BRANDS' ECO A medicina preventiva como objeto de inovação clínica e digital

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  • 18 Novembro 2025

Ana Sofia Corredoura, especialista em Medicina Interna e diretora do Atendimento Urgente do Hospital da Luz Lisboa, foi a responsável clínica de um dos projetos de inovação mais recentes da Luz Saúde.

Num contexto em que os seres humanos vivem cada vez mais anos, a aposta na medicina preventiva torna-se essencial. Foi neste cenário que nasceu um dos projetos de inovação mais recentes da Luz Saúde, dedicado a desenvolver novas ferramentas digitais que apoiem uma abordagem mais proativa e personalizada à saúde.

À frente da vertente clínica do projeto está Ana Sofia Corredoura, especialista em Medicina Interna e atual diretora do Atendimento Urgente do Hospital da Luz Lisboa. A iniciativa juntou profissionais de várias áreas, entre as quais está a engenharia de sistemas, o departamento jurídico, bem como por cientistas de dados, e contou ainda com a colaboração de uma startup tecnológica, numa verdadeira convergência entre medicina e inovação digital.

Em que consistiu este projeto?

Este é um projeto de medicina preventiva e surgiu face ao contexto atual da Saúde, em Portugal e no mundo ocidental, temos cada vez mais uma população envelhecida e que vive mais tempo. E há um tema paralelo que é este: vivemos mais anos, mas frequentemente vivemos com menos saúde e menor qualidade de vida. Por isso, o projeto procura conseguir contribuir para que estes anos de esperança de vida que temos vindo a ganhar sejam passados com mais qualidade de vida e autonomia.

Se a medicina preventiva tem como objetivo prevenir doenças, é uma medicina orientada para idades mais jovens? No entanto, aquilo de que está a falar tem a ver com uma população mais idosa…

Todos nós fazemos uma excelente prevenção da doença na idade pediátrica. Os calendários de consultas e de exames, durante a infância, são cumpridos escrupulosamente, e bem, pelos pais. Mas depois, a partir da adolescência e até quase ao final da vida profissional, as pessoas esquecem-se completamente da sua saúde. Ora, nós, médicos, já sabemos que, se se fizerem determinadas intervenções em diferentes fases da vida, provavelmente acontece um desfecho diferente daquele que estamos habituados a assistir: pessoas idosas, mais doentes, com pior qualidade de vida. Por que razão não acontece?

Nós conhecemos as principais causas de mortalidade e morbilidade: as doenças cardiovasculares, as doenças respiratórias, o cancro, a diabetes e a doença mental. E também conhecemos uma série de fatores de risco que contribuem para o aparecimento destas doenças, como a obesidade, o tabagismo, ou o sedentarismo. Ora, se nós conseguirmos controlar estes fatores de risco, vamos diminuir a carga de doença e, claro, a mortalidade.

Só para terem uma ideia, o tabaco contribui para cerca de seis das principais causas de doença e morte. Em Portugal, mais de 25% da população fuma, 80% da população não pratica exercício, e somos o país da Europa com o mais elevado consumo de álcool. Se conseguirmos controlar estilos de vida ou incutir na população a aquisição de hábitos de vida saudáveis – alimentação saudável, evitar o álcool e o tabaco, dormir bem, controlar o stress, praticar exercício físico – conseguimos atuar mais cedo sobre a doença e, consequentemente, sobre a mortalidade. Este é o principal objetivo do nosso projeto de medicina preventiva.

Procurámos encontrar e construir uma série de programas estruturados, multidisciplinares, com vários profissionais envolvidos e recorrendo a ferramentas digitais que facilitam a comunicação e a ligação direta entre as pessoas e os profissionais de saúde. E tudo isto com o propósito de conseguir levar a uma mudança de hábitos e de comportamentos.

Qual o papel da startup envolvida?

Tínhamos como objetivo construir programas inovadores e multidisciplinares, no âmbito dos estilos de vida, e começámos por trabalhar com os profissionais do Hospital da Luz dedicados às diferentes áreas. Criámos, em conjunto, as jornadas clínicas e identificámos o que é importante para o diferentes destinatários, ou seja, para a pessoa que quer deixar de fumar, que quer gerir melhor o seu peso, que quer dormir melhor ou que quer manter a prática regular de exercício. Foi definido um conjunto de objetivos concretos para as pessoas que aderem a determinado programa e um tempo associado para os cumprir.

Neste processo, customizámos a plataforma de uma startup, a Uphill, o que permitiu acelerar a implementação da nossa visão e requisitos clínicos. Desta forma, é agora possível acompanhar a jornada de cada pessoa dentro do programa, fornecendo-lhe indicações do que fazer em cada fase, alertas importantes, e partilhando mensagens de incentivo e motivação. Os profissionais de saúde envolvidos têm acesso a informação sobre a adesão e cumprimento dos objetivos, assim como outra informação clínica e não clínica partilhada pelo doente, o que facilita a decisão clínica e contribui para a melhor qualidade do serviço prestado.

Ana Sofia Corredoura, especialista em Medicina Interna e atual diretora do Atendimento Urgente do Hospital da Luz Lisboa
Como foi a experiência de ter de pensar e estruturar ferramentas de saúde em linguagem diferente da que está habituada - da medicina e do contacto direto com os doentes? Como foi sair da sua zona de conforto?

Desenhar a jornada clínica não é difícil. Eu sou médica e, para mim, tomar decisões clínicas e conversar com os colegas sobre isso não é um problema. Quando tive de transformar isto num projeto para todos entenderem, utilizarem e considerarem útil, esse é que foi o desafio. Outras questões como a confidencialidade dos dados, neste contexto de plataformas digitais, ou a digitalização dos processos, também foram desafiantes. Por isso, foi necessário um grande envolvimento desde o início das equipas jurídicas e de sistemas informáticos.

Sendo uma jornada clínica, coisa a que estou habituada, a verdade é que, neste contexto, tive de lidar com ferramentas que não são as habituais. E este foi também, pessoalmente, como médica, um desafio: perceber que ferramentas são estas, como vamos lidar com elas e que cuidados é que devemos ter.

Em algum momento, ao longo dessa jornada que é também digital, recebem o feedback das pessoas que estão a cumprir os Programas?

Esse feedback é absolutamente essencial. Por um lado, para validarmos a eficácia de cada um dos Programas, na perspetiva da pessoa que os está a realizar. Está a ter resultados? Está a conseguir deixar de fumar? Sente-se melhor? Por outro, a participação e o envolvimento da pessoa no processo em concreto de promoção da sua saúde é uma das chaves mestras daquilo a que chamamos medicina preventiva. Logo, seria sempre fundamental darmos, quer aos profissionais que estão a acompanhar o cumprimento dos Programas, quer a cada uma das pessoas que os está a executar, margem para ir adaptando o processo ao caso concreto.

Com este objetivo, o que fizemos foi aplicar os princípios do Value Based Healthcare (VBH) a estes programas de medicina preventiva, definindo, desde o início, PROMs (Patient-Reported Outcome Measures) e PREMs (Patient-Reported Experience Measures). Os PROMs dão-nos indicações deste tipo: além de deixar de fumar, a pessoa valorizou outras características do Programa de Cessação Tabágica que levaram a alterações do seu bem-estar, por exemplo, ‘agora, já consigo subir escadas’, ‘durmo melhor’, ‘a minha pele está melhor’… Através dos PROMs nós podemos verificar o cumprimento de objetivos importantes na jornada, e que são valorizados de forma diferente por cada pessoa.

Já os PREMs têm a ver com a tal personalização dos Programas e com a experiência do cliente ao longo da sua jornada clínica, durante os diversos contactos connosco, as consultas, os exames ou no cumprimento de outras tarefas. A resposta do lado de quem está a fazer o Programa é essencial para conseguirmos ajustar e adaptar, caso a caso, à idade e aos objetivos de cada um.

Como é que recebem este feedback de cada pessoa? Através da mesma ferramenta digital?

As ferramentas de PROMs e PREMs são feitas a partir de questionários que estão científica e clinicamente validados para a população portuguesa. O seu conteúdo, no contexto deste projeto, envolveu as equipas que trabalham em Valor em Saúde na Luz Saúde. E o que fizemos, em conjunto com essas equipas, foi adaptar a plataforma de PROMs e PREMs que já existia na Luz Saúde.

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