Fabricante de canivetes suíços testa novos produtos para atenuar impacto de tarifas dos EUA

  • Joana Abrantes Gomes
  • 16 Outubro 2025

Victorinox, empresa famosa pelos canivetes suíços, está a testar novas ferramentas para tentar manter quota de mercado nos EUA, que em 2024 representou 13% das vendas.

A Victorinox, fabricantes de canivetes suíços, está a testar novas ferramentas e a explorar novos mercados para tentar manter os seus preços nos Estados Unidos, de modo a “contornar” as tarifas adicionais impostas por Donald Trump.

O famoso canivete suíço, que se tornou popular nos EUA através dos soldados que ficaram na Europa após a Segunda Guerra Mundial, é fabricado em Ibach, na Suíça central. Anualmente, a Victorinox produz dez milhões destas ferramentas, além de fabricar facas de cozinha e comerciais.

A empresa, fundada em 1884, está agora preocupada com o aumento do custo dos negócios com os Estados Unidos, após Trump ter imposto, em agosto, taxas de 39% sobre as importações de produtos da Suíça.

“Se as tarifas permanecerem em vigor, será uma situação extremamente desafiante”, afirmou o CEO da Victorinox, Carl Elsener, acrescentando que a taxa mais elevada terá um custo de cerca de 13 milhões de dólares (11,15 milhões de euros, ao câmbio atual) por ano para os cofres da empresa.

No ano passado, os EUA representaram cerca de 13% das vendas da Victorinox, no valor de 417 milhões de francos suíços (cerca de 449 milhões de euros). Se a tarifa de 39% permanecer em vigor, todos os produtos enviados para território norte-americano terão prejuízo, disse Elsener à Reuters.

Em resposta às tarifas norte-americanas, a empresa suíça enviou produtos extra para os EUA, de modo a aumentar o seu stock no país e impulsionar a eficiência nas suas unidades de fabrico na Suíça.

Ao mesmo tempo, a Victorinox está a considerar fazer alguns trabalhos de polimento e embalagem nos Estados Unidos, onde conta com cerca de 100 funcionários, para reduzir custos de importação.

Por outro lado, está a tentar reduzir a sua dependência do mercado norte-americano, procurando expandir-se “mais fortemente noutros mercados, como a América Latina e a Ásia”, exemplificou Elsener.

O CEO da Victorinox ressalvou, porém, que a prioridade da empresa é “defender a quota de mercado [nos EUA] enquanto a situação é tão imprevisível”, acrescentando. “O nosso investimento nos Estados Unidos neste momento é evitar aumentos de preços e aceitar as perdas — esse é o nosso sacrifício para manter a quota de mercado“, disse.

Em fevereiro e março, a Victorinox enviou para os EUA dois contentores extra com cerca de 200 mil canivetes suíços, além de 200 mil facas de cozinha e comerciais. O objetivo foi garantir stock suficiente no país até ao final deste ano — até março para alguns produtos –, podendo assim manter os preços estáveis até 2026.

Transferir parte da produção para os Estados Unidos ou outro local na Europa ainda foi uma opção em cima da mesa, mas, a empresa acabou por decidir não o fazer devido à falta de escala. Em vez disso, está a considerar trabalhos limitados de finalização da linha de montagem nos EUA — como limpeza e embalagem de canivetes comerciais — para reduzir o valor tributável.

Fora de questão está fabricar os seus produtos noutro local, visto que, para se qualificar para o cobiçado rótulo “Swiss-made”, pelo menos 60% dos custos de fabrico devem ser na Suíça. “Produzir o canivete suíço no estrangeiro não é uma opção”, assumiu o CEO da Victorinox, sublinhando que a marca depende da sua herança suíça.

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