Processo BES tem data de instrução marcada para fevereiro

O juiz Ivo Rosa já marcou a primeira sessão para abertura de instrução do processo que envolve Ricardo Salgado para 21 de fevereiro. Há mais cinco arguidos no caso.

O juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal Ivo Rosa já marcou a audiência da abertura de instrução do maior processo da justiça portuguesa, o caso BES, que envolve Ricardo Salgado, ex-líder do GES. A data apontada no despacho de abertura de instrução para a primeira sessão é dia 21 de fevereiro, caso exista sala no Campus da Justiça.

Segundo avançou o jornal Observador, Ivo Rosa acrescentou também cinco arguidos ao processo, juntando-se estes aos 25 arguidos que já existiam – 18 pessoas singulares e sete empresas. Os cinco novos arguidos são todos funcionários do banco e vão ficar em liberdade enquanto decorrer a fase de instrução. Foram alguns dos lesados do BES, que foram assistentes no processo, que pediram que estes cinco novos arguidos fossem responsabilizados criminalmente.

Maria Beatriz Pascoa, Frederico Ferreira, Luís Miguel Neves e Rui Santos vão responder em coautoria pelos crimes de abuso de confiança, burla qualificada e infidelidade e Alexandre Monteiro por burla qualificada.

Em novembro, Ivo Rosa admitiu que o prazo previsto para o encerramento da fase de instrução do processo do Universo Espírito Santo, de quatro meses, é “humanamente impossível de alcançar”. Segundo o requerimento de Ivo Rosa, as razões prendem-se com as complexidades dos autos bem como da natureza dos crimes e das questões jurídicas suscitadas.

“Na verdade, a nossa experiência como juiz, sobretudo como juiz de instrução criminal e intervenção em outros processos igualmente complexos, permite-nos afirmar que estaremos, seguramente, em presença do maior e mais complexo processo complexo perante a justiça criminal portuguesa”, lê-se no requerimento.

O processo em causa é composto por 767 volumes, entre autos principais, arrestos, incidentes de oposição e apensos bancários e 171 volumes de autos principais, processados até à data da distribuição em 687.398 folhas. Mais todos os apensos bancários, de buscas e diversos (mais de duas centenas) e equipamentos informáticos apreendidos. A acusação conta com 3.552 folhas, assinadas por sete procuradores.

A investigação ao Universo Espírito Santo resultou em 25 acusados, entre 18 pessoas e 7 empresas, acrescendo agora mais cinco arguidos, num total de 356 crimes imputados, segundo o despacho de acusação de 4.117 páginas do Ministério Público. Ricardo Salgado é o principal arguido mas há mais como os seus dois primos — tendo sido ilibado José Maria Ricciardi — e outros nomes conhecidos como Amílcar Morais Pires e Francisco Machado da Cruz.

Entre os crimes de que são acusados está o crime de associação criminosa e os crimes de corrupção ativa e passiva no setor privado, de falsificação de documentos, de infidelidade, de manipulação de mercado, de branqueamento e de burla qualificada contra direitos patrimoniais de pessoas singulares e coletivas.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República, “a investigação levada a cabo e que termina com o despacho de acusação em referência apurou um valor superior a 11 mil e oitocentos milhões de euros, em consequência dos factos indiciados, valor que integra o produto de crimes e prejuízos com eles relacionados”.

O inquérito teve origem em notícia divulgada em agosto de 2014 sobre a medida de resolução do, então, BES e visava o apuramento de um conjunto de alegadas perdas sofridas por clientes das unidades bancárias Espírito Santo. “Com base neste conjunto de conhecimentos, o inquérito teve por objeto a investigação de dados patrimoniais de um conjunto de empresas do Grupo em questão, incluindo unidades com licenças públicas para o exercício de atividade bancária e de intermediação financeira”, explica a PGR.

Segundo o Ministério Público, os factos que envolvem o processo do aumento de capital do BES, em junho de 2014, são investigados em processo distinto.

O ex-líder do BES, Ricardo Salgado, terá criado uma estrutura fraudulenta dentro do banco, sustentada no Departamento Financeiro e de Mercados, tutelado pelo diretor financeiro, à data, Amílcar Morais Pires. Uma estrutura alegadamente montada sem conhecimento da maioria da equipa de gestão do BES, nem do Banco de Portugal (BdP).

Amílcar Morais Pires, braço direito de Ricardo Salgado, e a diretora financeira do BES, Isabel Almeida e José Manuel Espírito Santo, primo de Salgado e antigo administrador, foram também acusados. Além de crimes de falsificação, respondem por associação criminosa, burlas qualificadas, abuso de confiança e branqueamento de capitais.

No centro da acusação estão também responsáveis da Eurofin, entidade com sede na Suíça, que era útil ao Grupo Espírito Santo, num alegado esquema de lavagem de dinheiro.

O centro da investigação concentrou-se nas condições que determinaram a resolução do Banco Espírito Santo, assim como da insolvência da Espírito Santo Internacional, da Rioforte, da Espirito Santo Control, da ESFIL e da Espírito Santo Financial Group, no Luxemburgo, bem como da liquidação do Banque Privée Espírito Santo, na Suíça, a liquidação do ES Bank of Panama, no Panamá, e o ES Bankers Dubai, nos Emiratos Árabes Unidos.

(Notícia atualizada às 16h34)

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