S&P volta a subir rating de Portugal. Finanças lembram que Espanha e Itália têm notações inferiores

  • ECO
  • 21:15

A agência norte-americana anunciou, pela segunda vez este ano, a subida da notação da dívida soberana para A+, com perspectiva estável. Finanças lembram que Espanha e Itália têm rating inferiores.

A agência norte-americana Standard & Poor’s (S&P) decidiu, esta sexta-feira, voltar a aumentar o rating de Portugal para A+, com perspetiva estável. A S&P tinha, a 28 de fevereiro, revisto em alta a notação da dívida soberana, de A- para A, com perspetiva positiva, o que abria a porta a uma nova revisão em alta da notação da dívida soberana.

Em comunicado, a agência acredita que o Governo vai conseguir uma “implementação relativamente tranquila de políticas, orientada para a prudência orçamental apesar do Parlamento fragmentado”. E, mesmo com a pressão dos gastos em defesa, a S&P confia que a dívida pública está numa “trajetória descendente”, ainda “que a um ritmo mais lento”, até os 84% do PIB em 2028.

Para este ano, a S&P estima um excedente de 0,2% do PIB e um regresso aos défices em 2026 “à medida que os investimentos de capital aceleram” e os gastos sociais tal como os compromissos com a defesa aumentam.

No meio de uma guerra comercial, a S&P frisa que Portugal está “protegido dos efeitos diretos” do acordo entre Washington e Bruxelas, uma vez que “apenas 7% das suas exportações de bens se destinam aos EUA”. Setores como os “têxteis, componentes automóveis e vinho” vão sentir o maior impacto da política aduaneira dos EUA, mas os efeitos secundários das tarifas na zona euro devem ser “parcialmente compensado pelo forte desemprenho do setor do turismo” no país.

Para este ano, a S&P estima um abrandamento do crescimento económico para 1,7% face aos 1,9% de 2024. Mas antecipam uma recuperação em 2026, para 2,2%, à boleia dos investimentos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Uma “imigração mais restrita” pode, no entanto, prejudicar a oferta de mão-de-obra a longo prazo.

A pouco mais de um mês da apresentação do Orçamento do Estado para 2026, a agência considera que o Governo “pode contar com a abstenção” do PS para aprovar o documento, “uma vez que afastou um pacto com o Chega”. Caso falhe este cenário, os duodécimos no próximo ano permitiriam também “manter a disciplina orçamental”, nota.

“É uma vitória para Portugal”, reagem as Finanças. Espanha e Itália têm rating inferiores

Em reação, as Finanças indicaram que “a decisão é uma vitória para Portugal e para o caminho percorrido pelo país, pelas famílias e as empresas, nestes últimos anos”. E, em comunicado enviado às redações, o ministério liderado por Joaquim Miranda Sarmento lembra que países como a Espanha ou Itália tem hoje “um rating inferior” ao português. Aliás, há “apenas” nove países da Zona Euro que continuam com “uma notação superior à de Portugal – Alemanha, Luxemburgo, Países Baixos, Áustria, Finlândia, França, Irlanda, Bélgica e Eslovénia”, acrescenta.

O Governo “continuará empenhado em prosseguir um caminho de reformismo e mudança, que potencie o crescimento económico, mas sempre com responsabilidade orçamental e uma redução progressiva da dívida”, nota o ministério das Finanças, que está “confiante” num excedente orçamental de 0,3% do PIB este ano.

A DBRS foi, em janeiro, a primeira agência do ano a avaliar Portugal, com uma subida do rating do país. Em julho, na segunda ronda de avaliações, a agência canadiana optou por não mexer na notação da dívida soberana. Já a Fitch, em março, manteve inalterado o rating de Portugal em ‘A-, com perspetiva positiva. E, em maio, a Moody’s decidiu não mexer na notação do rating ‘A3’ de Portugal, com perspetiva estável.

A próxima avaliação do rating português está marcado para 12 de setembro, pela Fitch.

 

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