BRANDS' ECO “Cibersegurança não é um luxo”, mas uma ferramenta essencial para as empresas

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  • 18 Dezembro 2025

Com a chegada da NIS2, a responsabilização da administração e aumento das coimas exigem melhor planeamento para prevenir ataques. Democratização foi palavra-chave na conferência Futuro Hiper Digital.

A entrada em vigor da diretiva NIS2, sobre a cibersegurança, está a transformar a forma como as empresas encaram o risco digital. Na conferência “Futuro Hiper Digital – Ciber-resiliência e Compliance”, organizada pelo ECO com o apoio da Vodafone Business, os peritos deixaram claro que a segurança deixou de ser um tema reservado às equipas de IT e passou a ser matéria de gestão e estratégia.

Henrique Fonseca, administrador da Vodafone Portugal, considera que esta é uma mudança inevitável num país onde a transformação digital acelerou de forma abrupta nos últimos anos. “O tema da cibersegurança não é um luxo. É um pilar essencial que tem de estar presente na estratégia de qualquer empresa”, afirmou, sublinhando que a missão da operadora passa por “democratizar o acesso à cibersegurança neste mundo hiperconectado”. Essa democratização significa capacitar empresas grandes e pequenas, num contexto em que um erro humano ou uma falha na cadeia de fornecedores pode comprometer organizações inteiras, com custos difíceis de prever.

Henrique Fonseca, administrador da Vodafone Portugal

Se, durante anos, as empresas tratavam a segurança digital como um investimento que podiam adiar, Marcelo Ferreira Rodrigues, acredita que a NIS2 mudou radicalmente o enquadramento. “Eu recordo-me que tive vários clientes na altura da NIS1 que diziam: não vale a pena este investimento, eu prefiro a multa”, partilhou o partner da PwC. Mas esse raciocínio, garante, já não pode existir e não apenas pelo aumento significativo das coimas. “Não estamos aqui para cumprir apenas com a lei. O espírito não é esse. Nós queremos tornar as empresas mais seguras, mais resilientes”, defendeu.

Trancas à porta

A nova diretiva, transposta para a legislação nacional no início do mês, alarga o número de setores abrangidos e introduz a responsabilidade pessoal dos administradores, uma novidade considerada fundamental. Adriana Brás, associada principal da Morais Leitão, assinala que “os órgãos de direção, gestão e administração são pessoalmente responsáveis por assegurar a implementação e o cumprimento” das medidas de segurança. Em casos graves e dolosos, pode mesmo haver “interdição temporária de funções”, o que significa uma mudança profunda para milhares de empresas que, até aqui, viam estes temas como distantes do conselho de administração.

A pressão é ainda maior porque o desafio ultrapassa as entidades diretamente abrangidas pela NIS2, com a cadeia de abastecimento a tornar-se num ponto crítico. Como explicou Nuno Bastos, manager de Cibersegurança da Vodafone Portugal, “não é só a porta principal que tem de estar fechada”, mas também “garantir que as portas da cozinha lá atrás estão protegidas”. “Existem três tipos de organizações: as que já foram alvo de um ataque, as que vão ser alvo e as que já foram e ainda não sabem”, afiança.

Para as PME, o risco é particularmente elevado. Dados recentes da Agência Europeia para a Segurança das Redes e da Informação (ENISA) mostram que 27% destas organizações não têm orçamento para enfrentar os desafios tecnológicos e 94% não conseguem contratar talento especializado. “A empresa do Sr. José em Aveiro ou a empresa da Dona Maria em Freixo de Espada à Cinta, não vai ter a capacidade de contratar um recurso com esta expertise”, reconhece Nuno Bastos. Quando os números apontam que cerca de metade dos colaboradores nunca recebeu qualquer treino para questões de cibersegurança, a formação das equipas é uma aposta crucial.

É aqui que a Vodafone Business procura atuar, com soluções que ajudam a reduzir a complexidade e a criar práticas de segurança acessíveis. A estratégia passa por capacitar as equipas e ajudar as empresas a gerir riscos num ambiente em que a hiperconectividade multiplica os pontos de contacto e de vulnerabilidade.

Isto torna-se particularmente relevante numa altura em que a aceleração tecnológica e o crescimento da inteligência artificial estão a tornar os ataques mais sofisticados e mais fáceis de escalar. Os peritos são unânimes e não têm dúvidas em afirmar que não basta reagir às ameaças, mas é preciso antecipar e prevenir para assegurar que as operações não param mesmo num cenário de ataque.

Assista, aqui, ao vídeo:

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