O que vale a Venezuela para onde Trump quer levar as petrolíferas americanas?

O país encerra um paradoxo: riquíssimo em matérias-primas energéticas, mas com uma das taxas de pobreza mais elevadas do mundo.

Petróleo. A palavra foi usada várias vezes por Trump durante a conferência de imprensa no seu clube de Mar-a-Lago onde explicou o ataque de madrugada à Venezuela. Com a prisão de Nicolas Maduro, as petrolíferas americanas vão tomar conta da exploração da matéria-prima, um dos abundantes recursos minerais do país, diz o Presidente dos EUA.

A Venezuela tem as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, equivalentes a cerca de 303 mil milhões de barris. Assumindo a cotação média do petróleo de 65 dólares nos últimos dois anos, o valor das reservas andará pelos 19,7 biliões de dólares. Só que o peso do país na produção global é de apenas 1%, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

A nacionalização da produção, primeiro com Carlos Andrés Pérez, em 1976, e depois com Hugo Chávez, em 2007, – “o maior roubo de que os EUA foram alvo”, segundo Trump – aliada à falta de investimento levou a uma deterioração da infraestrutura de exploração do país. E com ela, da própria economia venezuelana, altamente dependente da exportação de petróleo. No início dos anos 2000 o país chegou a produzir 3,2 milhões de barris por dia. Os dados mais recentes da AIE apontam para entre 860 mil e 1,14 milhões em 2025.

O declínio da produção do petróleo trouxe o colapso económico. O PIB per capita do país, que chegou aos 11.240 dólares em 2015, de acordo com dados das Nações Unidas, beneficiando dos preços mais elevados do petróleo e níveis de produção mais altos, caiu até 3.722 dólares em 2020, recuperando para os 4.586 dólares em 2022. Mesmo assim, está entre os países mais pobres da América Latina.

Além de petróleo, o país tem das maiores reservas de gás natural do mundo, estimadas em 5,6 biliões de metros cúbicos, mas largamente inexploradas. Segundo a AIE, na Venezuela estão 73% das reservas da América do Sul. A parca produção é consumida internamente. O país é ainda rico em minério de ferro e bauxite.

A Venezuela vive este terrível paradoxo: é um dos países mais ricos em recursos naturais, mas é também um dos que tem a maior taxa de pobreza do mundo. Dados citados pelas Nações Unidas em 2024 apontam para que cerca de 82% dos 29 milhões de venezuelanos vivam na pobreza e 53% em extrema pobreza.

Uma realidade para a qual muito contribuiu a persistente hiperinflação no país, que em 2018 chegou aos 130.000%. Nos últimos anos o regime de Maduro tinha conseguido baixar o ritmo anual da subida dos preços, que abrandou para 48% em 2024. As estimativas apontam, no entanto, para uma aceleração para cerca de 170% no ano passado.

Vamos ter as nossas grandes companhias petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores do mundo, a entrar no país, a investir bilhões de dólares, consertando a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começando a gerar lucro para o país.

Donald Trump

Presidente dos EUA

Com a detenção de Nicolás Maduro e o derrube do seu regime, Donald Trump promete que as petrolíferas americanas vão reconstruir a infraestrutura de produção e amealhar as receitas da produção.

“Como todos sabem, o negócio do petróleo na Venezuela tem sido um fracasso, um fracasso total por um longo período. Eles estavam a extrair quase nada em comparação com o que poderiam estar a extrair”, disse Trump na conferência de imprensa em Mar-a-Largo este sábado.

Vamos ter as nossas grandes companhias petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores do mundo, a entrar no país, a investir bilhões de dólares, consertando a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começando a gerar lucro para o país”, disse ainda.

Uma exploração que não se cingirá certamente ao petróleo mas também a outros recursos.

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