Digi terá captado mais de 50 mil clientes móveis em Portugal

Até ao fim do ano, a nova operadora terá conseguido captar mais de 50 mil clientes móveis. Mas fechou o ano com menos de cinco mil clientes com pacotes.

Os romenos da Digi estão ainda longe de conseguir replicar em Portugal o sucesso que têm tido em Espanha. Depois de se ter estreado no mercado português no início de novembro, a operadora terá fechado 2024 a captar menos de cinco mil clientes com as suas ofertas em pacote, segundo números da Anacom. Mas novos dados divulgados pela empresa esta sexta-feira permitem estimar que também terá angariado mais de 50 mil clientes móveis até ao fim do ano, período em que, no entanto, disponibilizou este serviço gratuitamente.

O forte investimento que a Digi tem canalizado para o país está a traduzir-se, para já, em poucos clientes, apesar de ter levado as empresas concorrentes a melhorarem os preços de algumas das suas ofertas. Não existem dados centralizados sobre a Digi, mas os resultados anuais do grupo mostram que a operadora registava no final do ano passado 321 mil clientes móveis (“unidades geradoras de receita”, no jargão do setor), incluindo os da Nowo, que tinha 270 mil quando foi comprada pela Digi em agosto, revelou a própria Digi na altura.

Mas vamos por partes. O último relatório da Anacom sobre o mercado das ofertas em pacote coloca a Digi com uma quota de apenas 0,1% no final do quarto trimestre, como noticiou esta sexta-feira o Jornal de Negócios. Tendo em conta que existem mais de 4,7 milhões de subscritores de pacotes em Portugal, de acordo com o mesmo relatório, a quota da Digi corresponderá a uma base de clientes com pacotes inferior a 4.750, isto sem contar com os clientes que o grupo romeno serve através da marca Nowo, que a Digi adquiriu no ano passado por 150 milhões de euros.

Aprofundando a análise, a Anacom atribui quotas de 0% à Digi nos pacotes com três, quatro e cinco serviços. Pelo contrário, a Digi destaca-se nos pacotes com dois serviços, com uma quota de 0,8%, que corresponderá a cerca de 3.242 clientes dos 405.303 que existiam em Portugal no final do ano passado.

Só que estes dados, por si só, não serão reveladores da total dimensão da pegada da Digi em Portugal. E por vários motivos. Por um lado, dizem respeito a um período de lançamento da marca no país, que começou a vender serviços, efetivamente, no dia 5 de novembro. Desde então, a operadora tem expandido a sua presença física ao instalar cada vez mais stands em locais de grande afluência de pessoas, como centros comerciais.

Por outro lado, os números do regulador abrangem só as ofertas em pacote, enquanto a Digi permite aos clientes escolherem exatamente os serviços que pretendem subscrever. Assim, um cliente que só subscreva um serviço não é contabilizado nas estatísticas da Anacom sobre os pacotes de serviços.

É aqui que entram os resultados anuais do grupo Digi, publicados esta sexta-feira, que permitem antever que a base de clientes da Digi em Portugal será maior do que os menos de cinco mil clientes que subscreveram ofertas em pacote.

A principal pista está no segmento móvel. Como referido, no relatório anual da Digi, a empresa indica ter 321 mil clientes de serviço móvel, incluindo os clientes da Nowo. Ora, quando comprou a Nowo, em agosto do ano passado, a Digi revelou que a antiga Cabovisão tinha “aproximadamente 270 mil clientes” móveis. São cerca de 51 mil a mais.

Também é possível calcular, com base em dados da Anacom referentes a terceiro trimestre, que a Nowo teria, no final de setembro, aproximadamente 250 mil clientes móveis, com base nos acessos móveis ativos com utilização efetiva através de telemóvel. Assim, a estimativa de captação de mais de 50 mil clientes pode até ser conservadora. Importa lembrar, contudo, que a Digi ofereceu o serviço móvel aos clientes até ao final de 2024.

Os 321 mil clientes que a Digi diz ter na rede móvel, incluindo os da Nowo, estão acima dos 127 mil clientes que diz ter no serviço de banda larga, mais 121 mil clientes de televisão paga e 107 mil clientes com telefone fixo. Recentemente, a Digi começou a tentar passar os atuais e novos clientes móveis da Nowo para o seu próprio serviço móvel, conforme noticiou o ECO.

O ECO enviou perguntas à Digi sobre o número de clientes da empresa no móvel, fixo, TV e telefone. Encontra-se a aguardar resposta.

Para já, em Portugal, a receita média da Digi com cada utilizador, nos 7,6 euros, está acima da média de 5,7 euros do grupo em todos os mercados em que opera, mas abaixo dos 8,7 euros que a empresa obteve em Espanha. Mas, no mercado vizinho, a empresa fechou 2024 com quase dois milhões de clientes de banda larga, quase 5,9 milhões de clientes móveis e 626 mil clientes com telefone.

Ainda assim, a empresa está focada em crescer no mercado nacional, onde em agosto passado já tinha “mais de 600 colaboradores”. A empresa está a executar um plano de investimento de “mais de 500 milhões de euros” no país, onde se inclui o valor pago pela Nowo e os mais de 67 milhões de euros que pagou pelas licenças 5G adquiridas em 2021 à Anacom.

A conta-gotas, vai-se conhecendo mais informação sobre a Digi. No início deste mês, a Anacom publicou dados que mostraram que a empresa romena já tem mais antenas 5G do que a Meo, em Portugal: “Analisando os dados por operador, a Nos era o operador com mais estações de base 5G instaladas (4.786), sendo seguida pela Vodafone (4.611), pela Digi (2.130) e pela Meo (1.562)”, referiu o regulador num balanço trimestral.

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