Bruno Mota: “Tal como no futsal, a equipa é mais importante do que o individualismo”

  • ECO
  • 29 Dezembro 2025

Do futsal à liderança de uma multinacional tecnológica, Bruno Mota partilha as escolhas e viragens que marcaram o seu percurso até chegar à Devoteam Portugal.

Como é que um jogador de futsal se transforma no CEO de uma das maiores empresas tecnológicas a operar em Portugal? No mais recente episódio do podcast E Se Corre Bem?, Bruno Mota, CEO da Devoteam Portugal, conta como é que foi percorrer um caminho que começa num desporto coletivo e chega à liderança empresarial, partilhando ideias semelhantes, como a atitude, equipa e propósito.

O CEO da Devoteam admite que nunca foi o craque da equipa de futsal, mas acredita que foi precisamente aí que começou a construir o seu percurso. “Eu acho que tinha algum jeito, mas havia colegas bem melhores do que eu. Obviamente que em algum momento tu acreditas que podes chegar longe”, conta. O que lhe faltava em talento puro, compensava com trabalho e compromisso. “Eu sempre fui muito trabalhador. E, portanto, às vezes, como diz o nosso treinador do Sporting, quando faltar algo mais, que haja atitude”, explica Bruno Mota, convicto de que essa atitude o acompanha desde sempre e continua a ser uma referência diária. “Eu acho que o desporto coletivo trouxe-me muita coisa boa que hoje me ajuda no meu dia-a-dia”, afirma.

Hoje joga noutra equipa, mas as analogias com o futsal mantêm-se vivas na forma como olha para as organizações. Bruno Mota recorre frequentemente a essa linguagem para falar de liderança e alinhamento. “Eu até costumo usar analogias do futebol no meu dia-a-dia, em que, basicamente, nós todos somos uma equipa e temos que marcar golo na equipa adversária”, compara. Para o CEO da Devoteam, um dos grandes desafios das empresas está nos egos e nas dinâmicas internas. “De facto eu vejo em várias empresas que, às vezes, não parece que estamos todos a jogar com o mesmo objetivo”, explica. Nestas situações, diz que o papel do líder é fundamental para que todos estejam alinhados e entendam onde é que está a “baliza adversária”.

O percurso académico também teve momentos difíceis. O período no ISEL foi exigente, sobretudo por vir de uma formação mais genérica. Ainda assim, reconhece que acabou por ser transformador. Já no mercado de trabalho, percebeu rapidamente que programar não era o seu lugar natural. “Percebi rapidamente que aquilo não era a minha vocação e que não ia ser feliz atrás de um computador todos os dias”, conta. A paixão pela tecnologia manteve-se, mas com uma condição essencial, o contacto humano. “Percebi que ser consultor e programar não era bem a minha vocação e tentei encontrar uma profissão que estivesse dentro das tecnologias, porque é, de facto, uma área na qual eu sou apaixonado, mas ambicionava algo que tivesse muito mais contacto com pessoas e com o negócio.” Foi nesse contexto que descobriu a função de business manager. “Identifiquei-me com essa posição e foi onde comecei, dentro da área da tecnológica, mas sem estar numa vertente mais técnica.”

Depois de passar pela Altran e pela Prime IT, Bruno Mota começou a sentir vontade de construir algo próprio. A decisão de criar a Bold foi, como admite, ingénua. “Quando decidimos sair, foi uma decisão um bocado ingénua. Falo muitas vezes com outros empreendedores e chegamos muitas vezes a este ramo comum da ingenuidade”, afirma. Ainda assim, quando decidiu tomar este passo, admite que estava alinhado com a filosofia do “E Se Corre Bem?”. “Estava tão focado que ia correr bem, que tinha pouco a perder. Ou seja, se corresse mal, voltava à minha vida e arranjava outro trabalho”, conta.

A Bold nasceu sem investidores, com poupanças próprias e apoio familiar. O foco esteve sempre nas pessoas, nos princípios e nos valores. Uma escolha que se revelou diferenciadora e que começou a fazer parte da cultura da empresa. “O mercado começou a perceber que as pessoas na Bold trabalhavam de forma honesta, ética e trabalhavam muito para acrescentar o máximo de valor aos clientes”, conta.

Sobre a Devoteam, que diz ter muito da Bold, o crescimento foi rápido, mas feito de etapas difíceis. “Houve aquele período em que era difícil passar das 20 pessoas contratadas, depois era difícil passar das 50…” Ainda assim, afirma que ver a equipa crescer foi uma das maiores recompensas. Esse crescimento, explica, nunca esteve assente numa figura individual, mas na complementaridade de competências dentro das equipas. Bruno Mota considera que na empresa existem pessoas muito boas em diferentes áreas e sublinha que, “tal como no futsal, a equipa é mais importante do que o individualismo”.

A integração da Bold na Devoteam marcou o fim da marca, mas não do legado. “A marca desapareceu, ou seja, nasceu, cresceu e morreu, mas ficou na memória de todos”, diz. Para Bruno Mota, a decisão foi clara. “O que era melhor para a empresa era adotar uma marca que era muito mais poderosa do ponto de vista internacional do que a Bold.” Hoje, a Devoteam conta com cerca de 1400 pessoas em Portugal e cerca de 11 mil colaboradores em 25 países.

A cultura organizacional continua a ser uma prioridade, incluindo temas como o trabalho remoto, adotado ainda antes da pandemia. “Sinceramente, desde que os clientes e os colaboradores estejam satisfeitos e desde que o cliente permita esta forma de trabalhar, é um win-win-win.” Ainda assim, Bruno Mota defende uma visão equilibrada, alertando para impactos culturais e para a saúde mental dos mais jovens. “Eu estou preocupado com as pessoas mais jovens, porque antigamente aprendiam on the job com uma referência pelo exemplo e, hoje, estão em casa metade das vezes.”

Sobre temas como a liderança, admite que se faz pela proximidade e pelo serviço. “Eu sinto que sou um deles”, afirma. Defende uma cultura de portas abertas e acredita que o líder está ao serviço da equipa. “Eu é que estou a trabalhar para eles e não o contrário.” Também acredita que as empresas precisam ouvir mais os mais novos. “Eu acho que é importante, cada vez mais, injetarmos ideias e, neste caso, trazermos pessoas mais jovens para os contextos dos comitês executivos”, partilha.

No balanço final, Bruno Mota olha para o caminho feito com convicção. “Acho que correu muito bem.” Criar uma empresa, fazê-la crescer, integrá-la num grupo internacional e manter uma cultura forte são, para si, sinais claros de impacto. “Quando olhas para trás e vês todo este contexto, não sei o que é que vai acontecer a partir de amanhã ou a partir de hoje, mas se olharmos para os últimos 16 anos desde que a Bold foi criada, acho que posso dizer que tem corrido bem.”

Este podcast está disponível no Spotify e na Apple Podcasts. Uma iniciativa do ECO, na qual Diogo Agostinho, COO do ECO, procura trazer histórias que inspirem pessoas a arriscar, a terem a coragem de tomar decisões e acreditarem nas suas capacidades. Com o apoio da Nissan e dos Vinhos de Setúbal.

Pode assistir ao episódio completo aqui:

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