Grávida morre no Amadora-Sintra. Carneiro responsabiliza Governo por “falhanço clamoroso” na Saúde
Grávida de 38 semanas deu entrada no serviço de urgência à 1h50 em situação de paragem cardiorrespiratória. PS responsabiliza Montenegro por “falhanço clamoroso” na Saúde.
A Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra abriu um inquérito interno às circunstâncias da morte, esta sexta-feira, de uma grávida que esteve no hospital na quarta-feira para uma consulta, em que foi detetada uma situação de hipertensão, anunciou a instituição.
Após a CNN Portugal ter noticiado a morte da grávida, a ULS Amadora-Sintra relatou, em comunicado, que a grávida de 38 semanas, natural da Guiné-Bissau, deu entrada no serviço de urgência, cerca da 1h50 desta sexta-feira, transportada por uma equipa do INEM, em situação de paragem cardiorrespiratória.
“Após a entrada no serviço foi realizada de imediato uma cesariana de emergência, tendo o bebé nascido às 1h56, encontrando-se neste momento sob vigilância médica, com prognóstico muito reservado”, informou a ULS.
O comunicado da ULS adianta que a grávida se deslocou ao hospital na quarta-feira ao hospital Amadora-Sintra “assintomática” para uma consulta de rotina, durante a qual foi identificada com hipertensão ligeira.
A ULS refere que, de acordo com o protocolo clínico, a utente foi referenciada internamente para a Urgência de Obstetrícia, onde, após a realização de vários exames complementares de diagnóstico, teve alta com indicação para internamento às 39 semanas de gestação.
Segundo a instituição, foi aberto “um inquérito interno para apurar todas as circunstâncias associadas ao ocorrido”.
A Unidade Local de Saúde Amadora/Sintra “lamenta profundamente” o falecimento da utente e endereçou condolências à família.
Carneiro fala em “falhanço clamoroso” na Saúde e culpa Governo
O secretário-geral do PS recusou esta sexta-feira aproveitar a tragédia da morte de uma grávida para “fins político-partidários”, mas exigiu o apuramento de “todas as responsabilidades”, considerando o primeiro-ministro responsável pelo “falhanço clamoroso” na saúde.
À margem de uma visita a um festival de banda desenhada, na Amadora, José Luís Carneiro lamentou a morte de uma grávida “depois de ter ido ao hospital e de a terem mandado embora”, no Amadora-Sintra, considerando grave este acontecimento.
“Contrariamente a outros, nós não aproveitamos a tragédia para fins político-partidários. No entanto, todas as responsabilidades devem ser apuradas e a primeira e mais importante responsabilidade é a do primeiro-ministro, por uma razão, porque foi ele que prometeu soluções e, portanto, é ele que tem que prestar contas, tem que dar conta da sua responsabilidade, da forma como a está a exercer”, acusou.
Na perspetiva do líder do PS, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, confirmou na véspera tudo o que o PS tem vindo a dizer sobre saúde.
“É o reconhecimento do falhanço clamoroso do Governo numa área vital para a qual prometeu soluções”, sustentou.
Carneiro chamou ainda a atenção para uma parte do discurso feito na quinta-feira por Marcelo Rebelo de Sousa sobre saúde.
“O Presidente da República disse que não se conseguem solucionar questões desta natureza de forma aleatória e sem planeamento. Ora, quem é que tem estado a procurar responder de forma aleatória e sem planeamento? O Governo”, criticou.
Esta semana, José Luís Carneiro já tinha desafiado Luís Montenegro a demitir a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, por considerar que estava sem autoridade política.
Questionado sobre se a ministra estava agora mais frágil, depois das declarações do Presidente da República, o secretário-geral socialista insistiu que é o chefe do executivo PSD/CDS-PP “que está mais frágil” porque “é o primeiro responsável de uma equipa”.
“Se a equipa não dá resultados, não apresenta resultados, quem é o responsável? O responsável é o primeiro-ministro, porque foi ele que prometeu em campanha eleitoral, há cerca de dois anos, que tinha soluções para a saúde. Prometeu que em 100 dias apresentava soluções para as urgências hospitalares. Não apenas não apresentou soluções adequadas, como falhou todo o plano que tinha apresentado”, apontou.
Carneiro acusou ainda o Governo de “responder com soluções em cima do joelho”, o que “não resolve os problemas da saúde”.
O líder do PS recordou ainda que apresentou no verão uma proposta para a gestão da emergência hospitalar e, até hoje, não Marcelo questiona se deve haver acordo de regime na saúde. Governo escolheu o “caminho das pedras”obteve uma resposta nem houve a execução das medidas que foram apresentadas
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