Salário satisfaz menos de metade dos executivos europeus

Estudo indica que mais de seis em cada dez executivos europeus planeiam mudar de emprego nos próximos cinco anos. Pacote salarial é um dos fatores chaves dessa vontade de encontrar uma nova empresa.

ECO Fast
  • Menos de metade dos executivos europeus está satisfeita com o salário atual, e seis em cada dez planeiam mudar de emprego nos próximos cinco anos, segundo o estudo “Tendências salariais 2025” da Page Executive.
  • A insatisfação salarial e profissional surge como principal motivo dessa intenção, enquanto fatores como o regime híbrido, benefícios adicionais e oportunidades de progressão pesam cada vez mais na satisfação global dos executivos.
  • Mesmo em Portugal, a concorrência por líderes de topo é elevada e as empresas enfrentam pressão para oferecer pacotes salariais competitivos, com remunerações que podem ultrapassar os 500 mil euros anuais nos cargos de direção das maiores organizações.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Mais de metade dos quadros executivos europeus está insatisfeita com o seu atual pacote salarial, razão pela qual muitos planeiam mudar de emprego nos próximos cinco anos. O cenário é descrito num novo estudo da consultora de recursos humanos Page Executive, a que o ECO teve acesso em primeira mão.

“Em média, menos de metade (48%) de todos os executivos da Europa Continental afirmou estar satisfeita com o pacote salarial, contra 51% a nível global”, lê-se no estudo “Tendências salariais 2025”, que tem por base as respostas de 4.500 executivos de vários setores de todo o mundo, incluindo 1.700 na Europa.

A insatisfação com o vencimento é mesmo apontada por 75% dos executivos como o principal motivo para procurar novas oportunidades, sendo que, no total, seis em cada dez dos quadros consultados (61%) mostraram vontade de mudar de emprego nos próximos cinco anos.

A insatisfação profissional é outro dos principais motivos na base dessa vontade, com 88% dos inquiridos a confessarem frustração com as funções correntes.

São sinais de uma “tendência preocupante para as organizações que pretendem reter os melhores talentos executivos“, frisa a Page Executive neste novo estudo.

“Os resultados destacam um desafio crítico para as empresas na retenção de talentos executivos de topo”, sublinha Anthony Thompson, CEO da Page Executive. “Os líderes continuam à procura de oportunidades de desenvolvimento profissional e de carreira, enquanto o reconhecimento financeiro, sem surpresa, continua a ser um fator determinante“, acrescenta o responsável.

As empresas, para poderem evoluir, devem avaliar constantemente a forma como envolvem, recompensam e motivam os seus executivos, para atrair e reter os melhores talentos.

Pedro Borges Caroço

Head da Page Executive Portugal

Esta tendência tem reflexo também em Portugal, com Pedro Borges Caroço, head do braço nacional da Page Executive Portugal e diretor na Michael Page, a salientar que “a concorrência por líderes excecionais é muito forte” a nível nacional.

“As empresas, para poderem evoluir, devem avaliar constantemente a forma como envolvem, recompensam e motivam os seus executivos, para atrair e reter os melhores talentos”, defende o responsável português.

Regime híbrido aumenta satisfação

O estudo do Page Executive vai além do pacote salarial e conclui que os executivos europeus que têm a opção de trabalhar remotamente, pelo menos, dois dias por semana estão mais satisfeitos no emprego do que aqueles que têm de cumprir as suas funções presencialmente todos os dias.

“Os executivos com a opção de trabalhar remotamente, pelo menos, dois dias por semana estão 25% mais satisfeitos nas suas funções do que aqueles sem acordos de trabalho híbridos”, detalha a consultora de recursos humanos.

Nota, porém, que neste momento apenas 15% destes quadros não têm acesso a acordos de trabalho híbrido. Em comparação, a média global é de 25%. Ou seja, o regime híbrido tem mais incidência na Europa do que no conjunto dos países analisados.

Além da política de trabalho flexível, os executivos europeus “dão uma maior importância ao carro da empresa (68%), quase 20% acima da média global”. E o seguro de saúde “continua a ser uma prioridade global (52%), enquanto 39% refere a participação nos lucros“, é destacado no estudo.

Quanto ganham os executivos em Portugal?

O novo estudo da consultora de recursos humanos Page Executive traça também as tendências salariais em Portugal, realçando por exemplo que, na indústria, numa empresa com um volume de negócios superior a 250 milhões de euros, um chief human resources officer aufere atualmente de um salário que chega a 500 mil euros.

No caso do setor industrial português, a Page Executive indica que as empresas “procuram executivos com elevada agilidade operacional, experiência em otimização de processos e capacidade para liderar redes internacionais complexas“.

“À medida que as indústrias avançadas se expandem, cresce a procura por líderes que aliam visão estratégica a conhecimento técnico profundo em áreas como automação, energia e agronegócio“, frisa a consultora.

Neste setor, a atração e retenção dos melhores talentos “dependem de uma remuneração competitiva e flexível“, sendo que, como referência, nas grandes empresas com um volume de negócios superior a 250 milhões de euros, “a função de chief human resources officer tem uma remuneração salarial entre 120 e 500 mil euros e variável entre 20-50%“.

"No consumo e retalho, as empresas procuram líderes que aliem visão estratégica a uma elevada capacidade de adaptação, capazes de orientar equipas híbridas e impulsionar o desempenho em contextos de incerteza.”

Page Executive

Já no consumo e retalho, as empresas procuram “líderes que aliem visão estratégica a uma elevada capacidade de adaptação, capazes de orientar equipas híbridas e impulsionar o desempenho em contextos de incerteza“.

“Como referência salarial, nas grandes empresas com receitas superiores a 250 milhões de euros, a função de diretor-geral/CEO/country manager tem uma remuneração entre 150 mil a 350 mil euros anuais e variável entre 20-40%”, declara a Page Executive.

No setor financeiro, a referência salarial é semelhante, mas a remuneração variável é mais robusta. “Como referência, nas grandes empresas com um volume de negócios superior a 250 milhões de euros, a função de CFO tem uma remuneração salarial entre 120 e 350 mil euros e variável entre 20-100%“, revela o novo estudo.

De notar que, neste setor, as empresas procuram hoje “executivos capazes de interpretar dados complexos com agilidade, colaborar de forma transversal com todas as áreas do negócio e orientar a tomada de decisões em contextos de elevada volatilidade“.

"Os líderes financeiros em Portugal estão a assumir papéis cada vez mais estratégicos, com o CFO a emergir como um sucessor natural do CEO.”

Page Executive

“Competências em inteligência artificial, ESG e proteção de dados estão a tornar-se elementos centrais no perfil da nova liderança financeira. À medida que a incerteza continua a influenciar as decisões de contratação, cresce a procura por CFOs que combinem o rigor financeiro com uma mentalidade orientada para o futuro“, argumenta a Page Executive, que afirma que o CFO está mesmo a emergir como “sucessor natural” do CEO.

Da tecnologia à saúde

No setor tecnológico em Portugal, a Page Executive indica que se espera que os líderes seniores “impulsionem a inovação enquanto gerem eficazmente a mudança, combinando uma forte mentalidade analítica com agilidade estratégica”.

“Uma tendência determinante na contratação e remuneração de executivos é a crescente valorização da capacidade de comunicar de forma clara com diferentes partes interessadas e de se adaptar rapidamente a contextos em constante transformação“, sublinha a consultora.

E como referência, nas grandes empresas com um volume de negócios superior a 250 milhões de euros, aponta que a função de chief technology officer (CTO) tem uma remuneração salarial a começar nos 90 mil euros, podendo ultrapassar os 200 mil euros, correspondendo a remuneração variável entre 20 e 30%.

"Nos cuidados de saúde e ciências da vida, as empresas procuram executivos ágeis e resilientes, capazes de combinar conhecimento científico com fluência digital, domínio regulatório e visão estratégica de negócio.”

Page Executive

Já no setor dos cuidados de saúde e ciências da vida, as empresas procuram hoje em Portugal “executivos ágeis e resilientes, capazes de combinar conhecimento científico com fluência digital, domínio regulatório e visão estratégica de negócio”.

“Como referência, nas grandes empresas com um volume de negócios superior a 250 milhões de euros, a função de CEO tem uma remuneração salarial entre 140 e 220 mil euros e variável entre 30-40%“, é mencionado no estudo “Tendências salariais 2025”.

Em comparação, no setor legal em Portugal, a Page Executive argumenta que os perfis executivos atuais “vão muito além do advogado tradicional, combinando experiência jurídica e regulatória com perspicácia comercial e uma sólida compreensão da gestão de riscos”.

"À medida que a função jurídica se integra cada vez mais na tomada de decisões corporativas, a competição por talento torna-se mais intensa. Em resposta, as empresas têm adotado pacotes de remuneração mais atrativos e incentivos de longo prazo.”

Page Executive

“À medida que a função jurídica se integra cada vez mais na tomada de decisões corporativas, a competição por talento torna-se mais intensa. Em resposta, as empresas têm adotado pacotes de remuneração mais atrativos e incentivos de longo prazo, valorizando especialmente a inovação e a capacidade de liderar num ambiente regulatório em rápida transformação”, lê-se no estudo.

“Como referência, nas grandes empresas com um volume de negócios superior a 250 milhões de euros, a função de counsel tem uma remuneração salarial entre 100 e 160 mil euros e variável entre 10-20%“, remata a Page Executive, no estudo consultado pelo ECO.

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