Depósitos retomam desaceleração em outubro com impacto dos Certificados

Em outubro prosseguiu a tendência de abrandamento nos depósitos bancários dos particulares, que estará associado à maior remuneração dos Certificados e maior investimento em fundos.

Os depósitos das famílias voltaram a perder gás em outubro, perante a ‘concorrência’ dos Certificados de Aforro e dos fundos de investimento. Neste mês, o montante depositado pelos particulares nos bancos residentes cresceu 4,4% face ao mesmo mês de 2024, retomando a tendência de desaceleração iniciada há cerca de um ano, somente interrompida por uma estabilização observada em setembro.

A informação foi divulgada esta quinta-feira pelo Banco de Portugal e mostra que 2025 foi um ano de crescimento, mas principalmente de abrandamento para os depósitos bancários (ver gráfico). A tendência pode sinalizar uma maior apetência dos portugueses pelo investimento em detrimento dos depósitos a prazo com retornos magros.

“Esta desaceleração poderá estar associada à remuneração destes depósitos e ao aumento das subscrições líquidas de Certificados de Aforro e da detenção de unidades de participação em fundos de investimento”, explica a própria instituição liderada por Álvaro Santos Pereira.

Taxa de variação homóloga mensal do stock de depósitos de particulares nos bancos residentes:

Fonte: Banco de Portugal

Falando de números concretos, o stock de depósitos de particulares nos bancos residentes aumentou 398 milhões de euros em outubro face a setembro, totalizando 197,5 mil milhões de euros.

Importa referir também que, apesar da travagem registada ao longo do ano, o montante de depósitos de particulares é historicamente elevado e, em outubro, ficou muito perto de bater o recorde atingido em julho. Nesse mês de verão, os portugueses tinham 197,8 mil milhões depositados junto da banca, um valor nunca antes visto.

Estas variações acontecem num período em que os Certificados de Aforro estão novamente a ganhar ritmo. Em dezembro, a taxa de juro paga por este produto de poupança do Estado atingirá 2,057%, mais 0,013 pontos percentuais do que no atual mês de novembro. Trata-se do quarto mês consecutivo de aumento da remuneração base deste instrumento. Em termos de stock, os Certificados caminham também para atingir os 40 mil milhões de euros até ao final do ano.

Enquanto isso, os dados mais recentes do Banco de Portugal, referentes a setembro, continuam a pagar pior do que os Certificados. O juro médio dos novos depósitos dos particulares nesse mês foi de 1,34%, enquanto a média do euro era de 1,78%.

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