EUA prometem defender “cada centímetro da NATO” após incursões aéreas russas

  • Lusa e ECO
  • 22 Setembro 2025

Após incursões de aviões russos no espaço aéreo da Estónia, os Estados Unidos prometeram defender "cada centímetro do território da NATO".

Os Estados Unidos prometeram esta segunda-feira defender “cada centímetro do território da NATO”, numa reunião do Conselho de Segurança da ONU convocada pela Estónia após incursões de aviões russos no seu espaço aéreo.

“Enquanto o Presidente Trump e os Estados Unidos tentam encerrar esta guerra atroz entre a Rússia e a Ucrânia, esperamos que Moscovo procure formas de apaziguar a situação, sem correr o risco de uma nova propagação do conflito”, declarou o novo embaixador norte-americano na ONU, Mike Waltz, confirmado pelas autoridades norte-americanas no final da semana passada.

O chefe da diplomacia estónia, Margus Tsahkna, leu uma declaração apoiada por cerca de 50 países exigindo a Moscovo que ponha fim às “provocações e ameaças” contra os vizinhos.

“As ações irresponsáveis da Rússia constituem não só uma violação do Direito internacional, mas também uma escalada desestabilizadora que aproxima a região do conflito mais do que em qualquer outro momento dos últimos anos”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia.

As ações irresponsáveis da Rússia constituem não só uma violação do Direito internacional, mas também uma escalada desestabilizadora que aproxima a região do conflito mais do que em qualquer outro momento dos últimos anos.

Margus Tsahkna

Ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia

Na sexta-feira, três aviões de guerra russos entraram no espaço aéreo estónio durante 12 minutos, segundo a diplomacia da Estónia.

O incidente ocorreu dias depois de cerca de 20 drones russos terem sobrevoado a Polónia, três dos quais foram abatidos, e da denúncia de Bucareste sobre a passagem de um drone russo em território romeno.

A NATO respondeu mobilizando caças F-35 italianos destacados no Báltico, juntamente com aeronaves suecas e finlandesas.

Moscovo negou qualquer violação, com o vice-embaixador russo na ONU, Dmitri Polyanskiy, a acusar Talin de “histeria russofóbica” e a insistir que os aparelhos “seguiram rotas sobre águas neutras do Mar Báltico”.

O subsecretário-geral da ONU para a Europa, Miroslav Jenca, apelou a todas as partes para “atuarem com responsabilidade e adotarem medidas imediatas para evitar riscos maiores para a segurança regional”.

A reunião foi a primeira solicitada pela Estónia nos 34 anos de filiação na ONU.

No domingo, Donald Trump assegurou que os EUA participariam na defesa da Polónia e dos Estados Bálticos em caso de intensificação da atividade militar russa.

Rússia nega violação aérea na Estónia e acusa Talin de “histeria russofóbica”

Entretanto, a Rússia negou esta segunda-feira, perante o Conselho de Segurança da ONU, que três caças MiG-31 tenham violado o espaço aéreo da Estónia na sexta-feira, acusando Talin de “histeria russofóbica”.

“Os nossos vizinhos imaginaram que a Rússia incorreu agora numa incursão no espaço aéreo estónio. Não há provas destas acusações além da histeria russofóbica em Talin”, disse o representante russo na ONU, Dmitri Poliansky, argumentando que os aviões voaram da Carélia para Kaliningrado sem sair da rota estabelecida, sobre “águas neutras”, no Mar Báltico.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia, Margus Tsahkna, respondeu apresentando imagens de radar que, na sua versão, confirmam a entrada dos caças em espaço do seu país.

“A violação é evidente e a Rússia está a mentir novamente, como já fez antes”, denunciou o chefe da diplomacia da Estónia, recordando episódios como a ocupação de regiões da Geórgia em 2008, a anexação da Crimeia em 2014 e a invasão da Ucrânia em 2022.

Momentos depois, perante o Conselho de Segurança da ONU, foi a vez de o chefe da diplomacia polaca, Radoslaw Sikorski, acusar Moscovo de violar sistematicamente o Direito internacional. “Se outro míssil ou aeronave entrar no nosso espaço aéreo sem permissão, seja deliberadamente ou por engano, for abatido e os destroços caírem em território da NATO, por favor, não venham queixar-se”, disse Sikorski.

A Roménia, também alvo de recentes incidentes, questionou até onde Moscovo poderá ir se a comunidade internacional, especialmente o Conselho de Segurança, não reagir a tempo. Para a ministra dos Negócios Estrangeiros romena, Oana-Silvia Toiu, a inação da comunidade internacional “poderá encorajar futuras provocações”.

Por usa vez, a alta representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, criticou o “cinismo” da Rússia enquanto membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas, ao violar os princípios da organização com incidentes como a incursão de caças no espaço aéreo de países com a Estónia, a Polónia e a Roménia.

No seu discurso ao Conselho de Segurança da ONU, a também ex-primeira-ministra estónia criticou o representante russo pelas manobras de Moscovo, garantindo que o bloco europeu não hesitará em apoiar a Ucrânia e reforçar o seu flanco leste.

“Digo isto abertamente ao representante russo nesta sala. As ações do seu Governo são imprudentes, perigosas e vão contra os próprios princípios das Nações Unidas”, afirmou Kallas, sublinhando que a resposta europeia será “unânime e firme”.

A chefe da diplomacia europeia questionou mesmo se os casos reportados no espaço aéreo europeu foram acidentais, referindo que os três incidentes ocorreram em apenas duas semanas.

“Se foi um erro acidental, houve tempo suficiente para a Federação Russa pedir desculpa e dizer que cometeu um erro. Em vez disso, vemos um padrão. A Rússia está a testar as fronteiras da Europa, questionando a nossa determinação e minando a segurança de toda a Europa”, argumentou a chefe da diplomacia da UE.

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