Consumo privado foi motor do crescimento da economia, mas contributo vai diminuir
BdP prevê para 2025 e 2026 "um crescimento mais equilibrado", com um aumento do contributo do investimento, em especial da componente pública, e uma redução do contributo do consumo privado.
O consumo privado ganhou um peso no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024 que não tem sido tradicional, com o investimento e as exportações a perderem terreno. No entanto, o Banco de Portugal prevê que a economia portuguesa regresse a um padrão de crescimento mais sustentável.
No “Boletim Económico de março”, divulgado na quinta-feira, o Banco de Portugal (BdP) assinala que o consumo privado (líquido de conteúdo importado) contribuiu 1,1 pontos percentuais (pp.) para o crescimento de 1,9% da economia. Por outro lado, o contributo das exportações reduziu-se para 0,6 pp., devido ao menor dinamismo dos serviços, “expectável com o desvanecimento do impulso pós-pandémico do turismo internacional”.
Ademais, o investimento “permaneceu fraco, num contexto de taxas de juro e incerteza elevadas”, com um contributo de apenas 0,2 pp para a variação do PIB. Perante este quadro, o Banco de Portugal destaca que, em 2024, os fatores de sustentação do crescimento foram diferentes dos do ano anterior e do período entre 2015 e 2019.

No entanto, o Banco de Portugal prevê para este ano e o próximo “um crescimento mais equilibrado”, com um aumento do contributo do investimento, em especial da componente pública, e uma redução do contributo do consumo privado. De acordo com a sua projeção, o consumo privado tem um contributo de um ponto percentual para o crescimento de 2,3% do PIB, as exportações de 0,7 pp. e o investimento de 0,4 pp.
Para 2026, o contributo esperado do consumo privado é de 0,7 pp. para o crescimento de 2,1%, igual ao das exportações, e de 0,5 pp. via investimento. Em 2027, contudo, o contributo do investimento torna-se nulo devido à redução da componente pública com o fim dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
“A não ser pela dimensão pública, quer a componente empresarial, quer residencial do investimento têm evoluções bastante contidas. Antecipamos que a componente pública venha a assistir a uma quebra muito significativa em 2027, tendo um contributo bastante negativo nesse ano, apenas parcialmente substituída pelas outras duas componentes em especial a empresarial”, alertou o governador do BdP, Mário Centeno, na quinta-feira durante a apresentação do “Boletim Económico de março”.
O Banco de Portugal realça que “o fraco crescimento do investimento no período recente limita a capacidade produtiva da economia”, destacando que a reação da oferta de trabalho às condições da procura não tem sido acompanhada por uma resposta similar da Formação Bruta de Capital Fixe (FBCF).
“A necessidade de reforçar o investimento é crucial para aproximar o stock de capital da economia portuguesa, avaliado em rácio do PIB ou do emprego, ao dos congéneres europeus, o que se deverá refletir também numa convergência da produtividade”, aponta.
A análise do regulador revela que Portugal se situa “no grupo de países da União Europeia (UE) com menor stock de capital excluindo habitação, em percentagem do PIB — próximo, por exemplo, da Alemanha e da Bélgica —, sendo este resultado relativamente estável de 2000 a 2021″.
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