Francisco Oom Peres: “A importância do falhanço é fundamental para a nossa evolução”
Sempre foi apaixonado por aviões e sabia que o seu percurso profissional estaria relacionado com este meio de transporte. Hoje, Francisco Oom Peres é COO da Orion Technik e partilha a sua jornada.
Francisco Oom Peres, COO da Orion Technik, é o 57º convidado do podcast “E Se Corre Bem?”. Soube desde cedo que o seu percurso iria estar relacionado com aviões porque sempre foram uma grande paixão, principalmente pelo facto de o seu pai ser militar na força aérea. Acabou por se formar em gestão e, anos mais tarde, usou essa skill na área que sempre o apaixonou – a aeronáutica.
“Desde muito cedo, quando pensava no futuro, havia duas coisas que me atraíam imenso: a primeira eram os aviões e a segunda era ser dono de mim próprio. Candidatei-me à força aérea em 2000. Mas depois tive uma negociação com o meu pai para ajustar o meu rumo e não fui. Tive de abdicar da carreira militar para ingressar nesta aventura“, começou por dizer.
A aventura, que acabou por ser fazer parte do negócio familiar, começou muito antes de ingressar na faculdade: “Tinha plena consciência do que me dava prazer intelectual e emocional, de sucesso e não me conseguia ver ter o mesmo prazer e sentimento de realização em projetos que não fossem imaginados e executados por mim. Ainda antes de ir para a universidade, já passava por situações em que pensava que tinha de levar as coisas à minha maneira. As poucas vezes na vida em que ousei participar em projetos que não vinham da minha cabeça e não eram geridos por mim, tendencialmente tive dissabores“.
Alguns desses exemplos relacionam-se com a sua passagem pela política, mas também pela área dos media. Além de fazer parte da JSD quando era jovem, Francisco Oom Peres contou um pouco da sua experiência enquanto deputado municipal em Lisboa, com Carlos Moedas, há quatro anos. “Foi uma experiência de um ano, que achei interessantíssima a título pessoal, mas parei porque senti o sofrer do stress operacional. E o stress operacional é que nós ficamos de tal maneira viciados em pegar em coisas e fazê-las acontecer que quando nos vemos em situações em que há coisas para fazer e não o conseguimos fazer, entramos em sofrimento. E a política é isso”, disse.
Já no que diz respeito à passagem pelos media, o COO revelou que o seu maior interesse com esse investimento era a preocupação em apresentar a verdade às pessoas: “É preciso apresentar as várias verdades às pessoas para depois cada um acreditar na sua verdade. Mas havia uma verdade que não era contada às pessoas“. Apesar dessa boa intenção, conta que foi aí que, pela primeira vez, “perante os mais próximos, mas também com os colaboradores e colegas”, teve dizer “eu não consigo”.
Ainda assim, garante que não se arrepende de ter falhado e explica o motivo: “A importância do falhanço é fundamental para a nossa evolução como gestores, empresários ou investidores. O nosso sucesso não se mede pelo quão bem surfamos a onda do sucesso. Ele mede-se pela capacidade, força e velocidade com que saímos dos momentos maus”.
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Francisco Peres, COO da Orion Technik, no 57º episódio do podcast "E se corre bem?" Hugo Amaral/ECO -
"Candidatei-me à força aérea em 2000. Mas depois tive uma negociação com o meu pai para ajustar o meu rumo e não fui. Tive de abdicar da carreira militar para ingressar nesta aventura" Hugo Amaral/ECO -
"A importância do falhanço é fundamental para a nossa evolução como gestores, empresários ou investidores. O nosso sucesso não se mede pelo quão bem surfamos a onda do sucesso. Ele mede-se pela capacidade, força e velocidade com que saímos dos momentos maus" Hugo Amaral/ECO -
"Uma das coisas que adorava fazer na vida, no futuro, era ter a possibilidade de passar o dia a discutir com pessoas que quisessem trazer ideias fora da caixa para projetos tecnológicos" Hugo Amaral/ECO
Mas, apesar destas experiências noutras áreas, foi realmente na aeronáutica, mais concretamente na Orion Technik, que Francisco Oom Peres encontrou o seu lugar e foi traçando o seu percurso profissional. “Vim complementar o meu pai. Comecei a trabalhar com o meu pai em Abril de 2004. Em 22 anos foi raro o dia em que não estivemos de acordo. O sucesso da empresa nasce do sucesso da relação entre mim e o meu pai, e do meu avô (numa fase mais primária)“.
O negócio tem corrido bem e o COO reconhece que isso também se deve aos seus colaboradores. Contudo, destacou a importância de a empresa oferecer mais do que apenas um salário para gerar comprometimento: “É um desafio encontrar talento. Mas as pessoas mantêm-se se estiverem satisfeitas e bem pagas. E atenção que pagar não é o dinheiro em si, mas sentir que vão para casa e que não lhes falta nada. Para isso, é preciso levar a gestão do trabalho para campos que nós, em Portugal, não estamos minimamente habituados. Por exemplo, escolas, jardim escolas, universidades, formações extra em informática, danças, instrumentos musicais, etc, dos filhos de todos os nossos colaboradores, são todas pagas pela empresa“.
Além de garantir as melhores condições para que todos os colaboradores se comprometam com a empresa, Francisco Oom Peres revela que este compromisso ultrapassa a relação funcionário-patrão, já que implica um enorme profissionalismo em todos os segmentos do negócio. “Se eu coloco um carro a fazer manutenção numa garagem automóvel e, depois de o tirar de lá, ele acende a luz amarela ou vermelha porque a manutenção ficou mal feita, eu volto lá e, no pior dos cenários, telefono para o reboque me ir buscar. Mas nós, nos aviões, não podemos fazer isso. Se a luz amarela ou vermelha acende depois da manutenção porque esta ficou mal feita, as consequências podem ser catastróficas. É importante ter sempre consciência disso“, lembrou.
Esta responsabilidade é sempre passada pelo COO a toda a sua equipa, mas confessa que, apesar de achar os momentos de partilha de informação essenciais, nem sempre consegue tê-los: “Nós, na posição de gestão em que estamos, e quanto maior e mais internacional é o negócio, mais rápida e maior é a quantidade de informação que recebemos e que temos de assimilar por minuto. E sinto que há pessoas importantíssimas na estrutura que querem discutir certos aspetos, mas, muitas vezes, é difícil lidar com essas conversas na pressão do dia-a-dia. Ainda assim, tenho essa preocupação e alguns colegas mais seniores criticam-me porque dizem que não devia partilhar tanta informação“.
Contudo, apesar da crítica, Francisco Oom Peres não abdica desta sua característica que, mais do que o ajudar enquanto COO, faz parte da sua forma de ser. “Uma das coisas que adorava fazer na vida, no futuro, era ter a possibilidade de passar o dia a discutir com pessoas que quisessem trazer ideias fora da caixa para projetos tecnológicos. Por exemplo, projetos de empresas em que a pessoa precisa de 300 mil euros para levar o projeto para a frente. Seria como um shark tank privado. Tenho a perfeita consciência de que a grande maioria das pessoas tem ideias fantásticas, mas nunca lhes foram dadas as possibilidades para poder levar isso avante. Adorava ter um papel desses na vida”, concluiu.
Este podcast está disponível no Spotify e na Apple Podcasts. Uma iniciativa do ECO, na qual Diogo Agostinho, COO do ECO, procura trazer histórias que inspirem pessoas a arriscar, a terem a coragem de tomar decisões e acreditarem nas suas capacidades. Com o apoio da Nissan e dos Vinhos de Setúbal.
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