Azores Airlines vai ajustar “algumas rotas” e focar-se nas ligações ao continente e diáspora

  • Lusa
  • 18 Dezembro 2025

O novo presidente da empresa avançou que em 2026 estão previstos “ajustamentos de algumas rotas” e “algumas reduções de frequências”, como por exemplo Londres.

A companhia aérea Azores Airlines, do Grupo SATA, vai concentrar a sua operação, em 2026, nas ligações dos Açores ao continente e à diáspora, que são as rotas mais rentáveis, revelou esta quinta-feira o novo presidente do conselho de administração.

“Como temos aeronaves escassas e recursos humanos escassos, não nos podemos dar ao luxo de os afetar a rotas não lucrativas e que nada têm a ver com a missão Açores”, adiantou o presidente indigitado do conselho de administração da SATA Holding, Tiago Santos, numa audição na Comissão de Economia do parlamento açoriano, em Angra do Heroísmo. Segundo Tiago Santos, em 2026 estão previstos “ajustamentos de algumas rotas” e “algumas reduções de frequências”.

“Estão a ser concluídos os planos de exploração para garantir que temos uma operação o mais rentável possível”, apontou. Questionado pelo Chega sobre as rotas deficitárias da companhia aérea (responsável pelas ligações de e para fora do arquipélago), Tiago Santos disse que houve desde essa altura uma preocupação com a otimização dos percursos, tendo sido canceladas várias que eram deficitárias.

“Londres é o caso mais evidente. Tínhamos um conjunto de rotas que não estavam a ter o retorno necessário e tomámos a decisão corajosa de cancelar essas rotas”, salientou. O representante revelou que as rotas com “melhor desempenho” são as que ligam os Açores ao continente e à América do Norte.

“Vamos concentrar a atividade na ligação ao continente e à diáspora açoriana”, reforçou. Os recursos da companhia são escassos e no próximo ano serão ainda mais reduzidos. “Em 2024, a operação da Azores Airlines foi feita com 10 aviões próprios e três ACMI [aeronave, tripulação, manutenção e seguro]. A operação de 2026 vai ser feita com nove aviões. Temos menos um avião e estamos a planear não ter qualquer ACMI”, adiantou Tiago Santos.

Questionado pelo PS sobre a renovação da frota da companhia SATA Air Açores, que assegura as ligações dentro do arquipélago, o presidente do conselho de administração admitiu a necessidade de renovar as aeronaves Q-200, mas disse que “não há no mercado uma aeronave que faça o que os Q-200 fazem”.

“A ideia será estender o período de vida dos Q-200, garantindo que temos tempo suficiente para o mercado oferecer as aeronaves que estão em conceção e desenvolvimento para garantir que esta falha de mercado é corrigida. Antecipamos que vá acontecer nos próximos cinco a seis anos”, revelou.

Em resposta a uma questão do PS sobre se as empresas do grupo deviam ter conselhos de administração diferentes, Tiago Santos alegou que “poderá ser uma decisão certa”, mas não é “o momento certo, por razões financeiras e de organização”.

O novo presidente do grupo público açoriano assumiu como compromissos cumprir o plano de reestruturação acordado com a Comissão Europeia, incluindo a privatização da Azores Airlines e da unidade handling (serviços de suporte em solo), e continuar a implementar o plano de sustentabilidade financeira.

Deixou ainda uma garantia aos trabalhadores de estabilidade para o futuro, reconhecendo que os últimos anos têm sido de instabilidade, incerteza e exposição pública permanente. “É fundamental robustecer o trabalho de maior proximidade e de articulação com as comissões de trabalhadores e os diferentes sindicatos. A comunicação tem de melhorar e os canais de diálogo e confiança têm de ser estreitados”, defendeu.

Tiago Santos considerou ainda um desafio manter a confiança dos fornecedores, “apesar das notícias sobre a SATA, nem sempre positivas e nem sempre verdadeiras”.

Novo presidente da SATA acredita que grupo pode aproximar-se de resultados líquidos positivos em 2026

Tiago Santos acreditar que as contas do grupo poderão aproximar-se de resultados líquidos positivos em 2026, se as rotas territoriais forem compensadas por Obrigações de Serviço Público (OSP).

“Se pudermos beneficiar das Obrigações de Serviço Público territoriais pelo relevante serviço público que fazemos de garantia da continuidade territorial, acredito que não vamos ter ainda resultados positivos em 2026, isso parece-me bastante claro, mas vamos ficar mais próximos”, afirmou o presidente indigitado da SATA Holding, Tiago Santos, numa audição na Comissão de Economia do parlamento açoriano.

Questionado pelo PS sobre o cumprimento do plano de reestruturação acordado com a Comissão Europeia, Tiago Santos defendeu que esse plano está a ser cumprido e que os resultados do terceiro trimestre de 2025 comprovam que está a ter efeitos. “O EBITDA [lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização] da Azores Airlines em outubro melhorou 56% face ao homólogo. Se isto não é ter resultados, não sei o que é ter resultados. Passou de 13 para 21 milhões”, frisou.

Segundo o presidente indigitado da SATA, “2024 foi um ano de desvio face à tendência de sustentabilidade”, mas até dezembro de 2023, apesar de o caminho escolhido ter sido diferente do proposto no plano de reestruturação, o objetivo “foi alcançado”.

“Olhando para o EBITDA que estava previsto no plano de reestruturação em dezembro de 2023 e olhando para o alcançado pela Azores Airlines a diferença é irrelevante”, apontou. Quanto aos resultados de 2025, Tiago Santos não quis antecipar o resultado líquido final, alegando que “há fatores que não estão ainda a ser apurados e que têm impacto relevante”, mas disse prever melhorias no EBITDA.

“Pelo menos em termos de EBITDA vamos ter na Azores Airlines uma melhoria que nas nossas estimativas apontam para entre 15 a 20 milhões de euros mais positivos do que em 2024, na Air Açores algo próximo dos cinco milhões mais positivos também e na Gestão de Aeródromos voltarmos aos resultados positivos”, revelou. Em resposta ao PSD, o representante considerou que o processo de privatização da Azores Airlines (que faz as ligações de e para fora do arquipélago), apesar de “complexo”, foi “construído da forma correta” e com “garantias de transparência”.

“Tem um júri independente, idóneo, que tem toda a capacidade para fazer uma avaliação íntegra e independente da proposta. É um processo [em] que tanto o Governo Regional como o conselho de administração delegam e confiam totalmente no júri”, justificou. “É difícil de colocar em praça pública os trunfos negociais, as propostas e as evoluções negociais que vão ocorrendo. Dizer muito mais do que isso pode pôr em causa o sucesso da operação”, acrescentou.

Questionado pelo Chega sobre a necessidade de privatização do handling (serviços de suporte em solo), Tiago Santos rejeitou dar a sua opinião, alegando que tem apenas de cumprir com os compromissos assumidos com a Comissão Europeia. “É irrenegociável. Acho que devemos estar mais focados em fazer bem feito o carve-out [separação] e a privatização do handling, salvaguardando os receios e os anseios dos trabalhadores e dos açorianos”, adiantou.

Em resposta a uma questão do BE, o presidente da SATA revelou ainda que, antes da privatização, será feito um novo acordo de empresa para o handling, para “salvaguardar os direitos dos trabalhadores no futuro”.

Questionado pelo Chega sobre a atribuição de aumentos salariais de 30% na Azores Airlines, quando a empresa estava em processo de privatização, Tiago Santos disse que o acordo visou resolver constrangimentos na disponibilidade de tripulações que bloqueavam as ligações entre os Açores e Boston (Estados Unidos).

“É difícil fazer a contabilidade, se houve um ganho ou uma perda, mas o que é verdade é que os resultados de 2024 e 2025 estão a ser afetados por esses acordos de empresa que foram negociados”, admitiu. Tiago Santos, até agora diretor financeiro do Grupo SATA, substitui, em janeiro, Rui Coutinho, que pediu a demissão do cargo, invocando razões profissionais.

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