Montenegro pede “mentalidade à Ronaldo” para “elevar fasquia” nos salários e reforma do Estado
Primeiro-ministro garante que Governo está em campo a "jogar para ganhar" na mensagem de Natal. É preciso aproveitar os próximos "cerca de três anos e meio sem eleições" para ambicionar mais, diz.
O primeiro-ministro considera que Portugal pode “elevar a fasquia” de crescimento, melhorar os salários e completar a reforma da Administração Pública se conseguir aproveitar as condições que tem, aumentar a produtividade e tiver uma “mentalidade à Cristiano Ronaldo”.
Na sua segunda mensagem de Natal, Luís Montenegro apela a que se aproveite as sete principais “condições” de que o país beneficia para fazer mais, porque tem pela frente “cerca de três anos e meio sem eleições nacionais”. O governante enaltece também as façanhas internacionais de Portugal e o cumprimento dos objetivos e compromissos ao nível do emprego e salários.
“Temos tudo para elevar a fasquia e fixar novas ambições. Novas ambições no funcionamento da administração, como já estamos a fazer com o processo de simplificação e reforma do Estado. Novas ambições salariais, como resultado de uma agenda transformadora que, com a sua visão estratégica e estruturante, nos permitirá sermos mais produtivos e eficientes”, refere.
As sete “condições” de onde parte Portugal são o “crescimento económico, estabilidade financeira, segurança, recursos humanos qualificados, apetência para as novas tecnologias, localização geoestratégica e capacidade de diálogo no contexto internacional”, enumera o primeiro-ministro.
Governo quer “jogar para ganhar”
“Na situação em que estamos, temos duas opções de caminho. Ou nos contentamos com esta circunstância, em que estamos bem, mas sabemos que se nos mantivermos assim a médio prazo vamos perder face à evolução dos outros. Ou aproveitamos a situação em que estamos e tratamos já de garantir a nossa própria evolução para continuarmos a crescer mais do que os outros”, diz o primeiro-ministro.
Neste contexto, Luís Montenegro utiliza mais uma metáfora desportiva para explicar o que o Governo pretende: a segunda opção. “É a diferença entre jogar para empatar ou ter a mentalidade vencedora de jogar sempre para ganhar“, defende. Portanto, é preciso ter ou desenvolver a “mentalidade de superação”, a “mentalidade de não deixarmos para amanhã o que podemos fazer hoje” ou, por outras palavras, a “mentalidade Cristiano Ronaldo” para criar riqueza, sintetiza.
![]()
"A criação de riqueza é o meio para sermos uma sociedade com mais justiça, com mais liberdade e com mais felicidade. Mas como diz o nosso povo, as coisas não caem do céu. Este caminho implica coragem, resistência, capacidade de diálogo e sentido de unidade nacional. Não temos de estar todos de acordo mas temos de compreender que não é a nossa posição individual o mais importante.”
O líder do Executivo afirma que a nação tem motivos para olhar com esperança para o futuro próximo, porque este final de ano trouxe mais razões para acreditar em 2026 e “que estamos no caminho certo”, que é o do crescimento, da estabilidade e da “execução de uma agenda transformadora” rumo a um país mais forte e resiliente.
Como exemplos de referência internacional, o primeiro-ministro lembra a distinção de Portugal como economia do ano pela revista The Economist e o facto de o rendimento real per capita das famílias portuguesas ter sido o que mais aumentou em 2024 entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). No entanto, as famílias portuguesas foram também as que mais viram os seus rendimentos reais encolherem nos primeiros três meses de 2025.
Na sua opinião, a escolha da The Economist não é só teoria. “Os rendimentos dos portugueses estão a subir e a nossa economia a crescer consistentemente acima da média europeia. O ano passado fomos mesmo o país da OCDE em que os trabalhadores mais viram crescer o seu rendimento, por via do aumento dos salários e da descida dos impostos sobre o trabalho. Isto mostra que a distinção que recebemos da revista The Economist, de sermos a economia do ano em 2025, não é um prémio teórico”, garante.
Segundo Luís Montenegro, a “solidez económica” que está a ser construída tem por base um modelo de subida dos salários e descida de impostos. “Este caminho carece de coragem política e capacidade reformista. Precisamos de ser mais eficiente e mais produtivos, para atingirmos novos patamares de crescimento que tragam novos patamares de rendimento“, conclui.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Montenegro pede “mentalidade à Ronaldo” para “elevar fasquia” nos salários e reforma do Estado
{{ noCommentsLabel }}