Novas e velhas profissões em que passou a ser conveniente ter seguro

  • Carolina Neves Carvalho
  • 24 Novembro 2025

Os tempos são outros. Passear cães e dar aulas de ioga são algumas das profissões sujeitas a riscos para os clientes, por isso, os profissionais devem trabalhar pelo seguro.

Em Portugal, até um dador de sangue, um guarda-noturno ou um caçador pode ser legalmente obrigado a ter um seguro — uma realidade pouco conhecida, mas que resulta diretamente da lei. A legislação portuguesa determina que várias profissões e atividades, sobretudo quando há risco de negligência ou de perdas económicas, têm de estar protegidas por um seguro.

Médicos, arquitetos e advogados são alguns dos exemplos mais conhecidos desta obrigatoriedade. Porém, a lista é bem mais extensa. Segundo a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), também notários, bolseiros de investigação, operadores portuários e outros profissionais menos óbvios estão abrangidos por seguros obrigatórios, devido à natureza sensível das suas funções.

Para além das atividades com seguro obrigatório, a seguradora Hiscox identificou um conjunto de profissões técnicas emergentes que, apesar de não estarem legalmente obrigadas, deveriam considerar contratar um seguro de Responsabilidade Civil Profissional. A crescente exposição a riscos específicos transforma estas atividades em potenciais focos de litígios.

Entre as profissões apontadas pela seguradora estão passeadores de cães, amas, instrutores de ioga, sommeliers, personal shoppers e profissionais de micropigmentação. Todas partilham um elemento comum: o contacto direto com clientes e a possibilidade de ocorrência de erros ou incidentes que podem gerar reclamações.

Diferentes profissões apresentam níveis de risco distintos”, explica a seguradora ao ECOseguros, que diz ter soluções adaptadas “a mais de 200 atividades profissionais”. Por isso, a proteção deve ser ajustada à atividade desempenhada.

Mas afinal, como é calculado o valor dos prémios para cada uma dessas profissões? No momento de definição do preço, contam fatores como:

  • a atividade exercida;
  • o volume de faturação anual da empresa;
  • e o limite de cobertura pretendido.

Para pequenas empresas com faturação semelhante à média das PME portuguesas, os prémios começam “a partir de 200 euros” por ano. Atividades mais técnicas, ou com maior contacto com o consumidor, tendem a ter prémios superiores, devido ao risco acrescido de reclamações.

Marketing, comunicação e publicidade: riscos menos óbvios, mas reais

Profissionais das áreas de marketing, publicidade e comunicação também podem beneficiar deste tipo de seguro. A Hiscox destaca que a sua cobertura contempla situações como:

  • incumprimento contratual, por exemplo, quando uma campanha não é lançada a tempo devido a um erro estratégico;
  • erros ou omissões profissionais, como falhas de design ou produção de materiais;
  • violação de direitos de propriedade intelectual, decorrente da utilização indevida de conteúdos protegidos.

Nestes casos, o seguro pode cobrir não só as “despesas de defesa legal”, como também “eventuais indemnizações” que o profissional ou a empresa possam vir a enfrentar.

Seguros personalizados

Quando um profissional comete erros no seu trabalho, os seguros de responsabilidade civil servem como uma rede de apoio e, por isso, devem estar ajustados às necessidades de cada profissão.

Um dos sinistros citados pela Hiscox, é a história de um fotógrafo contratado para fotografar um casamento. “Por um problema na configuração da câmara fotográfica, todas as fotografias foram apagadas. Os recém-casados reclamaram ao fotógrafo, a título de danos morais, pelo facto de terem ficado sem registo de um dia tão especial. E o segurado foi condenado a pagar uma indemnização”, explicaram.

Situações como esta mostram como uma falha técnica ou humana pode ter impacto financeiro significativo — e a necessidade de ter um seguro adequado às necessidades específicas.

Neste caso, o papel dos mediadores torna-se decisivo pois “analisam detalhadamente a atividade do profissional ou da empresa, identificam os riscos específicos do setor e aconselham sobre a cobertura mais adequada”, minimizando assim os riscos para o segurado.

“Os mediadores de seguros desempenham um papel fundamental”, pois além de “ajudarem as empresas a identificar os riscos mais relevantes e a escolher a cobertura mais adequada”, conseguem também “esclarecer todas as opções disponíveis, garantindo uma decisão mais informada e segura, reduzindo surpresas e aumentando a tranquilidade no dia-a-dia”, defende a Hiscox.

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