Renováveis abastecem 71% do consumo de eletricidade em 2024

  • ECO
  • 1 Janeiro 2025

A REN destaca os crescimentos homólogos de 24% na produção hidroelétrica e de 37% nas fotovoltaicas no ano passado.

Com um recorde de produção de 36,7 TWh, o valor mais elevado de sempre no sistema elétrico nacional, as renováveis abastecerem 71% do consumo de eletricidade nacional no ano passado, o segundo ano de maior consumo de sempre, segundo dados da REN.

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Ao nível de consumo de energia do sistema elétrico nacional, o ano passado foi o segundo ano com o maior consumo de sempre, apenas superado, em cerca de 2%, pelo máximo histórico atingido em 2010. “No ano passado, o consumo de energia elétrica abastecido a partir da rede pública totalizou 51,4 TWh, com um crescimento de 1,3% face ao ano anterior (2,0% considerando a correção dos efeitos temperatura e número de dias úteis)”, adianta a REN, em comunicado enviado às redações.

Um consumo que, em larga maioria, foi assegurado pela produção das energias renováveis, resultante do “crescimento das instalações renováveis e pelas condições globalmente favoráveis verificadas”, aponta o regulador.

“Apesar de um final de ano com menor produção hídrica, o índice de produtibilidade hidroelétrica situou-se em 1,16 (média histórica de 1)”, refere a REN. Nas eólicas, registou um índice anual de 1,06 (média histórica de 1), na solar um índice de 0,94 (média histórica de 1).

“As centrais hídricas e as eólicas tiveram pesos semelhantes no abastecimento do sistema nacional, com 28% e 27%, respetivamente, enquanto a fotovoltaica ficou próxima dos 10% e a biomassa dos 6%”, detalha a REN. O regulador destaca os crescimentos homólogos de 24% na produção hidroelétrica e de 37% nas fotovoltaicas, “que tiveram a maior cota de sempre no consumo nacional, devido à forte expansão desta tecnologia no sistema elétrico nacional”, realça.

Já a produção não renovável, “praticamente toda a gás natural”, totalizou 5,1 TWh, “o valor mais baixo desde 1979 (na altura com a produção não renovável essencialmente a fuelóleo), representando este ano apenas 10% do consumo”, refere a REN.

“A produção a gás natural baixou a sua penetração, quer devido à crescente disponibilidade de energia renovável, mas também ao saldo importador, que em 2024 totalizou 10,5 TWh, o mais elevado de sempre no sistema elétrico nacional, e que permitiu abastecer 20% do consumo nacional”, aponta ainda.

Em dezembro, o consumo caiu 1,4% face a dezembro de 2023, “embora com correção dos efeitos de temperatura e dias úteis se registe um ligeiro crescimento de 0,2%”, diz a REN.

No mercado de gás natural, no passado o consumo totalizou 40,5 TWh, uma queda homóloga de 17%, o consumo anual mais baixo deste 2003.

“Se o segmento de produção de energia elétrica manteve a tendência de redução dos últimos anos, com uma forte contração de 56%, no segmento convencional, que abrange os restantes consumidores, registou-se um crescimento homólogo de 2%, o primeiro registo positivo após quatro anos consecutivos de queda no consumo”, refere ainda o regulador.

O aprovisionamento do sistema nacional em 2024 foi feito quase integralmente a partir do terminal de GNL de Sines — com origem fundamentalmente na Nigéria e nos Estados Unidos, que representaram, respetivamente, 53% e 41% do aprovisionamento nacional — enquanto através da interligação com Espanha as entradas foram residuais.

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