Apoio do Estado à Formula 1 é “largamente compensado por impostos diretos”, confia Turismo do Algarve
Turismo do Algarve assegura que investimento do Estado na F1 será pago com os impostos diretos gerados. Para a corrida “congénere” em duas rodas, o Moto GP, há negociações para prolongar até 2029.
A indústria do turismo no Algarve está preparada para a chegada dos fãs da Fórmula 1 a Portugal em 2027 e 2028, fruto de um trabalho que vem de há “longo tempo”, assegura André Gomes, presidente da Região de Turismo do Algarve.
A data do evento será conhecida “em breve”, explica o presidente do Turismo do Algarve, que, tal como o ministro da Economia avançou esta manhã, antevê a realização durante a “janela europeia”.
No período da Fórmula 1 no Autódromo do Estoril, entre 1984 e 1996, a prova realizou-se, na maioria das edições, em setembro ou outubro. Em 2020, quando o calendário mundial teve de ser reajustado devido aos constrangimentos da pandemia — razão pela qual Portimão recebeu a modalidade rainha do automobilismo –, a prova foi realizada em outubro. Já em 2021, decorreu de 30 de abril a 2 de maio.
A realização da prova no primeiro semestre daria um contributo ao turismo na designada época baixa, tal como outra prova com grande impacto realçada por André Gomes, a Volta ao Algarve em bicicleta. Um evento de início de época ciclística internacional que traz geralmente os maiores nomes do ciclismo além-fronteiras, mais até do que a Volta a Portugal em bicicleta.

“É uma excelente notícia para o Algarve e para Portugal. Vem confirmar e reforçar a estratégia que temos vindo a apostar na região, de captação de grandes eventos internacionais. O Moto GP, as Superbikes, a Volta ao Algarve em bicicleta, o regresso dos grandes eventos de golfe com o PGA Tour Championship em 2026”, enumera o responsável.
Sobre o Moto GP, que em novembro teve mais uma prova no Autódromo Internacional do Algarve, para onde está assegurada a manutenção no calendário de 2026, decorrem negociações para as edições de 2027, 2028 e 2029, adianta ao ECO o responsável pela entidade de turismo algarvia.
A confirmar-se a extensão do contrato com a entidade gestora da competição, em 2027 será apenas a terceira vez na história que as duas maiores competições mundiais em duas e quatro rodas se encontram num autódromo português. Na primeira vez que Moto GP e F1 coincidiram, em 2020, a vitória em duas rodas foi protagonizada pelo piloto português Miguel Oliveira.
André Gomes considera que a Fórmula 1 vai permitir “reforçar o posicionamento do destino Algarve e de Portugal”. Desta vez, esperamos o autódromo completamente cheio”, destaca, aludindo às edições de 2020 e 2021, a primeira “com um público muito restrito nas bancadas” e a segunda sem assistência.
Sem poder avançar valores do investimento estatal – o mesmo dever de reserva invocado por Manuel Castro Almeida na conferência de imprensa desta manhã, devido às negociações que ainda decorrem entre a dona da Fórmula 1 e os países onde decorrerá a temporada –, o presidente do Turismo do Algarve antevê receitas muito acima do impacto económico de 2020 e 2021.
O investimento do Estado é largamente compensado apenas pelos impostos diretos cobrados.
Nesses dois anos, e apesar das bancadas do Autódromo Internacional do Algarve despidas, “a F1 gerou impactos, diretos e indiretos, próximos dos 100 milhões de euros”.
Para 2027 e 2028, André Gomes assegura que “o investimento do Estado é largamente compensado apenas pelos impostos diretos cobrados”. Uma perspetiva que mostra elevada confiança na capacidade de se gerarem receitas na tributação sobre os vencimentos dos trabalhadores (IRS) e os lucros das empresas (IRC).
Ainda que não sejam divulgados os valores do investimento por parte do Estado central para captar a modalidade para o país, estes poderão aproximar-se dos 50 milhões de euros.
Já para o presidente da associação de hoteleiros algarvios, a AHETA, “o regresso da Fórmula 1 ao Algarve reforça a imagem da região e traz ocupação, normalmente em épocas baixas do turismo”. Hélder Martins realça, em declarações à Lusa, que a captação da prova “demonstra a extraordinária importância do autódromo situado no Algarve na política de eventos internacionais da região”.
O regresso da Fórmula 1 ao Algarve reforça a imagem da região e traz ocupação, normalmente em épocas baixas do turismo.
Um dia depois da entrevista em que o presidente da Câmara de Cascais disse querer ter a Fórmula 1 de volta ao Estoril, o presidente do Turismo do Algarve acentua que o acordo agora firmado foi com o Autódromo Internacional do Algarve, não com Portugal. Pelo que, pelo menos em 2027 e 2028, a pretensão de Nuno Piteira Lopes sairá gorada.
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