Operação Marquês: Sócrates está novamente sem advogado

O advogado José Preto pediu a renúncia do mandato. O julgamento da Operação Marquês prossegue esta terça-feira mas o arguido está a ser representado por uma advogada oficiosa.

José Sócrates acabou de perder, de novo, o advogado. Segundo o que o ECO confirmou junto de fonte do processo, o advogado José Preto – que tinha aceite o mandato forense a 25 de novembro – acabou de renunciar ao mesmo. O julgamento da Operação Marquês foi esta terça-feira retomado, mas com José Sócrates a ser representado pela advogada oficiosa Ana Velho. O advogado José Preto tinha estado internado na sequência de uma pneumonia e, apesar de já ter tido alta, o arranque do julgamento, esta terça-feira, 13 de janeiro, fez-se com a advogada oficiosa.

“Não posso permitir que a minha situação clínica seja usada para fragilizar a defesa do arguido através da nomeação de uma advogada oficiosa. Não posso consentir que a minha incapacidade temporária sirva para não permitir as garantias de defesa de José Sócrates”, disse José Preto, à saída do tribunal. “Não posso pedir a um colega meu, sem critério, que represente a posição que estou impedido de representar em sala de audiência. Outro colega que não esteja na audiência seria devolver a terceiro o problema que era meu que eram os dez dias para analisar este processo”, disse José Preto. “Eu fiz isto para proteger José Sócrates”, diz o advogado. “Eu não tenho nenhum problema com o engenheiro José Sócrates. Isto é uma tarefa de capital importância e assumirei de volta desde que a minha presença não prejudique o arguido. Se o tribunal ponderasse e tivesse algum regresso à razoabilidade, não vejo objeções a continuar, pelo contrário”. Concluindo: “eu tenho de ter tempo para o processo. O que me preocupa é que o arguido não pode estar sem defesa. E o meu período estimado de recuperação são ainda de 15 dias”.

O advogado é conhecido por ter representado figuras envolvidas em processos mediáticos, como Bruno de Carvalho, numa providência cautelar contra a direção do Sporting. Também se destacou por intervenções públicas em casos como o julgamento de Frederico Carvalhão Gil, o ex-agente do SIS condenado por espionagem.

“Não posso pedir a um colega meu, sem critério, que represente a posição que estou impedido de representar em sala de audiência. Outro colega que não esteja na audiência seria devolver a terceiro o problema que era meu que eram os dez dias para analisar este processo. Eu fiz isto para proteger José Sócrates. Eu não tenho nenhum problema com o engenheiro José Sócrates. Isto é uma tarefa de capital importância e assumirei de volta desde que a minha presença não prejudique o arguido. Se o tribunal ponderasse e tivesse algum regresso à razoabilidade, não vejo objeções a continuar, pelo contrário”.

No início de novembro, o advogado de José Sócrates, Pedro Delille, renunciou ao mandato de defensor do antigo primeiro-ministro, tendo o tribunal ordenado a nomeação de um advogado oficioso para assegurar a defesa do ex-governante.

Pedro Delille representava José Sócrates sensivelmente desde que o antigo primeiro-ministro (2005-2011) foi detido no aeroporto de Lisboa, em novembro de 2014, tendo em sua substituição sido nomeado o advogado oficioso José Ramos.

José Sócrates, de 68 anos, está pronunciado (acusado após instrução) de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar em dossiês distintos o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o ‘resort’ algarvio de Vale do Lobo.

No total, o processo conta com 21 arguidos, que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que lhe são imputados.

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