Dono do Novobanco lidera primeira emissão de dívida militar na Europa
O empréstimo obrigacionista de 750 milhões de euros, liderado pelos franceses do BPCE, tem a duração de cinco anos e conta com uma taxa de juro acima dos 3%. A procura superou em 3,6 vezes a oferta.
O banco francês BPCE –proprietário do Novobanco após a compra de 6,4 mil milhões de euros a 13 de junho – está a realizar a primeira emissão europeia de obrigações dedicadas ao financiamento da defesa, numa operação que captou mais de 2,7 mil milhões de euros em ordens, cerca de 3,6 vezes mais do que os 750 milhões de euros pretendidos.
A emissão do BPCE representa um momento de viragem na forma como a Europa financia as suas necessidades militares. Trata-se da primeira “European Defence Bond” criada ao abrigo da nova metodologia desenvolvida pela Euronext, funcionando de forma semelhante às obrigações verdes, mas com os fundos direcionados para empresas militares em vez de projetos ambientalmente sustentáveis.
Esta iniciativa surge num contexto de mudança radical de atitude face ao financiamento da indústria de defesa desde a invasão russa da Ucrânia em 2022. Maureen Schuller, da ING Groep, em declarações à Bloomberg, afirma que “o compromisso de utilização dos fundos reflete a gigantesca tarefa que a Europa tem pela frente”, prevendo que “veremos mais emissões deste tipo, com os bancos a apoiar o financiamento das ambições de defesa da Europa”.
As obrigações têm a duração de cinco anos e serão emitidas com uma yield equivalente a um spread de 85 pontos base acima dos mid-swaps (que situam-se atualmente nos 2,3%), ficando assim abaixo das expectativas iniciais de 105-110 pontos base, demonstrando a forte procura dos investidores. Significa que este empréstimo obrigacionista terá um custo anual médio de 3,15%.
O papel do BPCE, liderado por Nicolas Namias, nesta operação não é uma total surpresa. Numa recente apresentação aos investidores, o banco francês revelou que “apoia ativamente o setor de Defesa e Segurança”, notando ainda que, nos últimos três anos, “aumentou o seu compromisso com o financiamento da indústria em 2,5 vezes e com o financiamento das exportações de produtos de defesa franceses em mais de sete vezes.” Isto significa que “o BPCE tem luz verde para financiar a defesa sem qualquer crítica”, refere Luke Hickmore, da Aberdeen.
A estrutura desenvolvida pela Euronext para estas obrigações aponta para que, para serem elegíveis, os emitentes devem estar estabelecidos em territórios da área económica europeia, países associados com acordos de cooperação formal com a União Europeia, ou países com parcerias bilaterais de segurança e defesa.
Os fundos obtidos destas emissões obrigacionistas podem financiar atividades como investigação e desenvolvimento de sistemas de defesa, fabrico de equipamento militar, ciberdefesa, sistemas de vigilância e inteligência, desenvolvimento de infraestruturas essenciais à defesa, logística militar e proteção civil. Estão expressamente excluídas empresas envolvidas no desenvolvimento de armas proibidas e nucleares não conformes com o tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares.
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