Teixeira Duarte incorpora quatro participadas para criar sinergias

A empresa vai incorporar a TDO, a Tedal, a IMOTD e a TDH. Fusão vai criar ganhos de eficiência e vai permitir ao grupo aumentar a rentabilidade da operação, fruto das sinergias criadas com a fusão.

A Teixeira Duarte TDSA 0,00% vai avançar com uma reorganização para incorporar por fusão quatro sociedades detidas pelo Grupo. O objetivo da operação é simplificar a estrutura e criar sinergias, que vão permitir aumentar o volume de negócios e a rentabilidade da empresa.

A construtora apresentou um projeto de fusão para incorporar a TDO, Tedal, IMOTD e a TDH, quatro sociedades detidas pelo Grupo. “A sociedade incorporante e as sociedades incorporadas integram o grupo de sociedades encabeçado pela Teixeira Duarte S.A. (Grupo Teixeira Duarte), sendo a sociedade incorporante detentora da totalidade do capital social da TDO SGPS e da Tedal SGPS que, por sua vez, detém 100% do capital social da IMOTD SGPS e TDH SGPS”, detalha o documento consultado pelo ECO no Portal dos Registos Societários.

A reorganização, que surge após um processo de reestruturação realizado pelo grupo nos últimos anos para regressar à rentabilidade, é justificada “por motivos de racionalidade económica”, com vista a simplificar as estruturas do grupo.

“A projetada operação enquadra-se num processo de reestruturação e redimensionamento, assente na simplificação e racionalização da estrutura societária do Grupo Teixeira Duarte”, refere o documento

A presente fusão visa simplificar a estrutura organizativa e operacional do grupo Teixeira Duarte, o que permitirá aumentar a eficiência na gestão dos recursos, bem como o volume de negócios e sua rentabilidade e eliminar custos associados ao cumprimento de funções estatutárias e obrigações legais em várias sociedades, designadamente as de índole contabilístico e fiscal, alcançando-se um aproveitamento de sinergias com a fusão.

Projeto de Fusão

“A presente fusão visa simplificar a estrutura organizativa e operacional do grupo Teixeira Duarte, o que permitirá aumentar a eficiência na gestão dos recursos, bem como o volume de negócios e sua rentabilidade e eliminar custos associados ao cumprimento de funções estatutárias e obrigações legais em várias sociedades, designadamente as de índole contabilístico e fiscal, alcançando-se um aproveitamento de sinergias com a fusão”, justifica a empresa.

“Atendendo à sobreposição do objeto social prosseguido por cada uma das sociedades incorporadas, com parte do objeto social prosseguido pela sociedade incorporante, verificou-se inexistirem motivos que, de um ponto de vista prático, justifiquem a manutenção de cinco entidades juridicamente autónomas”, reforça a Teixeira Duarte no projeto de fusão assinado pelos conselhos de administração das cinco entidades, todas elas lideradas por Manuel Maria Teixeira Duarte.

A construtora, que foi recentemente promovida ao índice de referência PSI, prosseguiu uma importante reestruturação nos últimos anos, que incluiu a reestruturação da dívida com a banca, que permitiu o regresso à rentabilidade.

Num comentário enviado ao ECO a propósito do regresso à 1.ª Liga da bolsa, Manuel Maria Teixeira Duarte sublinhou que esta subida surge “depois de anos desafiantes com transformações profundas”, com o empresário a destacar que, “para tal, terá contribuído a consolidação de medidas de reorganização e otimização de recursos que resultaram numa maior eficiência das operações, numa melhoria das margens e numa maior capacidade de execução de projetos complexos tanto no mercado interno como externo”.

“Ao mesmo tempo, o recente acordo realizado com a banca foi muito importante para a estabilidade financeira do Grupo e um sinal claro do reconhecimento do valor da Teixeira Duarte no setor e na economia nacional”, acrescentou o presidente do conselho de administração da Teixeira Duarte, que integra o consórcio português que venceu o concurso para a construção do 1.º troço da Alta Velocidade.

As quatro sociedades que vão ser absorvidas pela casa-mãe “desenvolvem de forma exclusiva a gestão de participações sociais”. Segundo a lista de participações disponibilizada no projeto de fusão, as sociedades controlam vários ativos imobiliários, participações em hotéis, ou ainda participações em Macau – TDO detém 15% na CPM – Companhia de Parques de Macau e 5,8% do Matadouro de Macau. O Grupo, que chegou a ser um dos maiores acionistas do BCP, mantém, através da Tedal, uma posição quase irrisória de 0,003% no banco.

Entrada no PSI dá visibilidade… e investimento

A Teixeira Duarte voltou a negociar no índice PSI no dia 22 de setembro, após uma escalada superior a 600% em 2025. A promoção vai aumentar a visibilidade da empresa e o investimento nos títulos, desde logo porque ao passar a integrar o índice, a empresa tem de ser incluída nas carteiras dos fundos que replicam o índice. Por outro lado, a cotada entra no radar dos investidores.

Para o CEO da Optimize, Pedro Lino, que gere um fundo que investe no mercado nacional, “em termos de investidores ganha mais visibilidade local, pois o free float, ou seja o que pode ser transacionado, anda nos 100 milhões de euros, o que é muito baixo para atrair investidores internacionais”. “Para o mercado doméstico é positivo”, reforça.

A reduzida capitalização bolsista das empresas portuguesas é um travão ao investimento por parte de grandes gestoras estrangeiras, que procuram cotadas com valores de mercado mais elevados, onde possam entrar e sair sem causar grandes oscilações nas cotações. Isto não é possível (ou é mais difícil) em companhias com reduzido free float (capital disperso em bolsa), o que leva a que os investimentos de fundos estrangeiros estejam concentrados, regra geral, nas maiores cotadas da bolsa portuguesa.

Pedro Barata, gestor do GNB Portugal Ações, considera que “a entrada novamente no PSI tem de ser vista como um acontecimento favorável para a empresa. Este facto, não só aumenta a sua visibilidade junto da comunidade financeira e dos investidores, como tende a criar uma necessidade de maior de rigor na gestão”. Para o gestor, “esse aumento de rigor, tem naturais implicações na melhoria dos processos e no desempenho operacional da empresa. Estes são alguns dos benefícios que as empresas têm ao fazerem parte do índice que agrega as maiores empresas: maior visibilidade, maior escrutínio e maior criação de valor”, sintetiza.

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