Altri pagou mais de 50 milhões para ir às compras na Suíça e em Espanha

Produtora de pasta de papel fechou aquisições para reforçar investimento nas fibras têxteis sustentáveis e nas fontes de fornecimento de madeira, num ano em que os lucros estão a cair 86%.

O valor das aquisições fechadas pelo grupo Altri de uma participação de 58,7% na suíça AeoniQ e da totalidade do capital de duas empresas florestais na Galiza, ambas concretizadas durante este ano, ascenderam a 51,3 milhões de euros. O montante investido não tinha sido divulgado pela papeleira quando anunciou estes negócios.

A compra da posição maioritária na cleantech suíça, que foi apresentada como “um passo decisivo para a entrada no setor dos têxteis sustentáveis”, incluiu a compra de uma participação inicial de 30% à HeiQ Materials AG por 10,5 milhões de euros, seguida da subscrição de novas ações através de um aumento de capital no valor de 25 milhões.

No entanto, como revela a papeleira no relatório financeiro relativo ao terceiro trimestre, consultado pelo ECO, este aumento de capital inclui quase 20 milhões de euros que “permanecem cativos numa escrow account, estando a sua libertação para a AeoniQ Holding AG condicionada à verificação dos resultados de testes operacionais”.

A empresa suíça desenvolveu o primeiro filamento celulósico biodegradável, projetado para substituir o poliéster e o nylon, e que diz estar “preparada para transformar a indústria têxtil global ao oferecer uma alternativa totalmente circular e livre de plásticos que reproduz o desempenho das fibras sintéticas, sem os seus impactos ambientais”.

Como parte do acordo concluído a 21 de julho, a primeira unidade industrial da AeoniQ a nível mundial vai ser construída no complexo da Caima, em Constância. O CEO José Soares de Pina já contabilizou um investimento inicial a rondar os 90 milhões de euros e estimou a criação de mais de 100 postos de trabalho.

Fábrica da Caima em ConstânciaAltri

A construção dessa fábrica está prevista ter “início entre 2026 e 2027”, com uma capacidade inicial de 1.750 toneladas por ano. Além das linhas piloto já existentes na Áustria, será igualmente lançada uma unidade pré-industrial em Portugal, já no próximo ano, para “acelerar os protótipos, parcerias com marcas e coleções cápsula”.

A gigante de moda alemã Hugo Boss e a MAS Holdings, a maior fabricante de vestuário técnico do Sul da Ásia, mantêm-se como coinvestidores na empresa, que tem como parceiros de desenvolvimento as portuguesas Riopele, Impetus e Lameirinho. Os direitos exclusivos de distribuição foram entregues à The Lycra Company.

No anúncio da operação, a 1 de julho, o grupo português destacou a “experiência industrial” da Altri nesta joint-venture, num projeto que beneficia da integração vertical da fibra de eucalipto até ao fio acabado, e que prevê a posterior incorporação de matérias-primas recicladas, como resíduos têxteis de algodão, resíduos agrícolas e celulose bacteriana derivada de desperdício alimentar.

Para financiar a conversão da Biotek, em Vila Velha de Ródão, que vai passar a fabricar fibras solúveis destinadas sobretudo à indústria têxtil, mas também aplicadas nos setores farmacêutico e alimentar, a papeleira emitiu 50 milhões de euros em obrigações verdes, com uma maturidade a sete anos, numa operação totalmente subscrita pela Caixa Geral de Depósitos.

16 milhões na Galiza com megaprojeto industrial em espera

Da Suíça para Espanha, a outra aquisição com que a Altri avançou este ano, num período de nove meses em que as tarifas dos EUA, a depreciação do dólar e os preços da pasta afundaram os lucros para 12,4 milhões, resultou de um acordo assinado com a Smarttia para a compra da Greenalia Forest, uma das principais empresas do setor florestal na Galiza, e também da Greenalia Logistics.

Apontado pela própria compradora como “um passo estratégico na consolidação da sua presença” nesta região espanhola em que continua a aguardar aprovação política e financiamento para a construção de um polémico megacomplexo industrial, o valor de aquisição ascendeu, à data, a cerca de 15,8 milhões de euros, dos quais 6,7 milhões relativos a dívida assumida pelo grupo português, mostram as contas trimestrais.

Anunciada em janeiro e concluída em maio, a tomada de controlo sobre as antigas Greenalia Forest e Greenalia Logistics, entretanto renomeadas Altri Forestal e Altri Forestal Logistics, pretendeu “reforçar as atuais fontes de fornecimento de madeira do grupo para o processo de produção de fibras celulósicas”, resume no mesmo documento.

“O grupo continuará a colaborar com fornecedores locais que adotem as melhores práticas de gestão florestal, promovendo a criação de emprego e impulsionando o aumento da produtividade florestal atual na Galiza, bem como o desenvolvimento económico e social da comunidade autónoma”, salienta a Altri no relatório partilhado com os investidores.

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