Continente abre mais 100 lojas com 3.000 empregos e dispensa “meter-se em problemas” no estrangeiro

Sonae MC prepara expansão do negócio de saúde e beleza para fora da Península Ibérica, mas recusa internacionalizar o retalho alimentar depois dos insucessos no Brasil e em Angola.

O Continente vai abrir mais 20 lojas por ano nos próximos cinco anos, prevendo chegar a 2030 com perto de 500 hipermercados e supermercados no país. Neste plano a cinco anos, a Sonae MC prevê ainda avançar com 150 remodelações (ao ritmo anual de 30 para “tratar do histórico”) e contratar mais 3.000 pessoas no país, afastando novas tentativas para internacionalizar a marca de retalho alimentar que reclama a liderança de mercado em Portugal.

A pouco dias de abrir duas lojas em Alijó e em Pombal, para fechar este ano com um total de 403, o CEO da Sonae MC adiantou que as primeiras aberturas em 2026, agendadas para janeiro, vão acontecer em Queluz, Alcântara, Campo de Ourique e Malveira. Luís Moutinho diz que “ainda há muito espaço para crescer em áreas urbanas”, sendo a Grande Lisboa “uma grande oportunidade”, assim como o Interior do país, “em zonas onde o Continente ainda não está”.

“A concorrência é forte e faz-nos correr ainda mais, mas não é por isso que estamos a expandir, mas porque antecipamos tendências e sentimos que a nossa marca tem de estar em sítios onde ainda não chegou e a zonas do país onde não temos os 27% [de quota de mercado a nível nacional]. Não abrimos lojas para fechar, o risco de investimento é grande. Mas conhecemos o país como ninguém e temos o Cartão Continente que permite saber onde estão os clientes”, justifica o gestor, que prevê ter os supermercados abertos e “operação normal” durante a greve geral desta quinta-feira.

O portefólio de espaços próprios é composto ao dia de hoje por 41 hipermercados Continente, 149 grandes supermercados Continente Modelo e 211 lojas de proximidade e conveniência Continente Bom Dia – de fora desta contabilidade estão os 300 Meu Super em franchising e numa “lógica de complementaridade que permite uma distribuição nacional onde nem com o Continente Bom Dia consegue chegar”. A retalhista nortenha só não está no formato discount, em que operam concorrentes internacionais como o Lidl ou a Mercadona, e que assume “não [querer] ter”.

CEO da Sonae MC, Luís Moutinho, na comemoração dos 40 anos do Continente de Matosinhos, o primeiro a abrirRicardo Castelo/ECO

Apresentado pelo líder da MC durante um encontro com jornalistas a propósito do dia em que se cumprem 40 anos da abertura do primeiro hipermercado Continente, em Matosinhos, em que também confirmou o aumento dos preços nas prateleiras em 2026, o plano de expansão até 2030 estará concentrado no conceito de proximidade e conveniência, atendendo a que “as pessoas querem comprar mais vezes, cabazes menores e perto de casa”.

“Nos hipermercados, que estão sob pressão, vamos defender o nosso negócio. Onde vamos crescer é um pouco no Modelo e muito no Continente Bom Dia”, resumiu o presidente da MC, unidade de negócios do conglomerado liderado por Cláudia Azevedo que fechou o último exercício com um volume de negócios de 7.619 milhões de euros e 44 mil colaboradores (dos quais 26 mil no Continente).

“Queremos proteger os hipermercados, mas não numa perspetiva defensiva, mas de reinvenção do conceito”, sublinhou Moutinho. Uma dessas estratégias tem passado, em alguns casos, por reduzir as áreas de venda porque “já não há espaço para trabalhar lojas tão grandes” e “para ser mais confortável para o cliente”. Foi o que fez, por exemplo, no Guimarães Shopping, no Gaia Shopping ou no centro comercial Colombo (Lisboa), onde o Continente já teve 17 mil metros quadrados e agora está reduzido a 11 mil.

Já no que toca ao Continente Online, que pesa atualmente à volta de 4% das vendas da companhia, duas vezes acima da taxa de penetração a nível nacional, Luís Moutinho reclama uma quota de 50% para a plataforma de e-commerce que a Sonae lançou em 2001 e em que o maior crescimento está a vir das encomendas com entregas rápidas e tickets muitos baixos. Moutinho relata que o online “está a crescer, mas, falando no alimentar, a experiência de compra em loja vai ser sempre muitíssimo superior”.

Expandir com beleza e sem Continente

Depois da má experiência no Brasil, de onde acabou por sair há duas décadas, e da entrada frustrada em Angola, em que chegou a ter uma parceria assinada com a empresária Isabel dos Santos, mas que não passou do papel e em que não chegou a investir, a Sonae afasta a possibilidade de fazer uma nova tentativa para internacionalizar a marca Continente. “O negócio de retalho alimentar, sobretudo no conceito que temos de um sortido alargado, é muito, muito local. Não entraremos em loucuras que nos possam fazer muito mal”, frisou o líder da MC.

“Se não vemos essa oportunidade de nos internacionalizarmos no negócio de retalho alimentar, não o queremos fazer. Não nos queremos meter em problemas”, insistiu Luís Moutinho, contrapondo que “crescer em Portugal já dá muito trabalho” e garantindo que não é por isso que ficam “tristes ou adormecidos” e ter “uma energia muito grande” para continuar a expansão apenas no mercado nacional.

Isto é um negócio muito local e não entraremos em loucuras que nos possam fazer muito mal. Mas não estamos tristes nem adormecidos, mas com uma energia muito grande para continuar o nosso caminho. Crescer em Portugal já dá muito trabalho.

Luís Moutinho

CEO da Sonae MC

Controlada pela Sonae (75%) e com o fundo CVC a deter uma participação de 25% desde 2021, a MC planeia investir 1.000 milhões de euros até ao final da década no conjunto dos negócios, em que se incluem, além do Continente, as três marcas dedicadas ao setor da saúde e da beleza.

A Wells, que tem mais de 300 lojas em Portugal; a Arenal que tem à volta de 70 em Espanha, e a Druni, que soma 430 lojas em Espanha e que acaba de trazer para Portugal: já abriu as primeiras no Porto, Braga, Aveiro, Viseu e está prestes a abrir também uma unidade em Almada.

E é precisamente com a marca Druni, que “tem hoje mais lojas e mais escala”, que a MC está a preparar os novos passos de internacionalização, para fora da Península Ibérica. “É o negócio que tem mais condições para se internacionalizar. Estamos a consolidar toda a integração entre Wells, Druni e Arenal, mas estamos a explorar novas oportunidades, novos países, novas geografias. Estamos numa fase de prospeção. Sem pressas e sem pausas”, apontou.

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