Reserva Federal repete corte de 25 pontos, mas Powell avisa que descida em dezembro não é certa

Depois de interromper em setembro uma longa pausa, o banco central repetiu a dose sem surpresas: um novo corte de 25 pontos base nas taxas para 3,75%-4,00%. Redução do balanço termina em dezembro.

A Reserva Federal norte-americana (Fed) cortou esta quarta-feira as taxas de juro em 25 pontos base (pb), na segunda mexida no custo do dólar este ano. A medida, justificada pela gestão de riscos, demonstra que o banco central continua mais preocupado com a fraqueza do mercado de trabalho na maior economia do mundo do que com a possibilidade de uma nova escalada da inflação.

A decisão dos membros do Federal Open Market Committee (FOMC, comité de política monetária) de descer as Federal Funds Rates para o intervalo entre 3,75% e 4,00%, anunciada em comunicado, era amplamente esperada por analistas e investidores e é a segunda seguida.

Dez dos 12 membros votaram a favor do corte, com o governador Stephen Miran (nomeado de forma interina por Donald Trump) a apelar novamente a um corte maior dos custos de financiamento e o presidente da Fed de Kansas City, Jeffrey Schmid, a defender que não se procedesse a qualquer redução.

O banco central anunciou ainda, conforme esperado pela maioria dos analistas, que vai concluir a redução do balanço. “O Comité decidiu concluir a redução das suas participações agregadas em títulos a 1 de dezembro”, informou.

Em vez de permitir que até 5 mil milhões de dólares em títulos do Tesouro vencessem a cada mês e não fossem substituídos, a Fed disse que, a partir de 1º de dezembro, passaria a manter estável seu stock de títulos de dívida pública, renovando os que cheguem à maturidade.

A Fed afirmou que vai o seu plano atual de permitir que até 35 mil milhões de dólares em títulos hipotecários vençam a cada mês — uma meta que nunca foi alcançada em mais de três anos de reduções —, mas a partir de 1 dezembro reinvestirá todos os rendimentos dos títulos hipotecários vencidos em títulos do Tesouro.

Novo corte em dezembro “não é conclusão garantida”

Explicou que os indicadores disponíveis sugerem que a atividade económica tem vindo a expandir-se a um ritmo moderado. “O crescimento do emprego abrandou este ano e a taxa de desemprego subiu ligeiramente, mas manteve-se baixa até agosto; os indicadores mais recentes são consistentes com esta evolução”, referiu, adiantando que a inflação subiu desde o início do ano e permanece um pouco elevada.

O Comité, que procura alcançar o máximo emprego e uma inflação de 2% a longo prazo, alertou que a incerteza quanto às perspetivas económicas continua elevada e que está atento aos riscos para ambos os lados do seu duplo mandato e “considera que os riscos negativos para o emprego aumentaram nos últimos meses“.

Em conferência de imprensa, Jerome Powell explicou que existiram “opiniões fortemente divergentes” na reunião sobre como proceder.

“Um novo corte na taxa de juros na reunião de dezembro não é uma conclusão garantida, longe disso”, disse, sublinhando que “a política [monetária] não está num rumo pré-definido”.

Nos mercados a principal reação na dívida soberana, com a yield dos títulos de referência dos EUA a 10 anos a subir ligeiramente, 7,5 pontos base para 4,0564%, enquanto a dos títulos a 2 subiu 8 pontos base, para 3,5755%. Nos índices acionistas, S&P 500 perdeu os ganhos iniciais e e recua 0,3%. O índice do dólar, que mede a moeda norte-americana contra uma cesta de outras moedas importantes, ampliou os ganhos e sobe 0,6% para 99.241 pontos.

“A reação do mercado tem sido relativamente moderada, dado que a maioria dos aspetos decorreu conforme o esperado”, afirmou Dimitri SILVA, head of global rates na Reams Asset Management. “O FOMC continua no seu caminho de se aproximar da ‘taxa neutra’, tendo em conta os riscos para o lado do emprego do mandato. Este é mais um corte ‘preventivo’ e não acredito que indique uma série de cortes adicionais em 2026, a menos que o mercado de trabalho vacile de forma significativa”.

(Notícia atualizada às 18h48)

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