Banco de Fomento só vai lançar linha ADN no primeiro trimestre de 2026

AHRESP levou a cabo um inquérito que "revelou que cerca de 30% dos empresários já não consegue cumprir com as obrigações das linhas de crédito Covid”, disse Ana Jacinto ao ECO.

O Banco de Fomento só vai lançar a tão aguardada linha ADN no primeiro trimestre do próximo ano, avançou o CEO da instituição, Gonçalo Regalado, ao ECO.

A linha ADN “teve muita história e muito sucesso no Banco Português de Fomento. É a linha de Apoio ao Desenvolvimento de Novos Negócios e, em particular, a micro e pequenas empresas”, explicou o presidente executivo da instituição, à margem da apresentação de resultados do terceiro trimestre.

Regalado elencou as “várias vantagens” da linha ADN. “Primeiro, é uma linha que permite sucessão empresarial. Hoje não temos nenhuma. Segundo, é uma linha que permite alguma capacidade de fusões e aquisições para compra de outras empresas. Terceiro, é uma linha muito simples de enquadramento, tanto para fundos de maneio como para investimentos. E quarto, é uma linha que normalmente está dedicada às micro e pequenas empresas”.

“A nossa ambição é lançarmos, no primeiro trimestre de 2026, essa linha ADN com o braço para micro e pequenas empresas”, sublinhou reconhecendo que é uma prioridade e “esteve prevista para o quarto trimestre deste ano”, mas os muitos desafios do banco levaram a um dilatar dos prazos.

Esta linha pode ser uma das soluções para as empresas do setor da restauração que já não conseguem cumprir com as obrigações das linhas de crédito Covid. A AHRESP levou a cabo “um inquérito junto das empresas suas representadas, que revelou que cerca de 30% dos empresários já não consegue cumprir com as obrigações das linhas de crédito Covid”, disse ao ECO a secretária-geral da AHRESP.

“Estas conclusões foram remetidas ao Banco Português de Fomento, com quem temos vindo a dialogar para encontrar soluções urgentes”, acrescentou Ana Jacinto.

“As causas estão identificadas: o aumento dos custos operacionais provocado sobretudo pela inflação e pela instabilidade geopolítica, a subida dos preços das matérias-primas e da energia, e a quebra do poder de compra dos consumidores”, elencou a responsável.

“Perante este cenário, temos insistido com o BPF na urgência de encontrar mecanismos que permitam aliviar esta pressão e apoiar as empresas que já se encontram em situação de incumprimento”, disse Ana Jacinto, acrescentando que, “até à data, ainda não temos uma solução”.

Gonçalo Regalado não quer deixar as empresas morrer na “reta da meta” e garante que o banco tem hoje na sua carteira “um conjunto de instrumentos que já permitem responder às linhas Covid”.

“Já estamos no último ano, quase no último semestre das linhas Covid. E aquilo que temos hoje é um conjunto de instrumentos que já permitem responder às linhas Covid”, disse CEO do banco ao ECO. “O InvestEU permite às empresas fazer novos investimentos, ter novo crédito, ter novo acesso e isso já existe hoje”, exemplifica.

O responsável reconhece que “o que está a ser pedido” é recalibrar as linhas Covid”, mas estas “foram montadas a seis anos e vários setores queriam – e compreendemos – que pudessem ser recalibradas para oito ou para dez”.

“Isso não é possível porque a linha quando foi montada em 2020, no tempo do Covid, foi desenhada a seis anos e, na altura, a Comissão Europeia fechou o regulamento e fechou o produto. É tão standard que não tem essa adaptabilidade”, lamentou Regalado.

Recordando que foram mais de 70 mil empresas que recorreram às linhas Covid, Gonçalo Regalado acredita que retomar a linha ADN vai ajudar o setor da restauração porque é uma linha que acautela as micro e pequenas empresas, “onde o setor da restauração tem melhor acesso, mais rapidez e são tickets mais pequenos”.

É uma linha simples, ágil, que o mercado conhece bem e que as empresas gostam, porque tem uma série de particularidades e de elegibilidades de grande espectro”, acrescentou. A linha ADN foi lançada em 2018 e descontinuada em 2022. Voltou a estar prometida para o primeiro de semestre de 2023, mas desta vez não chegou ao mercado.

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