BRANDS' ECO “Cibersegurança não é um luxo”, mas uma ferramenta essencial para as empresas
Com a chegada da NIS2, a responsabilização da administração e aumento das coimas exigem melhor planeamento para prevenir ataques. Democratização foi palavra-chave na conferência Futuro Hiper Digital.
A entrada em vigor da diretiva NIS2, sobre a cibersegurança, está a transformar a forma como as empresas encaram o risco digital. Na conferência “Futuro Hiper Digital – Ciber-resiliência e Compliance”, organizada pelo ECO com o apoio da Vodafone Business, os peritos deixaram claro que a segurança deixou de ser um tema reservado às equipas de IT e passou a ser matéria de gestão e estratégia.
Henrique Fonseca, administrador da Vodafone Portugal, considera que esta é uma mudança inevitável num país onde a transformação digital acelerou de forma abrupta nos últimos anos. “O tema da cibersegurança não é um luxo. É um pilar essencial que tem de estar presente na estratégia de qualquer empresa”, afirmou, sublinhando que a missão da operadora passa por “democratizar o acesso à cibersegurança neste mundo hiperconectado”. Essa democratização significa capacitar empresas grandes e pequenas, num contexto em que um erro humano ou uma falha na cadeia de fornecedores pode comprometer organizações inteiras, com custos difíceis de prever.

Se, durante anos, as empresas tratavam a segurança digital como um investimento que podiam adiar, Marcelo Ferreira Rodrigues, acredita que a NIS2 mudou radicalmente o enquadramento. “Eu recordo-me que tive vários clientes na altura da NIS1 que diziam: não vale a pena este investimento, eu prefiro a multa”, partilhou o partner da PwC. Mas esse raciocínio, garante, já não pode existir e não apenas pelo aumento significativo das coimas. “Não estamos aqui para cumprir apenas com a lei. O espírito não é esse. Nós queremos tornar as empresas mais seguras, mais resilientes”, defendeu.
Trancas à porta
A nova diretiva, transposta para a legislação nacional no início do mês, alarga o número de setores abrangidos e introduz a responsabilidade pessoal dos administradores, uma novidade considerada fundamental. Adriana Brás, associada principal da Morais Leitão, assinala que “os órgãos de direção, gestão e administração são pessoalmente responsáveis por assegurar a implementação e o cumprimento” das medidas de segurança. Em casos graves e dolosos, pode mesmo haver “interdição temporária de funções”, o que significa uma mudança profunda para milhares de empresas que, até aqui, viam estes temas como distantes do conselho de administração.
A pressão é ainda maior porque o desafio ultrapassa as entidades diretamente abrangidas pela NIS2, com a cadeia de abastecimento a tornar-se num ponto crítico. Como explicou Nuno Bastos, manager de Cibersegurança da Vodafone Portugal, “não é só a porta principal que tem de estar fechada”, mas também “garantir que as portas da cozinha lá atrás estão protegidas”. “Existem três tipos de organizações: as que já foram alvo de um ataque, as que vão ser alvo e as que já foram e ainda não sabem”, afiança.
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Marcelo Ferreira Rodrigues, partner da PwC -
Nuno Bastos, manager de Cibersegurança da Vodafone Portugal, Marcelo Ferreira Rodrigues, partner da PwC, Adriana Brás, associada principal da Morais Leitão -
Adriana Brás, associada principal da Morais Leitão -
Nuno Bastos, manager de Cibersegurança da Vodafone Portugal e Marcelo Ferreira Rodrigues, partner da PwC
Para as PME, o risco é particularmente elevado. Dados recentes da Agência Europeia para a Segurança das Redes e da Informação (ENISA) mostram que 27% destas organizações não têm orçamento para enfrentar os desafios tecnológicos e 94% não conseguem contratar talento especializado. “A empresa do Sr. José em Aveiro ou a empresa da Dona Maria em Freixo de Espada à Cinta, não vai ter a capacidade de contratar um recurso com esta expertise”, reconhece Nuno Bastos. Quando os números apontam que cerca de metade dos colaboradores nunca recebeu qualquer treino para questões de cibersegurança, a formação das equipas é uma aposta crucial.
É aqui que a Vodafone Business procura atuar, com soluções que ajudam a reduzir a complexidade e a criar práticas de segurança acessíveis. A estratégia passa por capacitar as equipas e ajudar as empresas a gerir riscos num ambiente em que a hiperconectividade multiplica os pontos de contacto e de vulnerabilidade.
Isto torna-se particularmente relevante numa altura em que a aceleração tecnológica e o crescimento da inteligência artificial estão a tornar os ataques mais sofisticados e mais fáceis de escalar. Os peritos são unânimes e não têm dúvidas em afirmar que não basta reagir às ameaças, mas é preciso antecipar e prevenir para assegurar que as operações não param mesmo num cenário de ataque.
Assista, aqui, ao vídeo:
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