Entrada da Teixeira Duarte na 1.ª Liga da bolsa coloca-a no radar do capital
Construtora portuguesa volta a negociar esta segunda-feira no PSI, entrando nos fundos que replicam o desempenho do índice e no radar dos gestores que investem na bolsa lisboeta.
A partir desta segunda-feira há mais uma empresa no índice de referência da bolsa portuguesa. O regresso da Teixeira Duarte ao PSI, que volta a ter 16 cotadas após a saída da Greenvolt, surge “depois de anos desafiantes com transformações profundas”, que permitiram o regresso da construtora à rentabilidade. A promoção à 1.ª Liga da bolsa vai forçar à inclusão nas carteiras dos fundos que replicam o índice e põe a empresa no radar de investidores nacionais, mas o reduzido capital disperso em bolsa é um travão à entrada de fundos estrangeiros. Subida estonteante de 672,15%, em 2025, limita ganhos no curto prazo.
“Estar entre as maiores e mais líquidas empresas cotadas em Portugal é, sem dúvida, um sinal da atratividade do Grupo Teixeira Duarte junto dos mercados e uma motivação adicional para continuarmos a inovar, a criar valor para os nossos acionistas e a contribuir para a dinamização da economia nacional”, disse Manuel Maria Teixeira Duarte, presidente do conselho de administração do Grupo, ao ECO.
O presidente da empresa destaca que recebeu a notícia da promoção ao índice de referência com “orgulho” e “sentido de responsabilidade”. Manuel Maria Teixeira Duarte sublinha que esta subida surge “depois de anos desafiantes com transformações profundas”, com o empresário a destacar que “o foco na disciplina financeira, na seleção criteriosa de projetos e na melhoria dos processos internos foram elementos-chave para o reforço da nossa competitividade”.
Uma vez regressada ao PSI, a empresa, “que tem tido um percurso de reestruturação que lhe permitiu atingir uma valorização muito substantival este ano e assim ganhar um lugar no índice”, ganha “visibilidade”, explica Pedro Lino. Para o CEO da Optimize, que gere um fundo que investe no mercado nacional, “em termos de investidores ganha mais visibilidade local, pois o free float, ou seja o que pode ser transacionado, anda nos 100 milhões de euros, o que é muito baixo para atrair investidores internacionais”. “Para o mercado doméstico é positivo”, reforça.
A reduzida capitalização bolsista das empresas portuguesas é um travão ao investimento por parte de grandes gestoras estrangeiras, que procuram cotadas com valores de mercado mais elevados, onde possam entrar e sair sem causar grandes oscilações nas cotações. Isto não é possível (ou é mais difícil) em companhias com reduzido free float, o que leva a que os investimentos de fundos estrangeiros estejam concentrados, regra geral, nas maiores cotadas da bolsa portuguesa.
Entrada no PSI não só aumenta a sua visibilidade junto da comunidade financeira e dos investidores, como tende a criar uma necessidade de maior de rigor na gestão.
No entanto, há vários fundos que investem em ações listadas em Lisboa. Além dos quatro fundos de ações nacionais — BPI Portugal, IMGA Ações Portugal, GNB Portugal Ações — há ainda dois fundos com exposição a empresas cotadas em Lisboa e Madrid (Invest Ibéria e o Caixa Ações Portugal Espanha) e o Optimize Portugal Golden Opportunities, na categoria de multiativos agressivos, que investe em ações e dívida de empresas portuguesas. Fundos que, pelas suas características, privilegiam o investimento em títulos cotados no índice de referência nacional.
Pedro Barata, gestor do GNB Portugal Ações, considera que “a entrada novamente no PSI tem de ser vista como um acontecimento favorável para a empresa. Este facto, não só aumenta a sua visibilidade junto da comunidade financeira e dos investidores, como tende a criar uma necessidade de maior de rigor na gestão”. Para o gestor, “esse aumento de rigor, tem naturais implicações na melhoria dos processos e no desempenho operacional da empresa. Estes são alguns dos benefícios que as empresas têm ao fazerem parte do índice que agrega as maiores empresas: maior visibilidade, maior escrutínio e maior criação de valor”, sintetiza.
Em termos de investidores ganha mais visibilidade local, pois o ‘free float’, ou seja o que pode ser transacionado, anda nos 100 milhões de euros, o que é muito baixo para atrair investidores internacionais.
“A entrada da Teixeira Duarte no PSI, o principal índice acionista da bolsa portuguesa, representa um importante reconhecimento do caminho percorrido pela empresa nos últimos anos”, refere Nuno Mello, da XTB. “A integração no PSI abre várias oportunidades para a Teixeira Duarte. Desde logo, garante maior liquidez das ações, fator essencial para atrair investidores institucionais“, aponta o analista, notando que, em segundo lugar, “permite que fundos de investimento que replicam o índice passem a incluir a empresa nas suas carteiras, aumentando a procura pelas ações”.
“Este reconhecimento pode também melhorar as condições de acesso ao financiamento, já que os credores tendem a valorizar a estabilidade e a notoriedade das empresas presentes no índice. Em suma, a integração no PSI não é apenas simbólica, tem efeitos práticos que podem reforçar a competitividade e a credibilidade da construtora”, conclui o mesmo especialista.
Para o analista da XTB, “esta promoção traduz-se em maior visibilidade junto dos investidores, em especial internacionais, e significa também que a construtora passou a cumprir requisitos de liquidez, capitalização e dispersão acionista que lhe permitem integrar o grupo restrito das maiores cotadas nacionais. É um passo que legitima o processo de reestruturação financeira e operacional em curso e que aumenta o prestígio da empresa no mercado”, justifica.
A integração no PSI permite que fundos de investimento que replicam o índice passem a incluir a empresa nas suas carteiras, aumentando a procura pelas ações.
Pedro Oliveira, trader da sala de mercados do Banco Carregosa, concorda que “esta promoção [ao PSI] coloca a Teixeira Duarte noutro patamar. O facto de estar no índice PSI deverá traduzir-se num aumento da visibilidade e atrair mais investimento que podem levar a uma maior valorização da empresa”. “No entanto também aumenta a responsabilidade da empresa em continuar a apresentar bons resultados para manter a confiança dos investidores e a sua posição no índice”, atira.
Escala de 672% limita ganhos no curto prazo
As ações da Teixeira Duarte disparam uns estonteantes 672,15%, desde o início do ano, com a empresa a beneficiar com as melhores perspetivas para a empresa, depois de ter fechado um acordo para reestruturar a dívida com a banca e ter aumentado o lucro para 42,4 milhões no primeiro semestre, tendo conseguido arrecadar 440 milhões para a carteira de encomendas com a sua participação no consórcio que ganhou o primeiro troço da Alta Velocidade.
“A carteira de encomendas para o setor da construção, atingiu os 1.630 milhões de euros em junho, refletindo um aumento de 5,9% face a dezembro de 2024”, destaca Manuel Maria Teixeira Duarte. “Desta carteira consta o primeiro projeto da alta velocidade ganho pelo consórcio LusoLav, que o Grupo Teixeira Duarte integra, e que deverá gerar cerca de 440 milhões de euros em obra”, acrescenta.
Além destas notícias positivas, que permitiram à empresa cumprir o requisito da Euronext, de capital disperso em bolsa de pelo menos 100 milhões de euros, para entrar no restrito clube das maiores cotadas nacionais, a própria notícia da subida ao PSI acelerou ainda mais as ações. Em cinco sessões, os títulos da construtora escalaram cerca de 35%.
Ações disparam em 2025

A empresa tem ainda sido alvo de mudanças acionistas. A sociedade Dualis Capital, dos empresários nortenhos Eduardo Sardo e Gaspar da Silva, reforçou, na semana passada, a posição na construtora Teixeira Duarte, passando a deter mais de 10% do capital.
Os analistas aplaudem a entrada de um novo acionista de referência. “O novo acionista traz maior estabilidade ao núcleo acionista, reforça o compromisso com estratégia de longo prazo e potencia sinergias no setor, aumentando a capacidade para financiar grandes projetos”, refere Nuno Mello.
Pedro Oliveira considera que a presença da Dualis no capital “poderá abrir novas oportunidades de negócio, reforçar a estabilidade financeira e fortalecer a posição da empresa em mercados chave”. “Se olharmos apenas para estes fatores mais recentes, como a entrada no índice PSI, a sua melhoria financeira e a chegada de um novo acionista estratégico diria que tem fortes probabilidades de continuar a valorizar“, antecipa o trader do Banco Carregosa.
Apesar das perspetivas animadoras para a evolução da empresa, os especialistas alertam que a “margem de valorização dependerá da execução operacional e da capacidade da empresa em consolidar lucros sustentáveis. Ou seja, há potencial para mais ganhos, mas também existe o risco de correções caso as expectativas não sejam cumpridas”, prevê Nuno Mello. “Teremos de perceber se a administração continua a suportar a confiança que os investidores lhes estão a dar“, conclui Pedro Lino.
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