Fitch diz que fim das moratórias é “elefante na sala” para bancos portugueses

Agência norte-americana também duvida que a solução das garantias públicas para as reestruturações vá ser um "game changer" na transição para o pós-moratórias.

A Fitch considera que o fim das moratórias é o “elefante na sala” para os bancos portugueses, e duvida que a solução das garantias públicas para as reestruturações dos créditos vá ser um “game changer” na transição para o período pós-moratórias.

A banca portuguesa tinha mais de 36 mil milhões de euros em crédito abrangido pela moratória pública no final de agosto, representando cerca de 18% do total dos empréstimos às famílias e empresas. Entretanto, a medida expirou no final de setembro e milhares de clientes tiveram de retomar as prestações ao banco a partir de então.

Para o analista da Fitch Rafael Quina o montante de moratórias em Portugal é “significativo”. “O stock é muito alto. Eram 36 mil milhões de moratórias no final de agosto. A moratória acabou há dias”, disse o responsável num webinar realizado esta sexta-feira sobre a banca portuguesa.

Rafael Quina adiantou que há bancos mais expostos do que outros. “Caixa Geral de Depósitos, BPI e Totta serão menos afetados do que os restantes bancos”, destacou.

Por outro lado, Banco Montepio e Novo Banco encontram-se numa posição mais vulnerável neste capítulo, na medida em que têm mais crédito em moratória em stage 2 e stage 3, isto é, com maior nível de risco, de acordo com o mesmo analista.

Segundo dados da agência de rating norte-americana, os seis principais bancos do sistema nacional tinham entre dois mil milhões e 2,5 mil milhões de euros de moratórias em stage 3, já marcados como estando em situação de incumprimento.

Solução para as moratórias não será “game changer”

Questionado sobre a solução do Governo para o fim das moratórias, nomeadamente em relação à linha de garantias de 1.000 milhões para reestruturações dos contratos de crédito, Rafael Quina disse “não estar certo se a medida será um game changer” que ajudará numa transição tranquila para o pós-moratórias.

Estas garantias irão cobrir 25% do crédito em moratória da empresa do setor vulnerável que for reestruturado, mas as condições não agradaram aos bancos nem aos empresários. Quina reconheceu que as condições de acesso são “complexas”.

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