“Olhamos com bons olhos para Portugal” em 2026, diz a Blackrock
Portugal mantém-se no radar da Blackrock para o próximo ano, que destaca estabilidade política e o crescimento acima da média europeia, mas avisa que o desafio da produtividade continua em aberto.
A maior gestora de ativos do mundo renovou o seu voto de confiança em Portugal para o próximo ano na apresentação do Outlook para 2026. André Themudo, responsável pela Blackrock na Ibéria, destaca o “excecionalismo ibérico” e a estabilidade política nacional, mas deixa um alerta sobre a produtividade.
Num mundo onde a Inteligência Artificial obriga a “quebrar limites”, Portugal continua a ser olhado com “bons olhos” pela empresa de Larry Fink.
Se em julho a Blackrock falava num “otimismo renovado” para o mercado nacional, a mensagem para 2026 consolida essa visão, elevando Portugal ao estatuto de “caso de resiliência macroeconómica” num contexto europeu desafiante.
Não podemos ignorar alguns desafios em Portugal. [Vemos] ganhos de produtividade modestos em alguns setores de atividade.
“Olhamos com bons olhos para Portugal”, garantiu André Themudo durante a apresentação, sublinhando que a sociedade gestora norte-americana mantém a postura positiva que já detinha. Para a Blackrock, o mercado nacional beneficia de um quadro de estabilidade que contrasta com a incerteza vivida noutras geografias.
A visão da gestora norte-americana, que através dos seus fundos de investimento é um dos maiores investidores da bolsa nacional, assenta em quatro pilares fundamentais que sustentam este otimismo: crescimento económico acima da média da Zona Euro, inflação controlada face aos pares europeus, um mercado acionista que se tem mostrado dinâmico e o turismo, que persiste como o grande “motor de atividade”.
Enquanto o ‘coração’ industrial da Europa (leia-se Alemanha) tenta recuperar o fôlego, a Península Ibérica destaca-se pela robustez. “É um quadro bastante positivo para a Ibéria, não só Espanha, mas também para Portugal”, referiu o responsável.
Para a Blackrock, o tempo de comprar o índice inteiro (gestão passiva cega) pode estar a chegar ao fim. “Achamos que cada vez mais estamos num ambiente de gestão ativa”, defede André Themudo.
No entanto, nem tudo são rosas na análise da gestora que administra biliões de dólares em ativos sobre Portugal. Se a estabilidade política é vista como um trunfo — um ponto que ganha relevância face à fragmentação política noutros países europeus –, há um desafio estrutural que continua a travar um maior potencial de crescimento: a produtividade.
“Não podemos ignorar alguns desafios em Portugal. [Vemos] ganhos de produtividade modestos em alguns setores de atividade”, alertou André Themudo, sublinhando ainda que a “dívida pública ainda é elevada quando comparada com outras economias” e há ainda o desafio do “envelhecimento da população, divida publica ainda elevada.
Para a Blackrock, o cenário favorável “exige uma gestão prudente e reformas contínuas, num olhar atento”, sinalizando que o crescimento baseado apenas no turismo e no consumo pode não ser suficiente a longo prazo sem ganhos de eficiência real na economia.
Esta leitura está em linha com a posição que a gestora já tinha assumido em julho, aquando da apresentação do Mid-Year Outlook. Na altura, a Blackrock já destacava os mercados periféricos como fontes de oportunidades sólidas, mas a tónica agora coloca-se na necessidade de selecionar vencedores, num ambiente onde a “maré não sobe para todos os barcos”.
Inteligência Artificial a “quebrar limites”
O otimismo com Portugal surge enquadrado num cenário global que a Blackrock define no seu Outlook para 2026 como de “Pushing limits” (Quebrar limites). O tema central nos mercados e na economia mundial para o próximo ano continua a ser a Inteligência Artificial (IA) e a forma como esta “megaforça” está a transformar a economia real.
A gestora estima que o investimento acumulado em infraestruturas de IA possa atingir entre cinco biliões a oito biliões de dólares (trillions, na nomenclatura anglo-saxónica) até 2030. “A inteligência artificial está a transformar a tecnologia numa atividade muito mais intensiva em capital”, explicou Themudo, notando que este não é apenas um tema tecnológico, mas também energético e geopolítico.
Para Portugal, a mensagem da Blackrock é de confiança, mas com trabalho de casa para fazer. O país continua no radar dos grandes investidores, mas a liquidez global vai procurar cada vez mais eficiência, destaca a sociedade gestora.
Para a Blackrock, o tempo de comprar o índice inteiro (gestão passiva cega) pode estar a chegar ao fim. “Achamos que cada vez mais estamos num ambiente de gestão ativa”, defendeu Themudo, argumentando que será crucial “diferenciar entre vencedores e perdedores”, tanto entre quem constrói a infraestrutura de IA como entre as empresas que a vão utilizar para efetivamente aumentar a sua produtividade.
Numa Europa que procura recuperar competitividade através dos relatórios Draghi e Letta, a Blackrock identifica três setores preferenciais no “Velho Continente” que podem beneficiar deste novo ciclo:
- Setor financeiro: Beneficia de balanços mais sólidos e taxas de juro que, embora a descer, se mantêm em níveis que permitem margens saudáveis.
- Infraestruturas: Cruciais para a transição energética e para alimentar os data centers da IA.
- Saúde: Um setor defensivo com crescimento estrutural devido ao envelhecimento populacional.
Para Portugal, a mensagem da Blackrock é de confiança, mas com trabalho de casa para fazer. O país continua no radar dos grandes investidores, mas a liquidez global vai procurar cada vez mais eficiência, destaca a sociedade gestora.
Como resumiu André Themudo, Portugal tem a estabilidade e o crescimento, mas precisa de garantir que não perde o comboio da produtividade na era da inteligência artificial.
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