São ambiciosos e estão a um passo do mercado de trabalho. Conheça os finalistas em ano de pandemia

Recém-licenciados e recém-mestres, os finalistas de 2020 começam a preparar a viagem de entrada no mercado de trabalho. São ambiciosos, sabem o que querem e procuram muito mais do que um emprego.

Rodrigo Soares tem 22 anos e terminou este ano a licenciatura em Turismo pela Universidade do Algarve. Planeava aproveitar o verão do último ano do curso para fazer um estágio e entrar no mercado de trabalho e, com esse objetivo em vista, tinha até completado mais disciplinas durante o intercâmbio de Erasmus na cidade de Porvoo, na Finlândia, no final do ano passado.

Em março, o confinamento trocou-lhe o sonho antigo de ir à feira de turismo, em Berlim, pela paixão adormecida pela comunicação. Durante o confinamento, regressou à Aldeia da Ribeira, em Santarém, e, a partir dali, criou um formato online para uma rubrica de encontros semanais, com convidados locais e nacionais, através do Facebook. Percorreu as aldeias e começou a recolher histórias e memórias da população de Alcanede, em parceria com o jornal e a paróquia da freguesia, e com transmissão quinzenal no Facebook e no Youtube da paróquia. Sem esconder o gosto pela comunicação, Rodrigo conta à Pessoas que o próximo passo é a candidatura a uma vaga de turismo na Câmara Municipal de Tavira.

Rodrigo Soares

Capacidade de adaptação, versatilidade, resiliência, curiosidade, esperança e ambição, que se fundem com algum receio, angústia e incerteza, são os traços gerais dos finalistas de 2020, um pouco por todo o país. A dias de entrarem no mercado de trabalho, querem mais do que um emprego e procuram sentir-se úteis e, acima de tudo, integrar uma organização que entenda e respeite as convicções e valores que os movem.

Com a pandemia que atingiu o país e o mundo no início de março, o mercado de trabalho passou de uma situação de pleno emprego para uma fase em que as oportunidades começam a escassear. Em março, os serviços de emprego registaram 28 mil novos desempregados, em abril mais 48 mil e, em maio, 16 mil. Agora, os primeiros passos para quem quer entrar no mercado de trabalho são dados num terreno mais instável do que tinham previsto.

Se, em dezembro do ano passado, o desemprego atingia mínimos históricos na Europa, com os valores mais baixos desde 2008, e Portugal, registava em dezembro uma taxa de desemprego de 6,9%, abaixo da média da Zona Euro, mas ainda acima da média da UE, a situação de pleno emprego que se vivia antes da pandemia, mudou. Perante o futuro, os jovens que se preparam agora para entrar no mercado de trabalho sentem incerteza, insegurança, conjugados com esperança, capacidade de adaptação, resiliência e ambição. Conheça a Classe de 2020.

 

Luís Lobo Almeida, 24 anos, finalista do mestrado em marketing na Universidade do Porto

Licenciado em gestão, os sonhos de Luís Lobo Almeida têm tudo a ver com um propósito. Ainda durante a licenciatura, partiu para uma aventura de dois meses de voluntariado internacional na ilha da Boavista em Cabo Verde, uma experiência que o inspirou para fundar a Associação de Voluntariado Arriscar, na sua terra natal, em Vouzela, no distrito de Viseu, em 2018. Além disso, a experiência em África inspirou-o a escrever um livro que viria a lançar em julho de 2019, o mesmo ano em que parte pela segunda vez para voluntariado internacional, desta vez na Guiné-Bissau.

Durante o último ano da tese, começou a coordenar voluntários no projeto “Agora Nós”, do Instituto Português do Desporto e Juventude, que acabou por lhe dar a oportunidade de integrar um estágio profissional do IEFP na associação Pista Mágica, onde está atualmente a estagiar ainda antes de terminar o mestrado.

No futuro, quer certificar-se em marketing digital, mas preocupa-o um cenário 100% remoto, pela falta de proximidade e contacto mais próximo entre as pessoas. “[O trabalho remoto] já era um desejo meu, no entanto nunca quis que fosse uma coisa a tempo inteiro. Acredito que não pode ser uma alternativa, mas sim um complemento. Podemos continuar a usar o teletrabalho, mas acho que o trabalho cara a cara e o estar com os colegas acaba por ser dignificante e recompensador”, conta à Pessoas.

Um emprego de futuro, assegura, terá de ser ligado à sua paixão pela vertente social, numa organização onde consiga sentir-se realizado. “Não vou à busca de um melhor emprego, que seja o mais rentável possível, mas aquele que me enriqueça mais com outros valores e outra competências que valoriza também”, conclui.

Carolina Natal, 26 anos, finalista do mestrado em engenharia de micro e nanotecnologias na FCT Nova

“O home office é algo que me inspira para eu poder, por exemplo, viver numa quinta no campo e trabalhar durante o dia. Penso bastante em comunidades sustentáveis, e acho que o home office vai-nos permitir abrir portas nessa direção”, é uma das frases que fica da conversa com Carolina Natal, engenheira de micro e nanotecnologias pela FCT Nova.

Com um curso muito específico e com um pouca oferta de emprego, Carolina queria o ambiente empresarial e integrou a Siemens como trainee em novembro do ano passado, antes de terminar o mestrado. Na Siemens, assegura, encontrou o ambiente empresarial que procurava e atualmente está a experienciar pela primeira vez o teletrabalho, devido à pandemia.

“Temos sempre de, ativamente, nos conectar, escrever, perguntar e ligar. Não há tanta facilidade para tirar dúvidas”, sublinha. Apesar de considerar que não é a mesma coisa que estar no escritório, valoriza a flexibilidade e a preocupação que sente por parte da empresa, que durante o confinamento tem promovido o contacto e a comunicação entre todos os trabalhadores, assegura a jovem.

Para Carolina, o trabalho remoto é mais do que home office: é uma oportunidade para considerar outra forma de vida.

Filipa Oliveira, 23 anos, mestrado em marketing na Faculdade de Economia do Porto

Dusseldorf, na Alemanha. Foi lá que Filipa Oliveira decidiu fazer um estágio internacional de sete meses, na sede da Henkel, com a perspetiva de abrir mais portas para um futuro profissional. Na Alemanha, desenvolveu projetos relacionados com sustentabilidade e economia circular.

Chegou a Portugal em março, altura em que o país começava a ser atingido pela pandemia, e os resultados da sua experiência internacional não foram exatamente os que esperava. “Estou extremamente assustada. Ainda não recebi nenhum sim. Passei duas fases, mas nem foi entrevista, foi em inquérito online”, revela à Pessoas.

Mas a rejeição não a faz baixar os braços. Por outro lado, abre portas para novas oportunidades. Filipa envia currículos diariamente, para dentro e fora do país e confessa que a falta de resposta tem aumentado a vontade de experimentar uma carreira além-fronteiras.

“Os meus objetivos a curto prazo não se alteraram. Agora que está difícil, dou por mim a querer conhecer ainda melhor as empresas, a pesquisar mais as indústrias, para ver o que me está a falhar. A fazer muitas introspeções”, sublinha. Quando encontrar trabalho, garante que o mais importante será encontrar quem entenda aquilo que a move: “Acima de tudo procuro muito identificar-me com a empresa, com aquilo que a empresa está a fazer“, conclui.

Catarina Ladeira, 23 anos, finalista do mestrado em engenharia e gestão industrial na FCT Nova

O estágio integrante da dissertação do mestrado teve de ser suspenso e alterou o rumo daquela que seria uma última fase do percurso académico. Também a entrega da tese teve de ser adiada para novembro, por isso a procura de trabalho só vai começar em 2021, conta à Pessoas. Contudo, não será a primeira experiência profissional. No terceiro ano do curso, Catarina fez um estágio curricular na Siemens AG, na área da gestão da manutenção, com uma equipa que estava alocada na sede da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa.

A pandemia veio alterar os objetivos do último ano do curso, mas Catarina está otimista. Formada numa área ligada às tecnologias, sabe que há mais procura e mais facilidade para se adaptar a um futuro do trabalho digital. “Tenho visto bastantes oportunidades nas redes sociais e no LinkedIn. Não nos fechou as portas, mas não podemos é, se calhar, optar por aquela área para a qual gostaríamos de ir e temos de aceitar mais as oportunidades que existem”, conta.

Apesar disso, tal como a maior parte da turma 2020, não esconde algumas preocupações, como o facto de “não ter aquela relação física e não sentir proximidade com as pessoas“, sublinha. “Gosto muito de estar em casa e talvez até tenha maior conforto para trabalhar. Estou mais concentrada, mais motivada. Na nossa geração, estamos abertos a novas oportunidades“, acrescenta.

Beatriz Tacão, 22 anos, finalista da licenciatura em direito na Faculdade de Direito de Lisboa

Numa simulação, no contexto do concurso organizado pelo European Law Students Association (ELSA), Beatriz foi “advogada de defesa” de uma cliente em processo de divórcio, que queria manter os bens em comum com o seu cônjuge. O sucesso da competição, em conjunto com a colega, valeu-lhe um estágio de verão na sociedade de advogados Morais Leitão, que vai decorrer presencialmente.

Apesar de o emprego não ser para já, Beatriz já experienciou recrutamentos à distância, para o mestrado e para o estágio de verão, e há algo que a preocupa: “Tenho muito receio de não conseguir expressar-me como deve ser ou de ficar mais nervosa por ser online. É tudo muito pausado e muito estético. Há aquela linha muito ténue entre o interromper uma pessoa, e estar tudo bem, e o interromper uma pessoa e roçar a má educação“, sublinha.

No direito, é a vertente da arbitragem que a apaixona e, por isso, fez uma pós-graduação na área ainda durante a licenciatura. Sente que “ainda é muito nova”, por isso o próximo passo será o mestrado em direito penal, na Universidade Católica. “Quero fazer mestrado, porque me quero focar na minha aprendizagem primeiro. Quero proceder aos estágios de verão, e ganhar bagagem para conseguir chegar ao estágio da Ordem [dos advogados] e estar mais à vontade com aquilo que estou a fazer“, conta.

“Sinceramente tenho um bocadinho de medo do futuro, porque não sei mesmo como é que vai acontecer. Para o ano, vou-me candidatar para o estágio profissional, mas será que as sociedades vão querer mais estagiários, podendo não ter essas condições? Será que as sociedades estão dispostas a contratar mais, sendo que vão continuar em teletrabalho?“, remata.

Pedro Rodrigues, 23 anos, finalista do mestrado em engenharia informática na FCT Nova

Na OutSystems, o regresso ao escritório aconteceu a 1 de junho, com a possibilidade aberta a todos os trabalhadores de continuarem a trabalhar a partir de casa. Foi também a escolha de Pedro Rodrigues, que integrou a empresa em novembro do ano passado, para a partir dali desenvolver o projeto final de tese de mestrado em engenharia informática.

“O facto de eu poder fazer a tese num ambiente empresarial, numa empresa como a OutSystems, existe a possibilidade de a tese se tornar em algo mais e poder mesmo vir a ser algo importante para a empresa“, conta. Pedro está a desenvolver um projeto sobre modelação de interfaces de usuário (design de sites e aplicações) sem ter de programar em contexto de low-code, a especialização da OutSystems e, quem sabe, surja uma oportunidade de trabalho.

O objetivo é procurar trabalho só depois de defender a tese mas não está preocupado: formou-se num setor com elevada procura e facilidade de trabalhar à distância. Mesmo numa área tecnológica, Pedro não descarta o fator presencial, que considera fundamental para ter acompanhamento e esclarecer dúvidas, em caso de necessidade. E uma área “privilegiada no que toca ao trabalho remoto” e “em relação às entrevistas”. “Sempre que tiver escolha, preferia fazer presencial. Não sei explicar bem, acho que é mais natural”, descreve.

Alexandre Sousa, 22 anos, finalista da licenciatura em design e multimédia na Universidade de Coimbra

A área de design e multimédia permitiu-lhe explorar os trabalhos de freelancer durante a licenciatura e ter contacto com o mercado de trabalho. Durante o confinamento surgiram novas oportunidades e, em conjunto com um colega, criou uma plataforma para ajudar pequenas empresas a transitarem para o online, a criarem uma marca ou um site.

Alexandre decidiu não fazer um estágio de verão, porque não queria estar mais tempo em casa, conta.“Este momento de termos estudado de casa acabou por ser um bocado desgastante. É esse o medo de trabalhar à distância. Não há o dia-a-dia com os colegas de trabalho numa empresa, não há o pedir a opinião de uma pessoa, saber se algo está bem, se está mal.”

Quando olha para o futuro, não está preocupado com as possibilidades de emprego, porque acredita que no futuro a sua especialização será cada vez mais requisitada pelas empresas. Por outro lado, receia o cenário do teletrabalho, principalmente pela falta do contacto presencial.

“Para mim, o que é incrível em poder trabalhar numa empresa, é poder conhecer pessoas de outra idade, que estão a trabalhar na mesma área e sabem muito mais do que eu. A vivência que há entre colegas da mesma empresa, e o poder conhecer esse mundo, é o que me faz querer trabalhar numa empresa”, confessa. Daqui para a frente, o objetivo é prosseguir para o mestrado na mesma área e continuar a explorar a sua formação em trabalhos como freelancer.

Catarina Morcela, 23 anos, finalista do mestrado em marketing no ISCTE

À data da entrevista, a Catarina tinha entregado o último capítulo da tese de mestrado em marketing, no ISCTE mas a defesa já vai decorrer remotamente. A finalista não pensa num emprego para a vida, mas ambiciona estabilidade. “Se calhar, agora com a Covid, não vamos passar tão facilmente a efetivos. Vamos trabalhar mais com contratos o que, para nós, é pior porque é mais complicado ganharmos alguma independência financeira“, sublinha.

Os planos passam por começar a procurar emprego depois de ter terminado o mestrado, mas já há algumas preocupações sobre o futuro, como é o caso da integração remota numa empresa. Por outro lado, Catarina vê nas entrevistas remotas uma ajuda: “Sou muito envergonhada, presencialmente seria pior para mim. Se calhar uma primeira entrevista é bastante intimidante, nesse aspeto estaria mais confortável”, confessa.

“Até agora tenho visto bastantes vagas. O que acontece é a maioria das empresas pedir experiência que uma pessoa acabada de sair da faculdade não tem“, alerta. Sobre o emprego em marketing, Catarina está otimista, pois considera que é uma área que “precisa sempre de ideias novas”.

Beatriz de Matos, 22 anos, finalista da licenciatura em enfermagem na Escola Superior de Saúde de Santarém

1.800 horas. É o tempo mínimo obrigatório de estágio para poder integrar a Ordem dos Enfermeiros. Na Escola Superior de Saúde de Santarém, este tempo divide-se em nove estágios ao longo do curso (cada um com cerca de dois meses), sendo que o último é o mais importante: “É aquele a que qualquer estudante de enfermagem deseja chegar, porque é o culminar de quatro anos. Para além de ser o momento que nos permite ganhar mais segurança, estabelece-nos a ponte para a entrada no mercado de trabalho“, assegura à Pessoas Beatriz de Matos.

Ao longo do curso, Beatriz conseguiu cumprir o número de horas obrigatórias, mas a pandemia impediu que fizesse o último estágio do curso. “Sinto uma certa angústia, sinto medo. Assusta-me um bocadinho não me sentir preparada. E a importância deste último estágio era mesmo essa, a preparação que levávamos e a segurança que sentíamos, porque é uma grande responsabilidade ser um profissional de saúde. O mínimo ato pode pôr em risco a pessoa e até mesmo nós próprios“, revela.

"As empresas estavam atrás deles, e agora se calhar são eles que têm de andar atrás das empresas.”

Ilda Pedro

Responsável pelo gabinete de apoio ao aluno da Universidade do Algarve

Apesar das reviravoltas, Beatriz acredita que a crise tenha trazido mudanças para o setor, que até à data sempre sofreu com a grande escassez de oferta de emprego. Durante o curso, estagiou no Hospital Santa Cruz, em Carnaxide, no Hospital de Vila Franca de Xira, no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, no Hospital Nossa Senhora da Graça, em Tomar, no centro de saúde de Alenquer, Benavente, Pontével, Rio Maior, e ainda por vários hospitais em Salvador, no Brasil. Para procurar trabalho, o plano é regressar aos sítios por onde já passou, na esperança de reencontrar uma oportunidade.

A proximidade física (ainda) importa

Nas áreas de estudo mais diversas, os finalistas “tratam por tu” a tecnologia, veem nela uma oportunidade de serem mais autónomos, de reduzirem a pegada ambiental e até de terem uma vida mais sustentável, mas não concebem um mundo totalmente digital.

A classe de 2020 nasceu e cresceu com a tecnologia, mas o trabalho à distância está longe do que idealizavam nesta fase das suas vidas e a forma como valorizam a proximidade física parece não ser muito diferente da das gerações anteriores.

A integração na empresa é um momento crucial e há um ponto em comum que une estes jovens: a vontade de integrar uma equipa, de estar fisicamente próximo dos colegas e de ter o devido acompanhamento, principalmente numa fase inicial de integração. Além disso, os finalistas demonstram preocupações com a fase de recrutamento e receiam que a distância de um ecrã possa impedi-los de se expressarem da melhor forma, reduzindo assim as possibilidades de conseguirem um primeiro emprego.

Ajudar os finalistas a entrar no mercado de trabalho

Os gabinetes de apoio ao aluno e as associações académicas das universidades são, na maior parte dos casos, quem segue de mais perto o percursos dos estudantes e, na reta final, promove o contacto entre os estudantes e as empresas. Para garantir a continuidade destes processos, um pouco por todo o país, as iniciativas de recrutamento adaptaram-se ao digital.

A Associação Académica de Aveiro (AAUAv) criou o ‘’U5.0 Talks’’, em substituição da feira de emprego anual, com um ciclo de formações para ajudar os finalistas a preparar a entrada no mercado de trabalho. Wilson Carmo, vice-presidente de política educativa, empreendedorismo e internacionalização da AAUAv, sente a preocupação dos estudantes, mas alerta que “a motivação, capacidade de trabalho e resiliência serão fundamentais nos finalistas de 2020”.

Traços da Geração Z
A “classe de 2020” pertence à Geração Z, dos jovens nascidos entre 1995 e 2012. De acordo com um estudo da consultora Michael Page, esta geração é altamente qualificada, procura mais desafios profissionais e empresas que tenham políticas de inovação, impacto social e humano. O estudo mostra que estes jovens são críticos, curiosos, procuram flexibilidade e, apesar de não ponderarem ficar muitos anos na mesma empresa, valorizam a estabilidade profissional, numa organização que lhes permita ter um impacto positivo na sociedade e no mundo.

No Instituto Superior Técnico, a feira de emprego foi adiada para outubro e é na página de Instagram da universidade que as empresas divulgam as ofertas de emprego. “Não temos sentido uma diminuição do interesse e na procura de alunos recém-formados no IST. Aliás, muitas empresas têm criado até novas atividades, pelo que é até mais simples para o aluno ter acesso a um leque de oportunidades que poderia não conseguir aproveitar caso fosse presencial”, garante Inês Cabral, coordenadora para o emprego e empreendedorismo da AEIST.

“Perante este vazio, a solução das feiras digitais é uma solução rápida. Tem condições que uma feira física não pode dar, mas por outro lado permite outro tipo de interação, como por exemplo, chegar a mais empresas e entidades que estão mais remotas”, assegura Luís Sotto-Mayor, community director da Talent Portugal. Em menos de três meses, a empresa que organiza feiras de emprego virtuais recebeu cerca de 30 pedidos, um crescimento significativo num tão curto espaço de tempo.

Como preparar o futuro?

O mercado de trabalho está a mudar, os candidatos do futuro trazem novas ambições e exigências, por isso o que as empresas procuram também está a mudar. “As relações interpessoais vão ter um impacto cada vez menos significativo em algumas organizações e o recrutamento à distância vai precisar cada vez mais de remote skills. São competências como organização, a forma como alguém consegue estar focado, o compromisso, a ética e o rigor”, realça Ricardo Rua, manager do Pitch Bootcamp, um programa que ajuda os alunos a apresentarem-se a empresas que estão a recrutar.

Acredito que áreas que até agora têm tido uma absorção menor por parte do mercado de trabalho, comecem a ganhar uma maior visibilidade.

Marina Marques

Coordenadora do gabinete de apoio ao estudante e ao diplomado da FCT Nova

“De repente, [os finalistas] viram-se confrontados com uma situação para a qual não estavam preparados. As empresas estavam atrás deles, e agora se calhar são eles que têm de andar atrás das empresas. Têm de se preparar, não podem ser superficiais, têm de ser eles próprios. Isto é fundamental quando se procura um emprego”, acrescenta Ilda Pedro, responsável pelo gabinete de apoio ao aluno da Universidade do Algarve.

“Perante este cenário, a empregabilidade dos cursos de engenharia e de ciência, nas suas diversas áreas, ganha um fôlego acrescido. E acredito que áreas que até agora têm tido uma absorção menor por parte do mercado de trabalho, comecem a ganhar uma maior visibilidade”, acrescenta Marina Marques, coordenadora do gabinete de apoio ao estudante e ao diplomado da FCT Nova.

Para isso, defende, as empresas precisam de estar mais próximas das universidades. “O grande desafio é tentarmos encontrar um modelo equilibrado de conseguir lá chegar, sem cair em tentações de abandonar o presencial do remoto”, sublinha Marina Marques.

Pitch Bootcamp
Desde 2013, o Pitch Bootcamp ajuda a acelerar carreiras e a aproximar os jovens estudantes universitários com o mundo empresarial, de norte a sul do país. Durante dois dias, os estudantes recebem formação para perceberem o seu valor de mercado, como fazer um CV ou preparar uma entrevista. Num momento final, têm a oportunidade de apresentar-se às empresas num pitch final de 10 minutos. Em cada edição, reúne mais de 100 empresas e cerca de 200 bootcampers. Em março, o Pitch Bootcamp passou a decorrer online e já tem 15 edições online programadas até ao final deste ano.

Os finalistas de 2020 têm de ser resilientes, proativos, conscientes de si próprios e do que os rodeia, uma necessidade que foi reforçada pelas contingências da pandemia. “Como é que aproveitaste o teu tempo durante este tempo de confinamento?”, é uma das perguntas que as empresas recrutadores estão a fazer hoje, garante Ricardo Rua. “Quem sou? Como está o mercado e o que procuro? Essas três premissas, adaptadas à realidade de cada estudante, são a base para um bom pitch”, conclui.

Artigo corrigido no dia 13 de julho de 2020, às 10h30.

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