Gestão da Parques Sintra define sete prioridades
Há um mês em funções, João Sousa Rego apresentou as prioridades que vão marcar o mandato numa conferência em parceria com o ECO.

“A paisagem cultural de Sintra é uma paisagem viva, inscrita na UNESCO, que vive do equilíbrio que procuramos manter e renovar todos os dias”, afirmou João Sousa Rego na conferência promovida pelo ECO em parceria com a Parques de Sintra/Monte da Lua, e que decorreu no Palácio Nacional de Sintra. O novo presidente sublinhou que a sustentabilidade “não é apenas um conceito ou uma meta, mas a essência” da sua missão. Há cerca de um mês em funções, João Sousa Rego anunciou sete prioridades para o novo mandato na conferência “Natureza e Economia: Caminhos para a Sustentabilidade“.
Com o objetivo de transformar a Parques de Sintra num modelo internacional de equilíbrio entre economia, ciência e cultura, João Sousa Rego apresentou um plano estratégico “alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU” e “feito por todos, onde todos se podem ver representados”. A nova visão assenta em três princípios — qualidade da visita, reforço das parcerias locais e sustentabilidade — e traduz-se em sete prioridades de ação que vão orientar a gestão nos próximos anos.
“Queremos transformar os nossos espaços em diferentes experiências, para diferentes públicos, com mais qualidade, onde possamos poder transmitir conhecimento que vamos adquirindo (…) e fazer aqui a transferência de um turismo de massas para um turismo de valor acrescentado, um turismo também respeitador das populações residentes, também capaz de ser sustentável e que trabalhe em ecossistema entre todos”, afirma João Sousa Rego. Depois, diz o gestor, “não queremos estar isolados. Queremos trabalhar em ecossistema, com os diferentes stakeholders locais, pequenas empresas, captar inovação“. Finalmente, contextualizando o terceiro eixo, João Sousa Rego esclarece: “É a sustentabilidade da empresa. Somos uma empresa que gera património cultural, que vive das suas receitas próprias, mas somos uma empresa que procura a sustentabilidade ambiental de todas as suas ações“.
“Gerimos parte de um parque natural, gerimos a Serra de Sintra, fazemos gestão florestal todos os dias e queremos trabalhar em soluções que reforcem a nossa capacitação técnica na proteção e valorização ambiental, conhecer com mais cadastros ambientais para permitir salvaguardar esta serra, valorizá-la, reforçar a sua biodiversidade e ser um reduto de qualidade de vida, um reduto ambiental da área metropolitana de Lisboa nestes tempos de alterações climáticas”, insiste o novo presidente.
“A sustentabilidade é, para nós, um motor económico, não apenas uma meta ambiental”, sublinhou João Sousa Rego, reforçando que a empresa quer continuar a demonstrar “que é possível conjugar viabilidade económica, conservação ambiental e valorização cultural, com transparência, cooperação e sentido público”.
Acreditamos que esta conferência é mais do que um momento de reflexão. É um ponto de encontro entre diferentes visões e setores que partilham a mesma convicção, a de que o futuro da economia depende, mais do que nunca, da forma como tratamos a natureza.
1. Oferta cultural e turística diferenciadora
“Vamos criar experiências únicas que façam os visitantes querer voltar e recomendar os espaços geridos pela empresa ao mundo inteiro. Ficar mais tempo cá, ficar mais tempo em Sintra, tornando inesquecível cada momento, cada espaço, cada paisagem”.
2. Compreensão e recuperação do património
“Cada edifício, cada jardim, cada tapada conta uma história, que dará uma nova vida ao nosso património, fazendo-os chegar a mais pessoas. Para nós sabermos contar a história, é muito importante a investigação histórica associada. Os nossos investigadores históricos que trabalham em cada palácio, que investigam, conhecem e descobrem novas vivências, novos espaços, novas soluções e que através desses podemos criar novas soluções de visita e podemos salvaguardar o património e restaurar de forma diferenciada”.
3. Salvaguarda da paisagem cultural
“Somos guardiões de um tesouro mundial reconhecido pela Unesco e vamos proteger e valorizar este legado único. Vamos conhecê-lo melhor. Conhecê-lo melhor do ponto de vista técnico. Que instrumentos técnicos é que nós queremos e que nós temos que ter para saber salvaguardar uma paisagem cultural que se pretende viva? O que é que nós temos de conhecer? Vamos investir nisso”.
4. Resiliência climática e biodiversidade
“O futuro do nosso património depende como cuidamos da natureza hoje, com soluções inovadoras para protegermos os nossos espaços das alterações climáticas, torná-los resilientes e contribuirmos ativamente para o reforço da biodiversidade”.
5. Inovação, sustentabilidade e gestão da qualidade
“Vamos ser pioneiros, é ambicioso, em soluções criativas e sustentáveis, com projetos inovadores que vão elevar a qualidade da nossa missão. Queremos ser pioneiros, mas não queremos ser pioneiros sozinhos, queremos ser pioneiros com os parceiros locais e com o setor empresarial”.
6. Parcerias e envolvimento comunitário
“Queremos também ter parcerias e envolvimento comunitário, como estava a falar, porque obviamente juntos somos mais fortes e com o envolvimento da comunidade local e a criação de parcerias que beneficiem todos. Temos a casa aberta, recebemos todos, queremos ouvir todos e queremos criar em conjunto um caminho”.
7. Valorização dos trabalhadores e cultura organizacional
“O último é interno, é a valorização dos trabalhadores e cultura organizacional da empresa. São eles o coração da empresa e que melhoram a empresa com o seu trabalho e dedicação quotidiana. Temos uma equipa fantástica, dinâmica, com capacidade de resposta rápida, é uma sorte. Queremos trabalhar em equipa, com todos, contando com cada um dos trabalhadores individualmente. Queremos ser uma grande família que é ambiciosa, com objetivos, que trabalha, que passa a maior parte do dia em conjunto e que também se diverte, porque é por isso também que cá estamos”.
No encerramento, João Sousa Rego reafirmou o papel da Parques de Sintra como referência de gestão integrada do património natural e cultural: “Acreditamos que esta conferência é mais do que um momento de reflexão. É um ponto de encontro entre diferentes visões e setores que partilham a mesma convicção, a de que o futuro da economia depende, mais do que nunca, da forma como tratamos a natureza“.
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