População em Portugal vai cair para oito milhões no final do século

Envelhecimento demográfico vai acentuar-se cada vez mais. Número de idosos passará de 2,6 para 3,1 milhões em 2100 e o de jovens cairá de 1,4 para cerca de um milhão, de acordo com o cenário central.

Será já em 2057 que Portugal deixará de ter dez milhões de habitantes. Até 2100, o país vai continuar a perder população e ficará apenas com 8,3 milhões de residentes, contra os atuais 10,7 milhões, revela a projeção da população residente divulgada esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatísticas.

Embora a população residente em Portugal tenha aumentado ao longo de seis anos consecutivos — em 2024, totalizou 10.749.635 pessoas — o envelhecimento demográfico vai acentuar-se cada vez mais. De acordo com o cenário central, a população cairá para 8,3 milhões de pessoas, sendo que o número de idosos passará de 2,6 para 3,1 milhões e o de jovens cairá de 1,4 para cerca de um milhão.

Esta evolução vai agravar o rácio de pessoas em idade ativa face aos reformados, complicando as contas da Segurança Social.

“De acordo com os resultados obtidos no cenário central, Portugal perderá cerca de 2,4 milhões de residentes até 2100. Neste cenário, a população residente poderá aumentar até aos 10,9 milhões em 2029, seguindo-se um declínio até 2100, onde atingirá 8,3 milhões. Neste cenário, a população ficará abaixo do limiar de dez milhões de habitantes em 2057 (9.976.259) e de nove milhões em 2079 (8.983.719)”, detalha o INE no seu cenário central.

O instituto de estatística explica que o exercício de Projeções de População Residente 2025-2100 segue o método das componentes por cortes e tem como base a estimativa de população residente em 31 de dezembro de 2024. A metodologia foi definir quatro cenários de projeção da população: cenário baixo, cenário central, cenário alto e cenário sem migrações, com base em diferentes conjugações das hipóteses alternativas de evolução das componentes demográficas.

Num cenário em que Portugal não receba mais imigrantes, então a população descerá para 5,99 milhões de residentes. A situação poderá ser ainda mais grave perante a redução dos níveis de fecundidade e a manutenção de saldos migratórios muito baixos, podendo a população residente em Portugal atingir 5,4 milhões em 2100.

O decréscimo de população entre 2024 e 2100 “não será uma tendência transversal a todas as regiões do país, ainda no cenário central. As exceções são a Grande Lisboa, Algarve e Península de Setúbal. Assim, “a região Norte deixará de ser a região com mais população residente no início da década de 2080, passando a Grande Lisboa a ser a região mais populosa”.

No entanto, o INE alerta que os resultados desta projeção “não devem ser entendidos como previsões, mas lidos com um caráter condicional”, tendo em conta o volume e pela estrutura da população, no momento de partida (2024) e os diferentes padrões de comportamento da fecundidade, mortalidade e das migrações ao longo do período de projeção.

Além da queda dos jovens para apenas um milhão, a população em idade ativa (dos 15 aos 64 anos) residente em Portugal passará de 6,8 milhões em 2024 para 4,2 milhões em 2100, no cenário central. “Neste cenário, a população em idade ativa ficará abaixo do limiar de seis milhões (5.949.726) em 2041 e de cinco milhões (4.987.255) em 2065. Em 2100, a população em idade ativa poderá situar-se entre cerca de seis milhões (5.971.663), no cenário alto, e cerca de 2,6 milhões (2.637.347), no cenário baixo”, detalha o INE.

Assim, o país vai enfrentar uma degradação do rácio entre a população em idade contributiva e os pensionistas. O quociente entre o número de pessoas com 65 e mais anos e o número de pessoas dos 15 aos 64 anos “poderá aumentar de forma acentuada”, resultante do decréscimo da população em idade ativa, a par do aumento da população idosa.

O índice de dependência de idosos passará de 39 para 73 idosos, por cada 100 pessoas em idade ativa, entre 2024 e 2100. Mas, no cenário baixo, ou seja o mais pessimista, o número de pessoas idosas por cada 100 pessoas em idade ativa poderá ultrapassar o dobro do valor de 2024, atingindo 86 em 2100. No cenário alto poderá ser de 70.

“As regiões Península de Setúbal, Grande Lisboa e Algarve, com o maior índice de dependência de jovens em 2024, serão também aquelas com maior número de jovens por 100 pessoas em idade ativa em 2100”, detalha o INE.

o índice de dependência de jovens, o quociente entre o número de pessoas até aos 14 anos e o número de pessoas dos 15 aos 64 anos, tenderá a manter-se estável, passando de 20 para 23 jovens por 100 pessoas em idade ativa, entre 2024 e 2100.

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