Serviços seguram crescimento da economia da Zona Euro

A economia da moeda única cresce, mas cada vez mais devagar. Os serviços seguram o ritmo enquanto a indústria continua a travar o fôlego da recuperação.

ECO Fast
  • O índice composto do Hamburg Commercial Bank caiu para 51,5 pontos, renovando mínimos de três meses.
  • O setor industrial é o mais afetado pela menor procura externa e custos elevados, enquanto o setor de serviços continua a crescer.
  • As previsões para 2026 indicam um crescimento moderado, com o setor industrial a beneficiar de uma maior procura por equipamentos, mas sem grandes mudanças na dinâmica económica.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A “aterragem suave” da economia europeia continua a enfrentar turbulência. O inquérito mensal do Hamburg Commercial Bank (HCOB), publicado esta terça-feira, sinaliza um abrandamento no ritmo de crescimento, com o índice composto a recuar para 51,5 pontos, face aos 52,8 registados em novembro, renovando mínimos de três meses.

Embora os números afastem, para já, o espetro de uma recessão técnica, a realidade subjacente é a de uma economia a operar a “meio gás”. O tecido empresarial, sobretudo no segmento industrial, ressente-se da menor procura externa e do custo do capital, deixando a responsabilidade da expansão quase exclusivamente sobre os ombros do setor terciário, já soma sete meses consecutivos de crescimento.

“O ritmo de expansão abrandou em dezembro, mas, no geral, o panorama parece favorável”, refere Cyrus de la Rubia, economista-chefe do Hamburg Commercial Bank (HCB, sublinhando que “as empresas aumentaram ainda mais os seus níveis de contratação e os novos negócios indicam que continuam em trajetória de crescimento” e que “no geral, a recuperação dos serviços ganhou impulso no quarto trimestre, o que constitui uma boa base para iniciar o novo ano com confiança.”

Apesar de o índice composto de produção manter-se acima da fasquia dos 50 pontos — a linha que separa contração de expansão –, os números não são os mais animadores. Significa apenas que a atividade privada no conjunto da economia ainda está a crescer, embora a um ritmo mais moderado.

O PMI (Purchasing Managers’ Index) resulta de um inquérito mensal às empresas e funciona como um “termómetro” de curto prazo da economia. O recuo de 52,8 para 51,5 mostra que a Zona Euro não está em recessão técnica, mas também não está a entrar numa fase de forte aceleração. Trata‑se, sobretudo, de um crescimento frágil e vulnerável a choques. E o facto de o índice ter caído para o nível mais baixo em três meses é relevante porque surge num contexto de taxas de juro ainda elevadas e de procura externa enfraquecida.

Os serviços continuam a compensar a fraqueza industrial, mas não o suficiente para colocar a economia europeia numa trajetória de crescimento robusto e sustentado.

Os dados do inquérito do HCPB revelam que as empresas de serviços continuam a reportar crescimento, mas com sinais de maior prudência nas decisões de investimento e contratação. Já a indústria, mais exposta à desaceleração global e ao custo do crédito, permanece como o elo mais fraco, o que puxa o índice composto para baixo.

Em termos económicos, isto traduz‑se numa recuperação a “meio gás”: os serviços compensam a fraqueza industrial, mas não o suficiente para colocar a economia europeia numa trajetória de crescimento robusto e sustentado.

Para este ano, as previsões não são de grandes mudanças de dinâmica. “Em 2026, o setor de serviços deverá manter uma trajetória de crescimento moderado”, vaticina Cyrus de la Rubia.

O economista-chefe do HCOB refere ainda que “o setor industrial deverá beneficiar-se da maior procura por equipamentos de defesa e máquinas de construção, necessários, entre outras coisas, para a implementação de projetos de infraestrutura na Alemanha”, considerando por isso que “um crescimento económico bem acima de 1% deverá ser possível novamente, mas certamente não será impressionante.”

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