Seguro critica “tragédias” na área da saúde como “o novo normal”

  • Lusa e ECO
  • 4 Novembro 2025

Candidato presidencial avisa que "é preciso parar de fingir e passar das palavras aos atos" para encontrar soluções na saúde. Catarina Martins acusa ministra Ana Paula Martins de "insensibilidade".

O candidato presidencial António José Seguro rejeitou esta terça-feira que “o novo normal” da saúde em Portugal seja feito de “tragédias quase todos os dias”, como a da grávida e da bebé recém-nascida no Hospital de Amadora-Sintra, exigindo soluções.

“Nós não podemos aceitar que o novo normal sejam estas tragédias que quase todos os dias nós somos confrontados e, portanto, aquilo que eu tenho dito há muito tempo, mesmo antes de ser candidato, é que é preciso parar de fingir e é preciso passar das palavras aos atos e encontrar soluções para resolver estes problemas na área da saúde”, disse António José Seguro.

Em declarações aos jornalistas após ter visitado uma loja com produtos portugueses em Bruxelas, o candidato apoiado pelo PS vincou que deve ser possível, “num espaço de tempo razoável, aceder a uma consulta médica, a uma intervenção cirúrgica e não andar com este calendário onde é que estão as urgências abertas ao fim de semana e onde é que elas estão fechadas”.

Catarina Martins acusa ministra da Saúde de “insensibilidade” e “sentimentos xenófobos”

Também esta terça-feira, a candidata presidencial Catarina Martins acusou a ministra da Saúde de ser a “cara da insensibilidade” e de ter apelado a “sentimentos xenófobos” para tentar minorar o caso da morte de uma mulher grávida e do seu bebé.

“Acho que a ministra neste momento é a cara da insensibilidade e da incapacidade de resposta e, por isso, não terá a capacidade de construir as respostas que é preciso”, defendeu Catarina Martins, em declarações à imprensa portuguesa em Bruxelas, capital da Bélgica, à margem de um almoço com membros da comunidade portuguesa naquele país, no âmbito da campanha para as eleições presidenciais.

A antiga coordenadora do BE considerou que a ministra Ana Paula Martins não tem condições para ficar no cargo, salientando que não está em causa apenas o caso da mulher grávida que morreu no hospital Amadora-Sintra na semana passada, mas um acumular de “demasiados casos trágicos” que estão a “provocar uma sensação de insegurança muito grande, de injustiça e de dor”.

“O caso é muito trágico e terá seguramente responsáveis. O que não é admissível é que uma ministra da Saúde dê informações erradas [no parlamento] sobre o caso, que apele a sentimentos xenófobos para minorar a tragédia. Isso não é aceitável e é por isso que não tem condições para continuar no cargo ou também por isso”, criticou.

Catarina Martins, ex-coordenadora do Bloco de Esquerda, durante a apresentação da sua candidatura à Presidência da República, Porto, 18 de Outubro de 2025. ESTELA SILVA/LUSAESTELA SILVA/LUSA

Interrogada sobre se está em causa um caso de xenofobia, Catarina Martins respondeu que as declarações da governante “são pelo menos muito infelizes e parecem ter esse caminho”. A eurodeputada defendeu ainda que o Serviço Nacional de Saúde “já esteve em melhor saúde” e “que as respostas públicas de saúde fortes, universais, gratuitas, são fundamentais”.

“Quando uma está a funcionar mal como a nossa, temos de ter a coragem de reinventar e temos de ter a coragem de novas fórmulas que garantam realmente o acesso à saúde à população sem descurar o que temos de bom”, sustentou.

Catarina Martins disse ambicionar conquistar os votos “de quem acredita que Portugal deve ser uma comunidade solidária com empatia, que não vai viver melhor se fechar os olhos aos problemas que tem”.

“Tem de ter a coragem de se reinventar para resolver problemas e a reinvenção é o oposto do ódio, é o oposto da fratura da sociedade, mas também é o oposto de dizer que tem de ficar tudo como está. Porque em Portugal as pessoas percebem que ganham salário pequeno demais para a conta alta demais de supermercado”, lamentou.

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