Fundação “la Caixa” ajuda 1.600 pessoas vulneráveis a encontrar emprego em 2025
Programa "Incorpora" tem como objetivo facilitar acesso ao emprego por pessoas em situação de vulnerabilidade. Até ao fim de outubro, garantiu inserção profissional de 1.602 destas pessoas no mercado.
Mais de 1.600 pessoas em situação de vulnerabilidade — por serem migrantes, terem mais de 45 anos ou estarem em desemprego de longa duração — encontraram um novo emprego este ano através do programa “Incorpora” da Fundação “la Caixa”. O balanço foi adiantado ao ECO por Bruno Coutinho, responsável pelo braço português dessa iniciativa.
“O principal objetivo do programa ‘Incorpora’ é facilitar o acesso ao emprego de pessoas que estão numa situação de vulnerabilidade, através de um modelo corporativo que liga entidades sociais, empresas e candidatos“, sublinha Bruno Coutinho.
Em conversa com o ECO, o responsável detalha que são consideradas, neste âmbito, nomeadamente, pessoas com deficiência ou incapacidade, pessoas que estão em reabilitação de comportamentos aditivos, pessoas que estiveram privadas de liberdade, vítimas de violência de género, jovens que nem trabalham nem estudam, migrantes, desempregados de longa duração, e pessoas com mais de 45 anos.
Há três portas de entrada no programa “Incorpora”. Por iniciativa própria das pessoas, através do Instituto do Emprego de Emprego e Formação Profissional (IEFP) ou através de referenciação de entidades sociais.
A propósito, o “Incorpora” conta com uma rede de 53 entidades sociais, que dispõem de 118 técnicos de intermediação laboral, que, por um lado, acompanham estas pessoas e, por outro, fazem um “trabalho de prospeção e acompanhamento empresarial, identificando necessidades de recrutamento das empresas”.
Os técnicos de intermediação laboral traçam um perfil de empregabilidade das pessoas e constroem com a pessoa um itinerário personalizado de inserção e, ao mesmo tempo, vão criando relações com as empresas.
“Os técnicos de intermediação laboral traçam um perfil de empregabilidade das pessoas e constroem com a pessoa um itinerário personalizado de inserção e, ao mesmo tempo, vão criando relações com as empresas“, esclarece o referido responsável.
“É uma metodologia centrada na pessoa. A pessoa é parte ativa do seu itinerário de inserção, tentando romper com paradigmas de intervenção mais paternalistas ou condescendentes, em que o técnico sabe o que é que é melhor para aquela pessoa”, acrescenta Bruno Coutinho, que insiste que estas são pessoas que, “independentemente da situação em que se encontram, têm capacidade de autodeterminação, têm sonhos e objetivos“.
Já o terceiro pilar deste programa são as empresas, e estas também podem chegar por três vias a este programa. Através dos técnicos já mencionados, que, com base nos perfis que acompanham, tentam encontrar empregadores “que possam gerar ofertas de trabalho”; Através dos clientes do BPI ou numa lógica de passa a palavra.
“Se uma empresa partilha uma oportunidade de trabalho, não está a partilhar com aquela entidade, mas com uma rede de 53 entidades, em que todas elas podem identificar perfis que casam bem com aquela oportunidade“, salienta Bruno Coutinho.
“Incorpora” até outubro de 2025
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Total de inserções profissionais: 1.602 pessoas, um aumento de 13%;
Total de empresas colaboradoras: 833 empregadores.
Segundo o responsável, com base neste modelo, nos primeiros dez meses de 2025, foram promovidas inserções profissionais de 1.602 pessoas, o que corresponde a um aumento homólogo de 13%.
E, neste período, estiveram envolvidas 833 empresas neste programa, mais 10% face há um ano. Estes aumentos, conta Bruno Coutinho, são explicados pelo ajustamento que tem sido feito, envolvendo as empresas “mais ativamente”, incluindo no processo de capacitação ainda antes da inserção dos candidatos no mercado de trabalho.
Desde o lançamento do “Incorpora”, em 2018, mais de 3.500 empresas já colaboraram com esta iniciativa e mais de 11 mil pessoas já encontraram emprego por esta via.
Os grandes setores contratantes no “Incorpora” são o comércio, a hotelaria, a construção civil e os cuidados de saúde e apoio social.
Os grandes setores contratantes no âmbito do “Incorpora” são o comércio, a hotelaria, a construção civil e os cuidados de saúde e apoio social. “Tem muito que ver com o perfil tipo das pessoas que acompanhamos, que normalmente é mais indiferenciado, pouco escolarizado, com pouca ou nenhuma experiência profissional“, aponta Bruno Coutinho.
Um complemento ao IEFP nos “casos mais complexos”

A história do “Incorpora” já conta com quase duas décadas. O programa nasceu em 2008 em Espanha no seio da Fundação “la Caixa”, e chegou a Portugal em 2018, quando o CaixaBank entrou no capital acionista do banco BPI.
“Houve um processo de adaptação à realidade socioeconómica portuguesa. Fizemo-lo principalmente através dos parceiros que trouxemos para nos ajudar na implementação do programa em Portugal”, frisa Bruno Coutinho, que indica que, por cá, a iniciativa tem sido implementada pela “la Caixa” em colaboração com o BPI e o IEFP.
Aliás, o responsável nega que o “Incorpora” esteja a fazer um trabalho que deveria ser feito por esse instituto público. Ao invés, defende que o programa é “um complemento importante ao trabalho do IEFP naquilo que são perfis mais complexos“, ou seja, pessoas que estão num nível de “alta vulnerabilidade” e que, por isso, precisam de um “trabalho de preparação e capacitação individualizado e com nível de intensidade muito forte“.
Por outro lado, Bruno Coutinho reconhece que ainda existe preconceito e estigma em relação a estas pessoas, mas entende que são “muito assentes, normalmente, em desinformação e falta de conhecimento”. “Assumimos um bocadinho essa função pedagógica. A nossa experiência diz-nos que isto é mais eficaz quando permitimos às empresas contactar com empresas com casos de sucesso de inclusão de pessoas com esse perfil“, assinala o responsável.
Além disso, o papel do “Incorpora” não termina no dia em que as pessoas assinam contrato com a empresa. “Garantimos um acompanhamento à pessoa e à empresa até um ano depois da contratação, para garantir a integração na pessoa na função e na cultura da empresa”, adianta Bruno Coutinho, que realça que cerca de 65% das pessoas ainda estavam no local de trabalho passado esse ano.
Das inserções que conseguimos até hoje, cerca de 65% permanecem no local de trabalho um ano depois.
“O perfil dos participantes são pessoas que estavam afastadas do mercado de trabalho e que tinham um conjunto de portas que se foram fechando. Tendem a valorizar muito aqueles que lhes deram oportunidade, quando toda a gente lhes fechou a porta“, assegura o mesmo.
Quanto a 2026, Bruno Coutinho revela que o objetivo é consolidar a rede de entidades sociais e empresas, bem como alargar o programa às regiões autónomas (neste momento, está presente em todos os distritos de Portugal continental) e reforçar o foco nas competências digitais.
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