Governo cria centro de resposta para as crises
Depois do apagão, o Conselho Ministros decidiu aprovar a criação de um organismo que será acionado pelo primeiro-ministro perante crises de ordem natural, de fonte humana ou cibernética.
O Executivo criou o Centro de Resposta para as Crises do Governo (CORGOV) que será acionado pelo primeiro-ministro perante crises de fonte natural, de origem humana, cibernética ou digital, anunciou esta sexta-feira o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, no final do briefing do Conselho de Ministros. A solução surge depois do apagão elétrico que afetou Portugal.
“O CORGOV é um mecanismo, uma célula de coordenação que é ativada quando se identifica que se está a iniciar uma crise”, explicou o ministro da Presidência. O “investimento será residual” e advém do orçamento da secretaria-geral do Governo, indicou, acrescentando que esse centro será constituído por uma “equipa pequena”, sem querer detalhar mais por questões de segurança.
O ministro frisou que a aprovação deste instrumento não significa que se alterem e desapareçam “as responsabilidades operacionais das várias entidades, como a proteção civil, a emergência médica, as responsabilidades militares ou o Sistema de Segurança Interna”.
Sem nunca se referir diretamente ao apagão energético de abril, o ministro da Presidência admitiu que o Governo foi confrontado, nesse episódio, com a ausência de “um processo planeado de coordenação política da crise e de comunicação política da crise”.
“Quando não se têm processos planeados, a alternativa é improvisar quer esse processo de coordenação política, quer o processo de comunicação”, disse.
Leitão Amaro defendeu, pelo contrário, que “Estados bem organizados, Governos bem estruturados, têm um processo de coordenação da tomada das principais decisões, da chefia, da cadeia de decisão, dos tempos, dos avisos, da interlocução com outras entidades relevantes”.
“A mesma coisa com a comunicação política. Nós podemos, como fizemos recentemente, ter a intuição de nos dirigirmos imediatamente para a antena do rádio, o que até fizemos como improviso num episódio passado, mas é importante que isto aconteça de forma coordenada, planeada, de forma profissional”, disse.
Para o CorGov, explicou, o Governo inspirou-se em modelos de outros países. “O Governo português tem o que não tinha antes, que é esta preparação que dá mais segurança e garantias aos cidadãos”, afirmou, defendendo que “é em momento de paz que se preparam as crises”.
(Notícia atualizada às 18h26)
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