos de restaurante e bar, e técnicos de comércio. No caso do ensino superior, nos próximos dois anos, as empresas querem reforçar o recrutamento nas áreas de engenharia informática, de computadores, telecomunicações, engenharia de software e sistemas de informação e, ainda, na gestão comercial e vendas, revela o relatório do INE divulgado esta sexta-feira, sobre o Inquérito à Identificação das Necessidades de Qualificações nas Empresas, entre 13 de março e final de junho.

Este aumento representa um acréscimo bruto de 10,8% do seu pessoal ao serviço, apesar de o contexto atual poder ter condicionado as intenções de contratação, alerta o INE.

Aumento da contratação de qualificação não superior

Em 2020, cerca de 71% das qualificações em que se registam dificuldades de recrutamento não requeriam mais que cursos de ensino não superior (profissional). Pedreiro, empregado de restaurante/bar e eletricista de instalações são as qualificações em que se registam maiores dificuldades de recrutamento de trabalhadores.

As empresas revelam ainda que, até 2022 preveem aumentar o recrutamento para as qualificações de empregados de restaurante/bar, técnico de comércio e técnico de restaurante/bar. Para estas profissões, é exigido o ensino obrigatório (12.º ano) ou certificação profissional.

Cerca de 14,5% das sociedades, que representam 37,7% do total das pessoas ao serviço, assinalaram intenções de recrutamento nos próximos dois e, entre estas, cerca de 58% pretendem exclusivamente trabalhadores com qualificações ensino profissional e 20,7% procuram exclusivamente trabalhadores com formação superior. Cerca de 16,1% das empresas pretendem recrutar trabalhadores com diferentes níveis de qualificação.

Dos trabalhadores a recrutar até 2022, 49,9% deverão ter curso de ensino não superior (profissional), 32,2% curso de ensino superior e, para quase dois em cada dez (17,9%) não é apontado um nível de qualificação específico. As intenções de recrutamento correspondem a aumentos brutos de 9,1% em trabalhadores com ensino não superior.

Houve ainda um conjunto de empresas que referiram ter intenção de recrutar trabalhadores com curso de ensino não superior (profissional) não específico (cerca de 7,7% do total de trabalhadores a recrutar), ou seja, não consideram relevante o curso desde que este se enquadre neste nível de qualificação.

Engenheiros civis e do ambiente, procuram-se

Até 2022, as qualificações de ensino superior não serão as mais procuradas. Contudo, as intenções de recrutamento correspondem a aumentos brutos de 17,8% de trabalhadores com curso de ensino superior.

Do total de trabalhadores a recrutar nos próximos dois anos, 32,2% serão para profissões que exigem um curso de ensino superior. As intenções de contratação são para engenheiros informáticos, de computadores, telecomunicações e sistemas de informação; engenharia de software e sistemas de informação; gestão comercial e vendas.

Por outro lado, é nas áreas de engenharia civil e do ambiente, administração e gestão de empresas e turismo, que as empresas têm mais dificuldade em recrutar.

Por setor, são as empresas classificadas nos setores “Outras atividades de serviços” e “Atividades de informação e comunicação” as que mais preveem contratar trabalhadores com formação superior nos próximos dois anos. Neste último setor, as intenções de recrutamento correspondem a um aumento de cerca de 50% face ao número de trabalhadores atuais com este nível de ensino. Há ainda um conjunto de empresas que prevê recrutar trabalhadores com habilitação superior, independentemente do curso (6,1%).

Recrutamento aumenta nas grandes empresas, em Lisboa e Norte

São as grandes empresas as que mais vão contratar nos próximos dois anos — cerca de 46% do total de trabalhadores das intenções de recrutamento –, principalmente nos setores designados de outras atividades de serviços, comércio e reparação de veículos e alojamento e restauração.

Cerca de 39,5% dos trabalhadores a recrutar serão para a região da Área Metropolitana de Lisboa e 32,0% para a região Norte. Em termos de qualificação, serão contratados predominantemente trabalhadores com cursos de ensino não superior (profissional), independentemente da localização desses postos de trabalho. Por exemplo, cerca de 82% dos trabalhadores que serão recrutados para a região do Alentejo não terão curso superior.

No Alentejo, há mais trabalhadores sem curso superior quando analisada a percentagem total de empregados na região. O mesmo acontece nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, e no Algarve, onde a proporção é superior a 60%. Se analisarmos o setor, é na agricultura e nas pescas que há mais dificuldades e, por região, é o Alentejo que tem sofrido maior impacto. Por outro lado, o cenário é positivo para as microempresas do setor das atividades financeiras, com sede na Área Metropolitana de Lisboa.

Falta de formação é o maior entrave ao recrutamento

A expansão da atividade (60,4%) e a substituição de mão-de-obra (24,9%), são as principais razões apontadas pelas empresas para reforçarem a força de trabalho nos próximos dois anos, nas microempresas e nas grandes empresas, respetivamente. Há ainda empresas que referem a diversificação da atividade como uma das razões para recrutarem no futuro.

Apesar de a previsão apontar para um aumento do recrutamento nas grandes empresas, são também as de maior dimensão a apontar dificuldades em recrutar trabalhadores (42,4%), principalmente devido à escassez de profissionais com a formação adequada. Estas empresas destacam ainda a dificuldade em encontrar profissionais disponíveis ou com a experiência profissional necessária.

É o setor financeiro que prevê uma maior expansão da atividade e, por outro lado, é o setor das energias e das águas que prevê reforçar a substituição de mão-de-obra. Por outro lado, os setores das atividades de informação e comunicação, e da agricultura e pescas são os que mais vão apostar no recrutamento devido à diversificação da própria atividade.

Até 2022, há profissões que podem vir a desaparecer. As empresas preveem reduzir o número de trabalhadores de serviços pessoais, de proteção e segurança e vendedores, bem como o pessoal administrativo e os trabalhadores não qualificados. Por outro lado, os agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura, da pesca e da floresta, bem como os representantes do poder legislativo e de órgãos executivos, dirigentes, diretores e gestores executivos são aqueles que menos empresas preveem reduzir a curto prazo.

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