Rui Costa deixa decisão dos direitos televisivos para depois das eleições e lança programa de recompra de ações
A Benfica SAD vai propor um programa de recompra de ações e obrigações, e deixa duas propostas fechadas para venda de direitos televisivos nas mãos da próxima administração da SAD benfiquista.
A Benfica SAD vai propor na assembleia-geral de acionistas, que vai ocorrer a 1 de outubro, um programa de recompra de ações e obrigações próprias para aplicação de excessos de liquidez, uma medida que pode abranger até 10% do capital social num horizonte de 18 meses.
Mas talvez mais significativo, seja o que ficou por decidir: a atual administração preferiu não fechar qualquer das duas propostas “melhores que a atual” para os direitos televisivos das próximas duas épocas, deixando essa escolha estratégica para os próximos gestores que saírem das eleições de 25 de outubro, revela Nuno Catarino, administrador e CFO da Benfica SAD, no decorrer da apresentação dos resultados anuais da SAD encarnada aos jornalistas, esta terça-feira, no Estádio da Luz.
“Este programa de recompra de ações não tem qualquer intenção de retirar a SAD de bolsa”, assegura Nuno Catarino, nem surge como uma forma de responder à entrada de novos acionistas no capital da SAD, esclarecendo que a medida visa apenas otimizar a aplicação dos recursos financeiros excedentários da sociedade anónima desportiva. “Gostamos de ser uma sociedade cotada, gostamos do exercício que isso nos obriga”, diz.
O CFO da Benfica SAD explicou ainda que o programa seguirá os limites legais estabelecidos, podendo a SAD adquirir até 10% das suas próprias ações durante um período máximo de 18 meses, mas, ao contrário do que sucede nessas situações, não avançará com qualquer valor de investimento nem prazo para a sua concretização.
Esta medida, comum em empresas cotadas com excedentes de tesouraria, permite à SAD recomprar as suas próprias ações no mercado, reduzindo o número de títulos em circulação e, teoricamente, valorizar as ações restantes. No caso das obrigações, a recompra antecipada pode reduzir o custo financeiro da dívida.

Propostas fechadas para vender direitos televisivos
No capítulo dos direitos televisivos, Nuno Catarino revelou que a SAD tem atualmente duas propostas para comercializar os direitos das próximas duas épocas, antes da centralização que a Liga Portugal planeia implementar a partir da época desportiva 2028/2029.
“São condições melhores que a atual e uma delas particularmente mais inovadora”, adiantou o administrador, sem revelar valores ou identidades dos proponentes.
A decisão de não fechar agora qualquer acordo representa uma aposta arriscada da atual administração, que deixa uma das principais fontes de receita do clube por definir. “Será uma decisão para ser tomada pela próxima administração”, justificou Nuno Catarino, numa altura em que o Benfica se prepara para ir a eleições a 25 de outubro, que podem alterar completamente a composição da liderança do clube e da SAD.
Esta posição contrasta com as declarações que o presidente Rui Costa fez em julho de 2024, por ocasião da inauguração da Casa do Benfica de Genebra, que apontava para que este tema ficasse fechado até ao final da época desportiva transata.
Em março, Nuno Catarino admitiu ao ECO que a sua equipa estava a negociar “entre um e dois” parceiros, sublinhando que “que nestas negociações o valor é muito importante”, mas que também havia “uma série de outros temas de compromissos”. O administrador reconheceu então que “toda a gente tem interesse no Benfica”, mas que “no final é tudo uma questão de preço”.
Outro dossiê que permanece em aberto é a negociação do naming do Estádio da Luz. Segundo o CFO da Benfica SAD, “a negociação continua como estava há seis meses”, com a administração a manter uma posição firme: “Temos um valor predefinido” do qual “o Benfica não abre mão”.
Esta inflexibilidade pode explicar a falta de progressos numa área que poderia gerar receitas significativas para o clube. O Estádio da Luz, que conta atualmente com capacidade para 68.100 espetadores após um recente aumento de lugares (com um plano de crescimento para 70 mil) e uma utilização crescente para eventos não desportivos – foram realizados 226 eventos na época 2024/25, incluindo concertos dos Imagine Dragons e Calema – representa um ativo comercial de valor considerável.
A atual administração da Benfica SAD, que apresentou os melhores resultados financeiros dos últimos anos com lucros de 34 milhões de euros, opta assim por deixar algumas das decisões mais estruturantes para a próxima administração. Uma estratégia que pode ser vista como prudência ou como falta de capacidade de decisão numa fase crucial para o futuro financeiro do clube.
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