Dois anos de pandemia em cinco gráficos

No dia em que se assinala dois anos desde que a pandemia chegou a Portugal, o ECO passa em "revista" a evolução da pandemia em Portugal, com os momentos mais marcantes, cinco gráficos e um vídeo.

Esta quarta-feira, assinala-se dois anos desde que foram detetados os primeiros casos de Covid em Portugal. Desde então, o país já atravessou cinco vagas, mais de duas mãos cheias de estados de emergência, dois confinamentos e prepara-se agora para o passo seguinte: levantar todas as restrições e, eventualmente, lidar com a doença como uma gripe. Ao todo, Portugal acumula já 3.273.624 casos de infeção e 21.086 óbitos por Covid-19.

A 2 de março de 2020, os alarmes soaram com a confirmação por parte das autoridades de saúde de que tinham sido identificados os dois primeiros casos de infeção em território português. Tratava-se de um médico de 60 anos que esteve de férias no norte de Itália e um outro homem que esteve em Valência, Espanha. Ambos vindos de países onde a doença já tinha ganho alguma força e numa altura em que a doença já se tinha alastrado por mais de 40 países.

Quinze dias depois, a ministra da Saúde dava conta do primeiro óbito por Covid-19 registado em Portugal. A vítima mortal era um homem de 80 anos que estava internado há vários dias e que tinha “várias comorbilidades associadas”, ou seja, fazia parte do grupo de risco, mais vulnerável aos efeitos da doença Covid-19, explicou Marta Temido, em conferência de imprensa a 16 de março de 2020. O óbito, no entanto, só viria a ser reportado no boletim do dia seguinte.

Um dia depois, a 18 de março, pelas 20h00 o Presidente da República falava ao país a anunciar que Portugal iria entrar em estado de emergência. O anúncio foi feito depois do parecer favorável da Assembleia da República, sem nenhum voto contra, ao contrário do que aconteceu nas sucessivas renovações. A partir dessa altura, foram decretados vários estados de exceção em Portugal, ainda que nem todos tenham sido sucessivos.

Mas, afinal, dos casos de infeção aos óbitos, passando pelos internamentos e pelos casos ativos, quais foram os momentos mais marcantes destes últimos dois anos?

Os diferentes impactos de cada uma das vagas

Nestes dois anos de pandemia, Portugal enfrentou cinco vagas pandémicas, sendo que a intensidade, o impacto e a maneira de lidar com cada cada uma delas foi variável. A primeira começou em março de 2020, sendo que a semana mais “crítica” foi entre 30 de março e 5 de abril, com 5.316 casos acumulados. Neste período, a evolução dos casos oscilou e chegou a atingir 1.035 infeções diárias. Estes números ficaram bem aquém dos registados nas vagas seguintes, contudo, o facto de a doença ser ainda desconhecida, bem como as suas consequências, colocou o país em alerta.

Entretanto, os números começaram a desacelerar e, por isso, no final de abril o Governo apresentou o plano do desconfinamento. Assim, em maio desse as medidas foram sendo progressivamente aliviadas, na generalidade das regiões do país, começando pela reabertura do comércio local e culminando, a 1 de junho de 2020, com a reabertura das grandes superfícies comerciais.

Os meses foram passando e com a chegada do verão os números, tanto ao nível de novos casos de infeção como de mortos, tendiam a estabilizar. No entanto, a situação voltou a agravar-se a partir de setembro de 2020, o que levou o Governo a apertar progressivamente nas medidas, decretando, por exemplo, o estado de calamidade em meados de outubro, e depois já em novembro, o Presidente da República interveio e propôs um novo estado de emergência “muito limitado e largamente preventivo”.

E foi precisamente em novembro de 2020, no pico da segunda vaga, que os casos voltaram a disparar tendo sido registadas 153.615 novas infeções e 1.987 óbitos nesse mês. Contudo, e apesar de a taxa de mortalidade também ter sido elevada, o mês seguinte viria ainda a ser mais mortífero, tendo sido registados 2.327 óbitos, em dezembro. Mas, nesse mês nem tudo foi mau, com a vacina a chegar a território nacional a 27 de dezembro de 2020, abriu-se uma nova luz de esperança.

Contudo, a pandemia continuou a não dar tréguas e janeiro de 2021 foi, de facto, um verdadeiro pesadelo no que toca ao impacto do Serviço Nacional de Saúde, com os óbitos e internamentos, nomeadamente em UCI, a atingirem valores recorde. Foi aliás, nesse mês, que se deu a terceira vaga da pandemia, com Portugal a atingir mais de 300 mil casos e mais de 5.700 óbitos, em termos acumulados. Recorde-se que a 28 de janeiro de 2021 foram declarados 303 óbitos em Portugal associados à Covid, isto é, um máximo de sempre. De salientar que cinco dias antes, a 23 de janeiro, Portugal superou a barreira dos dez mil mortos por Covid-19.

Ainda com apenas uma pequena fatia da população vacinada contra a Covid-19 esta “explosão” de casos teve fortes repercussões com os hospitais sem mãos a medir para a avalanche de internamentos. A 1 de fevereiro de 2021 estavam 6.869 internadas nos hospitais, isto é, um máximo de sempre, sendo que quatro dias depois (a 5 de fevereiro) foi atingido o recorde de internamentos em UCI, com 904 pessoas nessas unidades. Esta elevada pressão, levou inclusive, o Ministério da Saúde a aceitar a ajuda de países europeus que disponibilizaram equipas para ajudar no tratamento de doentes infetados pela Covid-19 nos hospitais portugueses.

Os meses foram passando, e a chegada de novas vacinas, aliada ao aceleramento do processo vacinal e o bom tempo, fez com que os casos tendessem a diminuir. No entanto, em julho, o surgimento da variante Delta levou a uma quarta vaga da pandemia e veio trocar as voltas à fasquia prevista pela comunidade científica para atingir a imunidade de grupo. Para fazer face a esta variante, o Governo apostou fortemente na vacinação em “velocidade cruzeiro”. E, por isso, nem tudo foi mau. A 9 de outubro de 2021, Portugal atingiu a marca dos 85% da população com a vacinação completa, tornando-se no primeiro país do mundo a consegui-lo.

Não obstante, em meados de novembro 2021, com a chegada do Inverno, os casos de infeção por SARS-CoV-2 começaram a disparar e os especialistas desdobravam-se em apelos para acelerar o reforço da terceira dose para os mais velhos. Além disso, foi identificada uma nova variante: a Ómicron, que se veio a descobrir que era bem mais transmissível que a Delta, ainda que tenha menor severidade.

Esta variante “super transmissível” levou a uma quinta vaga da pandemia, com os casos de infeção a baterem recordes nunca vistos em Portugal. Só em janeiro, foram registados mais de 1,27 milhão de infeções por Covid-19 em território nacional, o que representa cerca de 40% dos casos reportados desde o início da pandemia. A 27 de janeiro são identificados 65.706 casos em Portugal, um máximo de sempre.

Contudo, os impactos ao nível da mortalidade e pressão do SNS foram bastante diferentes. Em janeiro de 2022 foram declarados 992 óbitos associados à Covid, isto é, um número 5,8 vezes inferior ao registado na terceira vaga da pandemia.

Depois deste “pico”, a atividade pandémica em Portugal tem vido a diminuir, pelo que a 17 de fevereiro o Governo decidiu aliviar as medidas de combate à pandemia, mantendo, no entanto, a obrigatoriedade de uso de máscaras na generalidade dos espaços públicos fechados e a apresentação de teste para as visitas a lares e estabelecimentos de saúde. Não obstante, o Executivo sinalizou que espera passar ao “nível 0“, isto é, ao regresso total à normalidade, dentro de cerca de “cinco semanas”, pelo que se espera que a partir dessa altura Portugal se comece a preparar a lidar com a Covid como uma gripe. A DGS já veio antecipar que Portugal possa atingir as 20 por mortes por Covid-19 por milhão de habitantes a 14 dias a 3 de abril, fasquia delineada pelo Executivo para levantar todas as restrições.

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